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Da Antiguidade a Apollo 11: ‘100 Passos Até Uma Pegada’ resgata a aventura cósmica do ser humano

O livro de Lauro Henriques Jr é um registro intenso das relações entre nosso satélite e a Humanidade

Joseane Pereira Publicado em 18/07/2019, às 08h00

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- Reprodução

Cinquenta anos depois da viagem espacial que levou o ser humano à lua, o jornalista Lauro Henriques Jr lançou o livro “100 passos até uma pegada: A incrível jornada cósmica do ser humano desde a antiguidade rumo à conquista da Lua”.

Publicado pela editora Tordesilhas, obra resgata em cem capítulos a aventura cósmica do ser humano, da Antiguidade até o dia em que pisamos na Lua pela primeira vez. As mais de 200 fotos coloridas e históricas que compõem o livro dão ainda mais brilho a essa história, que vai do primeiro calendário lunar, criado no período Paleolítico, até a missão espacial de julho de 1969.

A capa do livro / Crédito: Editora Tordesilhas

 

Com uma abordagem diferenciada, a obra é um almanaque repleto de curiosidades que levaram o homem a conquistar a Lua e o universo.

Confira na íntegra um capítulo do livro.

"1º de Junho de 1969

Em uma das etapas mais importantes da fase de pré-lançamento, nesse dia foram conduzidos vários testes para avaliar a prontidão da Apollo 11 para o voo, o que incluiu a checagem de todos os sistemas de navegação e controle da nave. Se a missão era um feito grandioso em termos de engenharia e maquinário, ela também incorporava o que havia de mais avançado em termos de software para a época.

Chamado de Apollo Guidance Computer, o computador de bordo era o cérebro eletrônico por trás da complexa rede de sistemas de nave. E por trás de tudo isso estava a matemática e programadora norte-americana Margaret Hamilton, chefe da equipe de especialistas que desenvolveu os softwares da Apollo 11. De fato – como se comprovou mais tarde em momentos cruciais da missão -, sem o software criado por Margaret, a Apollo 11 nem teria chegado a pousar na Lua.

Na verdade, a importância do software desenvolvido por ela talvez seja equivalente apenas ao esforço necessário para criá-lo. Nos anos 1960, a tecnologia de softwares ainda estava nos primórdios, e o trabalho para escrever os códigos era algo insano – para se ter ideia, nesta imagem Margaret posa ao lado da pilha de papéis onde estava escrito o código do computador de bordo da Apollo 11.

E a dificuldade não se resumiu apenas à tarefa de conceber os programas – eles exigiram um trabalho igualmente insano na hora de montar. Na época, o computador usava um sistema chamado de Memória de Corda. Nesse sistema, os fios elétricos eram trançados através de pequenos furos em uma placa de metal de modo a armazenar os códigos binários: se o fio passava por dentro de um furo, representava o número 1; se o furo ficava vazio, representava o zero.

Acontece que, no caso da Apollo 11, os programas foram literalmente tecidos à mão por centenas de mulheres que, de maneira meticulosa, costuraram a rede de neurônios da nave."


100 Passos Até Uma Pegada, Lauro Henriques Jr, Editora Tordesilhas, 269 páginas, R$ 46,57.