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Loira Fantasma, a mulher que assombrou o Brasil dos anos 70

Publicadas pelo jornal “Notícias Populares”, as histórias da jovem assombração eram cheias de exagero e sensacionalismo. Confira!

Joseane Pereira Publicado em 16/01/2020, às 09h00

Uma das manchetes sobre a Loira Fantasma
Uma das manchetes sobre a Loira Fantasma - Reprodução/Notícias Populares

Entre os anos de 1963 e 2001, o jornal paulista Notícias Populares publicou reportagens insólitas sobre crimes, mistérios e violência sexual. Entre as manchetes exageradas e até mesmo inventadas, duas que ganharam muito destaque foram as do Bebê Diabo e da Loira Fantasma.

Esta última era a reprodução da lenda urbana da Loira do Banheiro ou Bloody Mary, em uma versão que assombrava motoristas de estrada e jovens em bailes de São Paulo e Rio de Janeiro.

Perigo na Estrada

As reportagens começaram em junho de 1975, com relatos de uma garota que assombrava caminhoneiros e motoristas de táxi em Curitiba. Dois repórteres do NP, enviados à cidade para acompanhar o caso, entrevistaram o taxista Wilmar Siqueira, que afirmou ter sido “estrangulado pela Loira Fantasma".

Ele teria avistado uma garota loira, que entrou em seu carro e lhe pediu para ir ao cemitério Abranches. A viagem foi tensa: a bela moça desaparecia e reaparecia no carro, lhe perguntando o porquê de estar com medo. Encontrando policiais no caminho, ele acabou indo ao cemitério, onde sentiu duas mãos geladas lhe estrangulando. Alvejada com três tiros pelos oficiais, ela teria dado uma gargalhada e desaparecido na escuridão.

A manchete / Crédito: Reprodução/Notícias Populares

 

Após a grande repercussão da matéria, a Loira Fantasma voltou às manchetes do NP em 30 de maio de 1976, sob o título "Mulher Fantasma dançou no baile a noite toda". O indivíduo macabro havia sido localizado em um baile de Osasco, São Paulo, dançando com chumaços de algodão que tampavam sua boca e narinas. O parceiro de dança, que era bancário, teria levado um susto tão grande que foi hospitalizado e morreu logo depois.

Engano

Um terceiro relato gerou muita polêmica em São Bernardo do Campo, São Paulo. Em 6 de agosto de 1976, o estudante Alfredo Aparecido deu carona a uma jovem sozinha no ponto de ônibus. Após minutos de conversa, ela pediu que o jovem parasse o carro: "Moro por aqui, não quero que você se aproxime da minha casa".

Crédito: Reprodução/Notícias Populares

 

Se aproveitando da situação, ele acabou beijando a moça, que desapareceu misteriosamente logo depois. Apavorado, Alfredo começou a gritar por ajuda na estrada escura, sendo resgatado por policiais que lhe levaram para dar depoimentos sobre o ocorrido.

Entretanto, a moça revelou ser a jovem Mirtes Teotônio, que, exausta com a repercussão do caso, chamou o rapaz e foi com ele à polícia para resolver o mistério: ela simplesmente fugira do carro por achar que o moço era tarado. Caso solucionado, o Notícias Populares publicou em 18 de agosto uma entrevista com Mirtes acompanhado da seguinte manchete: "Eu nunca fui a Loira Fantasma".


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