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Lauri Torni, o combatente que lutou por três países diferentes

Em sua incansável saga contra os comunistas, o soldado finlandês se juntou aos Estados Unidos na Guerra do Vietnã e a Alemanha Nazista na Segunda Guerra

Alana Sousa Publicado em 12/07/2020, às 11h00

Foto de Lauri Torni durante um confronto
Foto de Lauri Torni durante um confronto - Wikimedia Commons

Entre os grandes nomes de guerra não há nenhum como Lauri Allan Torni. Nascido na Finlândia, em 1919, ele lutou por três nações diferentes durante sua instigante trajetória: pela sua terra natal, pela Alemanha Nazista e pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Mais do que gostar de estar à frente de batalha nas guerras, Torni odiava comunistas.

Considerado uma "lenda" no campo de batalha, ele foi condecorado com a Cruz de Mannerheim, na Finlândia; com a Cruz de Ferro pela Alemanha; e, ainda, com a Estrela de Bronze e dois Corações Roxos nos Estados Unidos. Foi homenageado com um prêmio que carrega seu nome e é recebido pelo mais merecedor Boina Verde das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos.

Início da jornada

Torni no exército da Finlândia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Aos 19 anos, em 1938 se juntou ao exército finlandês, foi designado primeiramente ao batalhão de infantaria. Um ano depois enfrentou sua primeira guerra, e ali começava sua jornada pessoal contra os comunistas.

Durante a Guerra de Inverno (1939-1940), a União Soviética queria uma parte do território da Finlândia para ser usado como estratégia de guerra, os finlandeses se recusaram e partiram para o embate, que culminou em desastre para o Exército Vermelho. O episódio mudaria para sempre a vida de Torni, que chamou atenção por seu desempenho e foi enviado para ser treinado como tenente.

Com a rendição de seu país para a URSS, Torni, enfurecido, viajou para Viena e decidiu se juntar a Waffen-SS, as forças armadas de Adolf Hitler. Quando a Alemanha Nazista invadiu a União Soviética, a Finlândia foi uma das aliadas, sedento por vingança, Lauri, já um tenente da SS, voltou à frente do exército.

Em pouco tempo, foi promovido a capitão. Em 1942, Torni ganhou uma Cruz de Ferro e, apesar de se ferir gravemente em um dos conflitos, se recuperou e voltou à ação. Um ano depois, seu batalhão ficou conhecido como Destacamento Torni. Ele inspirava soldados ao seu redor, sendo considerado como "Herói" em sua terra natal. Suas habilidades eram tamanhas, que o Exército Vermelho colocou um preço por sua morte, ele foi o único cujo a morte seria recompensada. Toda via, nem isso foi o suficiente para que conseguissem matar o temido combatente.

A situação começou a ficar mais complicada quando a Finlândia se rendeu e assinou um acordo de paz, em 1944. Torni, no entanto, continuou lutando com os nazistas. 

Mesmo sendo certa a derrota do Terceiro Reich, Lauri resistiu e se juntou aos últimos movimentos contra as tropas soviéticas. Com o fim da guerra, precisou se entregar aos Aliados, que o prenderam junto com outros prisioneiros. O homem impressionou novamente e conseguiu fugir, viajou de volta para sua terra.

Torni como um tenente da SS / Crédito: Wikimedia Commons

 

Terceiro país, mais uma guerra

Em uma série de sentenças, prisões e fugas, foi finalmente perdoado pela Justiça — que não o mais considerava um herói de guerra, mas sim um perigo. Vendo que sua vida já não era mais a mesma coisa, decidiu buscar refúgio nos Estados Unidos.

Em 1954, entrou para as Forças Armadas. Sua experiência anterior fez com que acabasse nas forças especiais, foi quando mudou seu nome para Larry Thorne. Em sua avaliação no exército dos EUA, um oficial relatou: “Não conheço nenhum oficial de sua classe a quem ele possa ser comparado. Ele tem mais de quarenta anos, mas tem a capacidade física de uma pessoa de 25 anos”.

Atuou em diferentes missões ao redor do mundo, até que foi escalado para aquela que seria uma parte importante de sua saga, e concluiria sua vida. No ano de 1963, foi indicado como consultor na Guerra do Vietnã.

Dois anos depois, em 18 de outubro de 1965, Larry estava supervisionando uma operação em seu helicóptero com mais três soldados. Até que o veículo desapareceu, sem nenhuma pista. Por 20 anos, sua morte ficou em aberto, com muitos pensando que ele estava vivo e escondido e outros acreditando que o finlandês tinha se entregado aos soviéticos.

Torni no exército americano como Larry Thorne / Crédito: Wikimedia Commons

 

Até que, em 1999, os restos da aeronave foram localizados, em seu interior cadáveres humanos foram encontrados, entre eles Larry Thorne. Seu corpo foi enviado de volta para os EUA após um exame de identificação.

Recebeu uma honraria como major e foi enterrado no Cemitério Nacional de Arlington, ele é o único ex-soldado da SS que está sepultado em meio aos mais respeitados guerreiros americanos.


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