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Fake news do FBI: O livro de colorir dos Panteras Negras

Com ilustrações falsas, o livro tentava afirmar que o movimento negro estava promovendo guerra aos brancos e policiais. Confira as imagens!

Thiago Lincolins Publicado em 29/05/2019, às 08h00

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- Crédito: Domínio Público

Em 1968, a circulação de um livro insólito causou polêmica nos Estados Unidos. As famílias de classe média foram surpreendidas por Black Panther Coloring Book (O Livro de Colorir dos Panteras Negras) e suas páginas com ilustrações de policiais – representados como porcos – sendo atacados por homens negros que portavam facas e armas de fogo.

No entanto, tudo não passou de uma tentativa do FBI de desmoralizar o partido dos Panteras Negras, uma organização maoísta para defesa do direito dos negros.

Os afro-americanos que moravam na América do Norte não viviam em boas condições. Sofriam com a gritante desigualdade econômica e social. As cidades onde moravam eram caracterizadas pela pobreza e falta de serviços públicos.

O desemprego e, principalmente, a violência fizeram eclodir revoltas urbanas em 1960 e, consequentemente, o uso da violência policial para "impor a ordem".

Nesse contexto e com o trágico assassinato de Malcolm X em 1965, os alunos Huey Newton e Bobby Seale, do Colégio Merritt Junior, em Oakland, fundaram o Partido dos Panteras Negras para Autodefesa em outubro de 1966.

Encurtando o nome para apenas Panteras Negras, tinham como principal objetivo garantir os direitos da população negra. Assim, patrulhavam os guetos para proteger os moradores da violência e da opressão exercida por policiais. O movimento se espalhou nos EUA e, quanto mais crescia, mais o governo os enxergava como uma ameaça.

Constantes tiroteios com a polícia e conflitos internos resultaram em escândalos e, principalmente, na perseguição pelo FBI. Edgar Hoover, então diretor do serviço de inteligência, descreveu o partido como a maior ameaça à segurança interna do país.

Hoover liderou um controverso programa de contrainteligência, caracterizado por táticas ilegais para derrubar os líderes dos Panteras Negras, manchar a reputação do partido e, ao mesmo tempo, incriminar seus membros. Dentre as tentativas surgiu o tétrico livro de colorir.

As páginas mostram pessoas negras que vieram da África para a América atacando e matando policiais com facas enormes. Nas páginas seguintes, as ilustrações ficaram ainda piores.

Foram desenhadas crianças negras apontando armas de fogo para os guardas. Enviado para as famílias dos EUA e com a falsa autoria do Panteras Negras, o livro causou uma verdadeira indignação. Essa e outras táticas do programa só foram consideradas ilegais em 1975, após as investigações da Comissão Church.

Confira algumas das ilustrações:

"Isto é um porco. Ele tenta controlar as pessoas negras" / Crédito: Domínio Público

 


"O homem branco queria as riquezas do homem negro. Eles vieram com armas e forças e as levaram" / Crédito: Domínio Público

"Nat Turner, um escravo forte, mostra ao homem negro que ele não deve temer o proprietário branco dos escravos" / Crédito: Domínio Público

"O único porco bom é um porco morto" / Crédito: Domínio Público

 


"Irmãos negros estão cansados dos homens brancos em comunidades negras"  / Crédito: Domínio Público

"Irmãos e irmãs lidam com o dono branco da loja que rouba pessoas negras"  / Crédito: Domínio Público

"O porco está com medo das crianças negras porque elas são guerreiras corajosas"  / Crédito: Domínio Público

 


"O porco está fugindo das pessoas negras"  "Corra, porco, corra" / Crédito: Domínio Público

"O poder vem através do cano de uma arma" / Crédito: Domínio Público