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O lado racista dos Looney Tunes: os Censored Eleven

Em 1968, a Warner decidiu que estes 11 desenhos dos anos 30 e 40 nunca mais deviam passar na TV – conheça-os

sexta 14 setembro, 2018
A mais clássica
A mais clássica Foto:Reprodução / Youtube

Os anos 30 e 40 foram a Era de Ouro do desenho animado. Praticamente todos os seres humanos hoje vivos foram expostos na infância a Pernalonga, Gaguinho, Patolino e companhia.

Mas nem só de bichos falantes vivia o a Warner Bros. Cartoons. E seus retratos de humanos não envelheceram bem, para dizer o mínimo.

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Os Censored Eleven são 11 desenhos retirados para sempre de circulação em 1968. Era a era dos Direitos Civis, Martin Luther King e Rosa Parks haviam marchado, e o retrato dos negros das gerações passadas se tornara absolutamente inaceitável.

O ator branco Al Johnson em The Jazz Singer, o primeiro filme faladoReprodução

Quando questionados sobre isso, os animadores da época não reconheciam qualquer problema. Bob Clampett (de Coal Black and the Sebben Dwarfs, veja abaixo), afirmou quando confrontado pela imprensa: "Não há nada de racista ou desrespeitoso com os negros nesse filme. Todos, incluindo os negros, se divertiram muito quando o desenho saiu".

Por que é ofensivo?

Clampett e outros nesta lista eram grandes fãs de jazz e spirituals (o que fica claro na trilha sonora). Por isso, eles se consideravam amigos dos negros.

Aos cartunistas brancos da época, a forma estereotipada parecia o único jeito de retratá-los. Se o personagem era negro, automaticamente isso "clamava" pelo que era reconhecido, os lábios gigantes, acompanhados de lacinhos, enorme gosto por melancias e temperamento indolente, propenso a preguiça, bebedeira, jogatina, lascividade, dança e festa. Falando o ebonics, um real modo de falar dos negros, caricaturado por intérpretes brancos.

Os lábios são uma das partes mais centrais da controvérsia. Nenhum negro tem uma mancha rosada ocupando a metade de baixo do rosto. É assim porque o estereótipo não veio realmente dos negros, mas dos espetáculos de vaudeville, nos quais atores brancos se pintavam de negros para ridicularizá-los. Deixavam de lado o entorno da boca, para "simular" lábios "gigantes". A infame blackface. Mesmo artistas negros do vaudeville tinham que usá-la, se quisessem ser vistos por brancos.

Os cartoons do Censored Eleven só voltaram a vida em abril de 2010, quando 8 deles foram exibidos no glamuroso Grauman's Egyptian Theatre. A intenção da Warner Bros era verificar se valeria a pena lançar uma compilação dos desenhos em DVD. A ideia ficou só no papel.

Aviso - Os desenhos

Não sem relutância - e levando em consideração a longa explicação acima, e mais comentários que se seguem - decidimos incorporar os 11 desenhos no artigo. Ao leitor cabe decidir se vale a pena prosseguir. Fique avisado: uns mais, outros menos, eles podem ser realmente revoltantes.

Hittin 'the Trail for Hallelujah Land (1931)

Um porquinho negro claramente plagiado de Mickey Mouse tenta salvar a sua namorada e o seu amigo Uncle Tom, um cachorro negro, de perigos e vilões. Uncle Tom, do livro Uncle Tom's Cabin (A Cabana do Pai Tomás), é um negro absolutamente dócil e submisso. Entre os negros, é sinônimo para traidor.

Sunday Go to Meetin' Time (1936)

Negro festeiro vai parar no inferno e aprende a lição, voltando para a igreja.

Clean Pastures (1937)

Uma paródia de The Green Pastures, filme religioso. Em um céu negro chamado "Pair-O-Dice" – alusão a palavra Paradise, mas mencionando os dados, lembrando o vício em jogo associado então aos negros, que aparece em outros desenhos aqui. Anjos negros se esforçam para conseguir as almas no Harlem, mas só conseguem isso ao adicionar "ritmo" às canções.

Foi bastante controverso em seu tempo. Por razões opostas a hoje em dia. Brancos que achavam intolerável o Céu ser comandado por negros.

Jungle Jitters (1938)

O cartoon se passa em uma selva africana. E nada mais precisa ser dito.

All This and Rabbit Stew (1941)

Pernalongas tentando escapar do que é basicamente uma versão negra do Hortelino, muito mais preguiçosa, usando de um estereótipo já mencionado para vencê-lo.

Coal Black and de Sebben Dwarfs (1943)

Paródia negra da história Branca de Neve e os Sete Anões. Ao invés de contos de fada, a história da animação se passa durante a Segunda Guerra Mundial, com anões soldados e uma madrasta malvada que acumula itens racionados. A mocinha é mostrada em traços não estereotipados e atraentes, mas é tão hipersexualizada (outro estereótipo) que fica implícito ter subornado seus inimigos com sexo.

Goldilocks and Jivin' Bears (1944)

Versão negra de Cachinhos Dourados, com os 3 ursos formando um trio de jazz.

Angel Puss (1944)

Menino negro sulista é feito de bobo por um gato.

Uncle Tom's Bungalow (1937)

Pai Tomás de volta.

Tin Pan Alley Cats (1943)

Também por Bob Clampett. A versão gato do jazzista Fats Waller vai farrear no Harlem, tem uma alucinação e decide a voltar para a igreja - do Uncle Tomcat - referência óbvia ao velho Pai Tomás.

The Isle of Pingo Pongo (1937)

"Selvagens" negros com ossinhos na cabeça.

Thiago Lincolins


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