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Luz, câmera e 'assassinato': A curiosa origem da lenda dos filmes snuff

Mitos que descrevem produções que mostravam os atores sendo assassinatos começou nos anos 70

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 16/05/2021, às 09h00

Fotografia meramente ilustrativa de homem segurando faca
Fotografia meramente ilustrativa de homem segurando faca - Divulgação/Pixabay

A definição do que seria um filme snuff é naturalmente aterrorizante: ele seria caracterizado por um longa de horror em que, ao invés do faz-de-conta com o qual estamos acostumados, as mortes mostradas na gravação são reais, com os atores tendo sido de fato assassinados no ambiente do set de filmagens.

O conceito já foi referenciado em inúmeros produtos culturais, inspirando filmes, séries, músicas e mitos da internet. A origem da lenda urbana dos filmes snuffs, todavia, não é realmente assustadora, e sim interesseira.  

A criação do termo  

Tudo começou com um livro lançado em 1971, chamado “The Family – The Story of Charles Manson’s Dune Buggy Attack Battalion” e escrito por Ed Sanders, que falava da seita conhecida como Família Manson, que era liderada por ninguém menos que o fanático Charles Manson

O perturbado grupo foi responsável por assassinar a facadas sete pessoas, incluindo a atriz de cinema Sharon Tate, que estava grávida de nove meses na época do violento episódio. Na época, existia ainda a especulação de que os integrantes da seita haviam também gravado seus brutais crimes. 

Seis dos seguidores de Charles Manson, participantes dos assassinatos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Essas teorias, contudo, nunca se confirmaram - o que não impediu que fossem citadas por Sanders no livro. Na obra, produções que mostrariam pessoas 'morreriam de verdade' acabaram sendo nomeadas pela primeira vez com o termo “snuff”. 

Estratégia de marketing

Um ano mais tarde, em 1972, o empresário Allan Shackleton, responsável pela distribuição de “Massacre”, um longa inspirado nos assassinatos bárbaros cometidos pela Família Manson, não conseguiu se conformar com o fracasso de bilheterias que o longa se mostrou. 

Massacre não passava de um filme trash, com cenas de horror barato e um banho de sangue que tinha o objetivo único de chocar a audiência, sem que houvesse uma narrativa muito instigante conectando os eventos. 

Ainda de acordo com a Superinteressante, depois que Shackleton ouviu um espectador particularmente ingênuo do filme dizendo que ele havia pensado a princípio que as cenas cruéis mostradas eram reais, o cineasta teve uma ideia questionável.

O cineasta gravou então um novo final para seu filme e espalhou por aí o boato de que estava para ser lançado um filme com cenas exibindo um assassinato real. A “nova” produção, contudo, era apenas 'Massacre' com a adição de alguns minutos finais em que pessoas que pareciam ser da equipe de filmagem atacavam a protagonista do longa. Depois, a câmera escurecia e era ainda possível ouvir uma voz perguntando se aquilo havia sido pego na fita. 

Além desse final diferente, uma outra coisa foi mudada na película: o nome. Agora, o filme se chamava “Snuff”. O novo batismo e os boatos falsos alcançaram seu objetivo com perfeição: as pessoas se acotovelaram nas salas de cinema para conferir a misteriosa produção.

Pôster do filme / Crédito: Wikimedia Commons

 

A farsa, no fim, acabou sendo muito lucrativa Allan Shackleton, e iniciou todo um gênero de filmes que simulam o conceito de um “snuff”. E, embora algumas lendas da internet afirmem que seja possível encontrar produções assim na enigmática Deep Web, não existem ainda registros de longas produzidos para obter ganho financeiro através de cenas reais de assassinato. 


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