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Los Hermanos Vs. Charlie Brown: O soco eternizado na história brasileira

O lendário embate entre as bandas causou um tumulto no aeroporto de Fortaleza, em 2004

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 26/05/2021, às 17h08

Marcelo Camelo após a briga (esq.) e Chorão em show (dir.)
Marcelo Camelo após a briga (esq.) e Chorão em show (dir.) - Divulgação/Youtube - Wikimedia Commons/Guilherme Testa

No início dos anos 2000, duas bandas de rock nacional alcançaram renomes na indústria fonográfica nacional, mas de maneiras distintas; de um lado estava o Charlie Brown Jr., banda de Santos, no litoral paulista, liderada por Alexandre Abrão, popularmente conhecido como Chorão.

Com um som inspirado no hardcore e ska californiano, era a principal disseminadora do skateboard em terras tupiniquins, com composições enérgicas sobre o cotidiano do jovem brasileiro.

Por outro lado, os Los Hermanos de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante adquiriram um status cult no início da década; deixando de lado seu maior sucesso comercial, “Anna Júlia”, lançaram discos mais intimistas e melódicos sobre relacionamentos, além da identidade visual e canções bem mais tranquilas que a da primeira citada.

Amplamente executadas em rádios e na extinta MTV Brasil, as bandas se colidiram após uma intriga gerada por uma publicidade; em uma entrevista na revista Oi, Camelo criticou a postura de Chorão ao estrelar um comercial de uma marca multinacional de refrigerantes, como noticiou a Folha.

“’Esse negócio de fazer comercial para a Coca-Cola é um desdobramento da indústria. A gente rejeita esse negócio de vender atitude. A gente só faz o que se sente confortável em fazer. [...] Não estamos dispostos a emprestar nosso prestígio para nada”, afirmou o membro dos Los Hermanos, dando início a uma briga histórica.

Tentativa de pacificar

Chorão deu o seu lado para o programa Ensaio, da TV Cultura, explicando que, constantemente era atacado pelo músico, que usava o Charlie Brown Jr. como "referência do que não era bom", descrevendo os comentários constantes como uma perseguição. Contudo, tentou conversar com Marcelo durante uma premiação.

"Eu falei com ele, falei: 'Gostaria que você parasse, até porque você não me conhece' [...] E ele se mostrou super solícito no dia — o que foi uma grande falsidade. [...] Na minha cabeça, a gente tinha se entendido cordialmente, não se levantou a voz", explicou  Chorão.

Na mesma entrevista, o artista disse que os comentários prosseguiram, incluindo uma ligação de Camelo direto ao cantor afirmando que os comentários eram "para repensar a sua vida", revoltando o músico, que descreveu o gesto como uma "arrogância". O novo encontro só viria a ocorrer em 2 de julho de 2004.

Foi no saguão do aeroporto de Fortaleza que Chorão desferiu uma cabeçada contra o artista e, enquanto esteve desnorteado, sofreu um soco na face. De acordo com Tadeu Patolla, produtor do Charlie Brown Jr., o guitarrista dos Los Hermanos, Rodrigo Amarante, não deixou barato e defendeu o amigo com um soco contra Chorão.

Após a treta

Patolla disse que o soco de Amarante foi capaz de rasgar a língua de Chorão. Marcelo, por outro lado, ficou com um hematoma no olho esquerdo, sendo conduzidos para a enfermaria do aeroporto antes de prosseguir viagem e, posteriormente, realizar o show marcado.

A exaltação de ânimos rendeu um processo da produtora Amor e Folia, dos Los Hermanos, contra o músico paulista, exigindo R$ 43 mil para compensar cancelamentos da agenda do conjunto após o soco, com vitória inicial a Camelo, como informa o R7.

Na ocasião, no entanto, o juiz classificou a ocasião como de "culpa concorrente" — as duas partes tiveram culpa na briga — possibilitando o recurso. Com o caso transferido para São Paulo, continuou em tramitação até depois do falecimento de Chorão, em 2013, tendo sua última atualização divulgada em 2015.


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