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Loung Ung, a mulher que vivenciou e fugiu dos horrores do genocídio do Camboja

Sendo forçada a trabalhar nos campos do Khmer Vermelho, Ung encarou a morte do pai e foi separada de sua família por um tempo

Penélope Coelho Publicado em 28/08/2020, às 09h00

Loung Ung na infância
Loung Ung na infância - Wikimedia Commons

O Camboja é uma nação do Sudeste Asiático onde Loung Ung nasceu. A história de sua vida começou como a de qualquer menina normal de uma família de classe-média, na até então, próspera capital do país, Phnom Penh.

A garota passou por uma reviravolta assustadora e seu mundo virou de cabeça para baixo quando em 17 de abril de 1975, o partido comunista do Khmer Vermelho tomou o poder. Sob o comando do ditador Pol Pot, que invadiu a capital do Camboja e forçou 2 milhões de pessoas a evacuarem a cidade. Ela só tinha cinco anos quando tudo aconteceu.

O tirano pregava a superioridade da sociedade agrária. Com esse pensamento, realizou reformas radicais: quem vivia nas áreas urbanas foi transferido à força para fazendas coletivas, onde eram obrigados a fazer trabalhos agrícolas. Como resultado, o Camboja teve um retrocesso significativo, levando a um genocídio de aproximadamente um quarto da população por execuções em massa, fome, doenças e cansaço. O destino da família Ung não foi diferente.

Crânios das vítimas do Khmer Vermelho / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mortes na família

Primeiro os soldados levaram e mataram seu pai, que nunca mais foi visto. Depois, os irmãos de Loung foram mandados para um campo de trabalho. Sua irmã mais velha, foi transferida para outro vilarejo e acabou morrendo. Dada essa situação, sua mãe se viu obrigada a mandar três de suas quatro crianças sobreviventes para outros campos, por não ter mais condições de mantê-las.

Loung chegou aos sete anos em um campo de formação de soldados infantis, onde foi treinada cruelmente para se tornar um dos membros do exército comunista. Ela foi torturada e presa por muitos anos, e só conseguiu fugir 1980, quando ela, o único irmão com quem ainda tinha contato, Meng, e a esposa dele, se arriscaram em uma perigosa viagem para tentar escapar.

Um novo começo

A fuga aconteceu pelo Golfo da Tailândia, que eles só conseguiram realizar depois de juntarem dinheiro, e pagarem profissionais para essa viagem. Eles chegaram ao campo de refugiados de Lam Sing, na costa da Tailândia, depois de três dias. Lá, tiveram que esperar quatro meses para conseguirem a autorização de refugiados nos Estados Unidos, em junho de 1980, Loung, Meng e Eang embarcaram em um avião no Aeroporto Internacional de Bangcoc e seguiram para seu novo lar.

Em 2000, a cambojana decidiu contar a sua história para o mundo através do livro Primeiro Eles Mataram o Meu Pai: Uma Filha Do Camboja Lembra. Na obra, que virou rapidamente um best-seller, ela detalha suas experiências no Camboja, de 1975 a 1980. “Esta é uma história de sobrevivência: a minha e a da minha família. Embora esses eventos constituam minha própria experiência, minha história reflete a de milhões de cambojanos.” Conta a autora em seu livro.

Transcendendo barreiras

Loung Ung conheceu a atriz Angelina Jolie em 2001, as duas mantém uma bela amizade, e seus caminhos se cruzaram pelo no interesse por Camboja e causas humanitárias. Ung, deixou que sua história fosse retratada pela amiga nas telas, com o filme homônimo ao livro, lançado em 2017 pela Netflix.

Na direção da produção cinematográfica, Jolie contou a história de superação de sua amiga em seu idioma de origem. O longa foi selecionado como representante do Camboja ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2018.

Angelina Joilie e Loung Ung, dando entrevistas sobre o filme First They Killed My Father / Crédito: Divulgação 

 

Apesar de todas as mazelas e sofrimentos, Loung vive bem atualmente e mora em Ohio com seu marido. Em abril de 2020, ela irá completar 50 anos. Hoje em dia, ela trabalha como ativista viajando o mundo lutando pelo combate às minas terrestres, como as que o Khmer Vermelho espalharam pelo Camboja.


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