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Lenda que perdura por décadas: A curiosa saga do chupa-cabra

Em meados dos anos 1990, fazendeiros relataram que seus animais estavam sendo mortos com furos perto do pescoço: foi suficiente para popularizar uma das lendas mais famosas do país

Fabio Previdelli Publicado em 24/04/2021, às 09h00

Imagem ilustrativa de um chupa-cabra
Imagem ilustrativa de um chupa-cabra - Wikimedia Commons

Mitos de monstros e criaturas desconhecidas sempre fazem sucesso em diferentes culturas ao redor do mundo. O fato de poucas pessoas terem batido de frente de tais figuras — se é que esse encontro já aconteceu algum dia — não impede com que histórias curiosas se perpetuem entre gerações.  

Seja em um lago escocês ou até mesmo em regiões inóspitas de Canada e Estados Unidos, esses contos até hoje reúnem pessoas que juram de pé junto que esses animais realmente existam, independente do tempo em que elas viveram ou ‘foram flagradas’ pela primeira vez. 

Por aqui as coisas não são diferentes e essas lendas urbanas, ainda hoje, continuam mexendo com o imaginário popular, visto que nem mesmo especialistas conseguem provar grande parte delas, como é o caso do enigmático chupa-cabra.

As origens 

Apesar de muito difundida em terras tupiniquins, a lenda do chupa-cabra não nasceu por aqui. Segundo explica matéria da BBC, os primeiros relatos da criatura foram registrados em Porto Rico, em meados dos anos 1990. 

Manchete sobre os ataques do chupa-cabra/ Crédito: Divulgação

 

Por lá, o monstrengo era descrito como um ser que andava em duas pernas e que tinha cerca de um metro e meio de altura. Além disso, sua figura também era conhecida por ter olhos grandes e aterrorizantes, longas garras e espinhos nas costas.  

O bicho, de acordo com relatos de testemunhas, matava animais de criação e chupava todo o seu sangue — assim o nome dado a ele faz todo sentido. Além do caribe, histórias parecidas passaram a ser registradas em diversas outras regiões, como a Rússia, o México, os Estados Unidos e, obviamente, o Brasil.  

Por aqui, segundo matéria publicada pelo G1, o caso instiga as pessoas há mais de duas décadas por policiais, além de também atrair a atenção de ufólogos, como o Grupo de Estudos e Pesquisas Ufológicas de Sorocaba (GEPUS), que coletou informações e entrevistou os donos dos animais que teriam sido dilacerados.  

As pesquisas feitas pelo GEPUS também tiveram a colaboração de ufólogos de Curitiba, que constataram que as cidades paulistas de São Roque, Araçoiaba da Serra, Ribeirão Branco, Sorocaba e Pereiras teriam sido alvo do ataque da criatura.  

Os ataques 

De acordo com matéria do G1, que reuniu reportagens exibidas em 1998 e 1999, os relatos dos ataques do chupa-cabra eram de que eles atacavam no período noturno, normalmente em áreas rurais. 

As vítimas também seguiam um padrão, sempre eram galinhas, cavalos, bois, cabras, vacas; todas elas eram encontradas praticamente sem sangue em seus corpos e em volta de onde estavam.

“Escureceu, tem que fechar as portas. Única coisa que vimos foram os frangos estraçalhados lá pelo fundo, com barriga cortada e sem os pés”, disse o dono de 30 galinhas que foram atacadas em uma fazenda em Araçoiaba da Serra em uma entrevista na época.  

Na mesma região, também foi encontrada uma vaca nas mesmas condições, aponta o G1. Segundo moradores do local, nenhum barulho diferente foi ouvido durante a madrugada. Já em São Roque, algumas pessoas tentaram montar armadilhas para capturar o animal, no lugar onde supostas pegadas foram encontradas. Mas ninguém teve sorte.  

“Está esquisito. Está atacando só na base da orelha, uma ou duas vezes. Mais estranho que são só as fêmeas”, disse um fazendeiro de Ribeirão Preto que encontrou 23 cabras mortas com furos no pescoço. 

O que seria a pegada do chupa-cabra/ Crédito: Divulgação

 

Na época, alguns desses animais foram levados para análises de um veterinário, que apontou que o ataque teria sido feito por um cachorro, mas os donos dos bichos contestaram tal afirmação, já que explicaram que a região onde viviam era cercada por tela.  

Outra hipótese levantada é que os animais eram abatidos e tinham seu sangue drenado para cultos, porém, em reportagem exibida pelo Fantástico, religiosos negaram que foram responsáveis por tais ataques.  

Como tudo acabou? 

O fato é que após todas as investigações, conforme mostra matéria do G1, os casos foram arquivados sem autoria.  

“Todo mundo ficou eufórico com essa história e decidimos apurar quando foram feitos os boletins de ocorrência. Fomos batendo de porta em porta e coletando depoimentos. Por incrível que pareça, os casos pararam de repente. Então, concluímos que os autores ficaram com medo de serem presos e não o fizeram mais”, explicou Raul Francisco de Souza, delegado aposentado que investigou os casos em Araçoiaba da Serra.  

Esse fato de que os ataques cessaram fez com que o ufólogo Marcos Leal, do GEPUS, que trabalhou no caso junto do pesquisador Carlos Alberto Machado, questionasse a resposta dada pelos veterinários de que os responsáveis por tudo isso foram animais.  

“Se eram animais selvagens, por que pararam de atacar? Só entre 1999 e 2000 que atacariam? É para se pensar. Os veterinários que me ajudavam não identificavam sangue e os bichos estavam secos. Isso que assustava”, indaga.  

Após mais de duas décadas, os casos mexem com o imaginário dos mais curiosos, que viralizam a lenda urbana ao redor do Brasil. 


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