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Ligação com Hitler e fuga comunista: a singular história das irmãs Mitford

Controversa família do século passado, as irmãs foram criadas com excentricidades e tiveram diversas ligações políticas — apesar de, nem sempre, concordarem umas com as outras

Fabio Previdelli Publicado em 15/08/2020, às 08h00

A família Mitford
A família Mitford - Wikimedia Commons

Filhas de David Freeman-Mitford, 2º Barão Redesdale , e sua esposa Sydney Bowles, Nancy, Pamela, Diana, Unity, Jessica e Deborah tiveram uma criação repleta de excentricidades. Vivendo em requintadas casas senhoriais, as meninas acreditavam em poltergeists, predestinação e tinham diversas superstições malucas.  

A aversão de seu pai filisteu por estrangeiros e católicos acabou incutindo em suas filhas uma mentalidade mais individualista e confiante para seguir suas próprias opiniões. Já a mãe das meninas, que era mais doméstica, deu a elas uma boa dose de bom senso. 

Mas o que tinham de especial? Por que ficaram tão famosas? 

A primeira a causar certo alvoroço na sociedade britânica foi Diana, que casou com o herdeiro cervejeiro Bryan Guinness. Entretanto, foi sua outra relação que a fez ganhar os holofotes: a com sir Oswald Mosley, líder da União Britânica Fascista, o que lhe trouxe a infâmia para toda a vida. 

Deborah, Diana e Unity Mitford / Crédito: Wikimedia Commons

 

Não se importando com os costumes e pensamentos da época, Diana viveu abertamente como amante de Mosley. Além disso, passou um período na prisão de Holloway e se tornou uma importante influente para a ascensão das irmãs Mitford e de como elas reagiriam aos turbulentos anos de 1930. 

A mais influenciada por Diana foi Unity, uma das filhas do meio, que também se engajou na causa Fascista, chegando até mesmo a vestir uma camisa preta e desfilar pela Hyde Park abordando alguns comunistas. 

Aos 19 anos, realizou aquele que considera o maior de seus sonhos: conhecer Adolf Hitler. Abrindo caminho no círculo íntimo do Führer, ela se jogou de vez na ideologia que começava a florescer na Alemanha. Sobre o encontro, comentou em carta com seu pai: “esse foi o dia mais feliz da minha vida. Estou tão feliz que não me importaria de morrer. (...) Para mim, é o maior homem de todos os tempos”. 

Unity chegou a dar um discurso durante uma reunião da juventude hitlerista. Antissemita declarada, passou um tempo na Alemanha, mas o próprio Hitler lhe fez um pedido para que retornasse a Inglaterra, afinal, o conflito entre as duas nações se tornava cada vez mais próximo e inevitável. Porém, ela acabou decidindo ficar por lá mesmo. 

No entanto, com os dois países entrando em guerra, o coração da britânica ficara dividido. Não podendo ver as duas nações que mais amava guerreando entre si, decidiu que tiraria a própria vida. Mas por sorte, acabou sobrevivendo e foi levada para um hospital em Munique.  

Com um estado melhor, foi transferida para a Suíça, onde ficou sob os cuidados da mãe e da irmã. Sem poder tirar o projetil de sua cabeça, conviveu com o ferimento por alguns anos. Mas uma infecção na região acabou lhe tirando a vida.  

Contrária ao pensamento de Unity, Jessica, que também era conhecida como Decca, fora uma grande defensora do comunismo. Ao lado de seu primo comunista, Esmond Romily, ela fugiu para lutar contra os fascistas na Guerra Civil Espanhola. 

De lá, se mudou para os Estados Unidos, onde lutou pelos direitos civis e se tornou uma autora best-sellers. Mais tarde, ainda se aventurou no mundo pop da música, à frente do grupo Decca & The Dectones. 

Já Nancy era socialista. No final da Guerra, ela escapou de um casamento enfadonho e se mudou para Paris, onde começou a escrever seus romances. Sempre vestida com a mais alta moda, teve um caso desesperador com o braço direito de Charles de Gaulle, Gaston Palewski. 

Ela escreveu muitos romances, incluindo o semi-autobiográfico The Pursuit of Love e Love in a Cold Climate, e também foi biógrafa de figuras históricas, incluindo o Rei Sol

Jessica, Nancy, Diana, Unity, e Pamela Mitford em 1935 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Deborah levou uma vida feliz no campo. Montar e caçar eram suas atividades favoritas e ela se descrevia como apolítica. Sempre muito popular e carismática, conheceu Kathleen Kennedy e seu irmão John, que viria a ser presidente americano.  

A moça se casou com Lord Andrew Cavendish em 1941, e a família Cavendish se uniu com os Kennedy através do casamento de Kathleen e Billy Cavendish, em 1939. Assim, Deborah estava ligada ao mais famoso dos presidentes e a Adele Astaire, irmã de Fred, que era tia por casamento. 

Por último, Pamela, embora tenha evitado os holofotes, casou-se com o cientista milionário Derek Jackson. Ela viajou sozinha pela Europa e se tornou uma das primeiras mulheres a embarcar em um voo transatlântico de passageiros. Seu senso de aventura era equilibrado com uma domesticidade tranquila, e ela se sentia feliz em casa, em sua horta, cuidando de seus animais.


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