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Levado para fora do Brasil, fóssil de aranha que homenageou Pabllo Vittar é investigado

Em maio, pesquisadores estadunidenses publicaram um estudo que analisava uma aranha que viveu no Brasil, há 122 milhões de anos

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 09/06/2021, às 17h30

A aranha Cretapalpus vittari e a artista Pabllo Vittar
A aranha Cretapalpus vittari e a artista Pabllo Vittar - The Journal of Arachnology/Wikimedia Commons

No último dia 11, uma pesquisa intrigante foi publicada na revista científica The Journal of Arachnology. Pesquisadores do departamento de geologia da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, investigaram o fóssil de uma aranha que viveu há milhões de anos.

Ela, porém, habitou o Brasil há 122 milhões de anos, mais especificamente na Região do Cariri do Ceará. Batizada de Cretapalpus vittari, ela foi encontrada no sítio paleontológico do Crato, no município que dá nome ao local. 

A notícia do estudo que analisava a aranha tomou as redes sociais por um motivo peculiar, que acabou se tornando o assunto do momento. Os especialistas em aranhas Matthew Dowmen e Paul Selden homenagearam a cantora Pabllo Vittar no nome do espécime.

Ainda que o nome da aranha tenha sido uma surpresa, chamando a atenção dos brasileiros, outro aspecto da pesquisa também fez com que perguntas surgissem. Segundo a lei brasileira, um fóssil desse tipo não poderia deixar o país.

Então como a aranha foi parar nos Estados Unidos? Como relatou reportagem do G1 sobre o tema, é possível que o espécime tenha sido levado para o exterior por meio de tráfico ilegal de fósseis. 

Investigando vittari

Quando percebeu-se que um fóssil de uma aranha que habitou o Brasil há milhões de anos não estava mais em território nacional, o Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma investigação para buscar respostas sobre o caso.

Um fóssil por si só já seria de grande importância para a ciência do país. Mas o da Cretapalpus vittari é ainda mais notável: como relata o Uol, o espécime é um ‘holótipo’, que serve para descrever toda uma espécie. 

A saída da aranha para os Estados Unidos se tornou foco da busca do MPF, que informou que o fóssil foi doado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPN) da cidade do sítio arqueológico onde o esqueleto foi encontrado há anos.

A aranha / Crédito: Divulgação/The Journal of Arachnology

 

A doação gerou suspeitas. Isso porque, segundo o Ministério Público, existe apenas um meio legal para o fóssil sair do país: ele pode ir para o exterior por meio de uma instituição científica para ser pesquisado. 

Além da necessidade da participação de um instituto de pesquisa — o que não aconteceu nesse caso —, um pesquisador brasileiro também deveria participar do estudo em questão. Ao final das investigações científicas, o fóssil também deveria voltar para o país de origem.

O G1 já vinha investigando um esquema de tráfico de fósseis na região de Cariri. Em abril, uma reportagem do portal apontou que itens antigos foram levados para Europa, Ásia e Estados Unidos custando até 150 mil dólares. Ainda segundo o site, o local é um dos três que mais possuem riquezas paleontológicas no mundo. 

O fato de a Cretapalpus vittari fez com que a Universidade Regional do Cariri (Urca) solicitasse uma investigação ao Ministério Público, que está apurando o caso atualmente. A universidade estadunidense afirma que o fóssil chegou ao país por meio da doação do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPN), como já foi apontado.

O MPF já pediu que a Agência Nacional de Mineração (ANM) informe o que sabe sobre o assunto, o que dá mais dez dias para que uma resposta oficial seja enviada. A agência deverá comunicar se o espécime foi levado para fora do país de maneira legal, ou não.


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