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Little Lon: o insólito distrito de Melbourne, Austrália

Ocupado por migrantes e trabalhadores pobres, Little Lon entrou para a História como centro de prostituição. Entenda!

Redação Publicado em 15/10/2019, às 12h04

Little Lon em 1901
Little Lon em 1901 - Museum Victoria

Na cidade de Melbourne, Austrália, existe um bairro com um passado curioso. Ocupado por migrantes e trabalhadores itinerantes durante o século 19, ele era um centro de prostituição e pequenos crimes. Pessoas de várias partes do mundo podiam ser encontradas no local, que até hoje atrai curiosos sobre sua história.

O local

Segundo o arqueólogo Justin McCarthy, em 1854 Little Lon já estava bem estabelecido como centro de prostituição. Suas numerosas ruelas e casas abrigavam um número crescente de prostitutas, definidas pelo jornal australiano Argus como "mulheres da mais baixa e desprezível classe, que perseguiam seu chamado com linguagem e conduta baixas e sujas”.

No ano de 1891, as favelas ao redor de Melbourne – que foram surgindo durante o processo de colonização britânica – foram descritas pelo evangelista Henry Varley como "um centro repugnante onde abundam crimes, jogos, ópio e chineses degradados, e onde centenas de homens e mulheres licenciosos e terrivelmente degradados são pastoreados como porcos".

Entre os bordéis, existiam aqueles mais opulentos e os de classe baixa. Confeitarias, tabacarias e lojas de frutas costumavam atuar como frentes de prostituição, e muitas casas eram administradas pelas próprias prostitutas – como a de Yokohama, meretriz chinesa que vivia em Little Lon durante os anos 1920.

Estudos recentes

Arqueólogos trabalhando em Little Lon / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entre 1988 e 2002, arqueólogos se debruçaram sobre Little Lon, descobrindo uma variedade de objetos em seus lixões - alguns indicando florescimento e prosperidade. Segundo o pesquisador Alan Mayne, "Little Lon não era apenas uma mistura instável de desviantes apáticos e sem direção. Nem seus habitantes eram vítimas passivas da pobreza". Apesar da fama, o local sempre havia contado com uma organização interna que permitia a dignidade da população.

Com o tempo, a área se tornava o lar de uma população diversificada de chineses, judeus alemães, libaneses e italianos. No início do século 20, os bordéis do bairro foram sendo substituídos por pequenas fábricas, seguindo o processo de industrialização que ocorria em diversas partes do globo.