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Ladra de almas inocentes: a sombria trajetória de Luísa de Jesus

Em meados de 1770, a mulher encontrou uma maneira cruel de ganhar dinheiro

Pamela Malva Publicado em 17/05/2020, às 16h00

Imagem meramente ilustrativa de carrinho destruído
Imagem meramente ilustrativa de carrinho destruído - Divulgação/Pixabay

Em meados de 1770, diversas casas de caridade em Portugal contavam com as chamadas Rodas dos Enjeitados. Instalados em hospitais ou conventos, os dispositivos foram criados em Lisboa, no século 17.

Feitas de madeira, as rodas em formato cilíndrico eram usadas por mães que não tinham condições de criar seus bebês. As mulheres colocavam os recém-nascidos no mecanismo e acionavam um sino, avisando a chegada de mais um órfão.

Os bebês anônimos, então, eram abrigados pelas instituições até que fossem adotados por uma alma caridosa. Aos pais adotivos, o Governo oferecia um enxoval composto por 600 réis, um berço e meio metro de um tecido grosso de algodão.

Interessada nos incentivos, Luísa de Jesus criou um plano para enriquecer rapidamente. Colocando as ideias em prática, a jovem logo se tornou uma das mais temidas, frias e odiadas serial killers da história de Portugal.

Representação de Luísa de Jesus / Crédito: Divulgação

Uma mulher fria

Nascida em dezembro de 1748, Luísa de Jesus era uma menina simples, da classe baixa, uma típica anônima. Quando adulta, ganhava alguns trocados transportando mercadorias. Apesar de casada, o dinheiro era sempre bastante apertado.

Com as contas no vermelho, então, Luísa resolveu traçar um plano que viria a aterrorizar todo o seu país. Ela simplesmente adotaria o máximo de bebês da Roda dos Enjeitados que pudesse. Mas, é claro, não poderia ficar com todos.

Assim, às vezes com o seu nome, às vezes com o nome de seus clientes, a mulher se dirigia até a Casa da Roda de Coimbra e recolhia os bebês. Com o enxoval em mãos, Luísa estrangulava as crianças até que o ar sumisse de seus pequenos pulmões e as enterrava no Monte-Arroio, um terreno bastante próximo da casa de caridade.

Um plano impensado

Em abril de 1772, Angélica Maria caminhava pelo belo monte quando tropeçou em algo familiar. Com marcas de dedos em seu pescoço, um pequeno bebê jazia na terra, enterrado de uma forma negligente.

A mulher tratou de chamar a polícia e uma longa investigação começou. Os oficiais não demoraram para ligar os pontos até Luísa — a adoção do bebê encontrado havia sido feita no nome verdadeiro da assassina.

Sob interrogatório, Luísa confessou ter ceifado a vida de dois recém-nascidos, no dia 6 de abril. Agora acusada, a mulher teve sua casa revistada pelos investigadores. Na residência, o palco de um verdadeiro show de horrores foi revelado.

Enquanto outros 13 bebês foram desenterrados do Monte-Arroio, outros 18 cadáveres foram encontrados na casa de Luísa — alguns inteiros, outros decapitados e outros desmembrados. Todas as crianças, no entanto, haviam sido mortas por asfixia.

Ilustração de mulher deixando seu bebê na Roda dos Enjeitados / Crédito: Divulgação

 

Os julgamentos

No total, Luísa foi indiciada pelo assassinato a sangue frio de 33 bebês indefesos. Junto com ela, duas administradoras da Casa da Roda de Coimbra foram acusadas de negligência por permitirem, mesmo que indiretamente, o infanticídio em massa.

Segundo a historiadora Maria Antónia Lopes, ambas as trabalhadoras da casa de caridade foram soltas em outubro do mesmo ano. Luísa, no entanto, não teve a mesma sorte e misericórdia. Sua pena foi tão cruel quanto seus crimes hediondos.

No dia 1 de julho de 1772, Luísa foi condenada à morte. No dia da execução, ela deveria percorrer as ruas de Coimbra com uma corda no pescoço, enquanto seus crimes fossem lidos em voz alta. Em seguida, suas mãos seriam decepadas e a serial killer teria seu corpo carbonizado.

Ilustração de mulher abandonadno um bebê / Crédito: Divulgação

 

O desfecho

Aquela foi a última vez que Portugal aplicou a sentença de execução em uma mulher — pena foi oficialmente abolida em 1976. Pelos delitos, Luísa ficou conhecida como uma das mulheres mais cruéis da Era Moderna.

Antes de sua execução, a assassina em série confessou ter matado apenas 28 das 33 crianças encontradas, apesar de ter sido julgada por todos os crimes. Um mistério, contudo, permaneceu.

Segundo dados da época, os registros da Casa da Roda de Coimbra indicavam que Luísa teria adotado um total de 34a crianças no lugar. Sem a confissão da assassina, a 34ª criança nunca foi encontrada ou identificada.


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