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Os enigmas de Luzia, o mais antigo fóssil humano já encontrado no Brasil

Encontrada em Lagoa Santa, Minas Gerais, com idade estimada em 11.500 anos, Luzia é um dos fósseis mais antigos do continente americano

Giovanna Gomes Publicado em 08/11/2020, às 08h00

Reconstrução de Luzia pela teoria australásia
Reconstrução de Luzia pela teoria australásia - Reprodução/Cícero Moraes

A descoberta do fóssil de Luzia representa um dos feitos mais importantes da arqueologia brasileira. O achado, que tem em torno de 11.500 anos, foi muito estudado pela comunidade científica desde os anos 90. Porém, mesmo com tantas pesquisas, ainda hoje existem controvérsias quanto à verdadeira aparência da mulher e seu povo de origem.

O fóssil de Luzia foi encontrado em 1974 por Annette Laming-Emperaire, uma arqueóloga francesa, na Lagoa Santa, em Minas Gerais. Mais tarde, em 1995, foi recuperado pelo antropólogo brasileiro Walter Neves e recebeu o nome de Luzia em homenagem a Lucy, famoso fóssil de australopiteco de 3,2 milhões de anos.

Crânio de Luzia - Wikimedia Commons

 

Características

Luzia era uma mulher na faixa dos 20 anos quando morreu e possuía 1,50m de altura. Neves defendia a tese de que ela era parecida com os aborígenes australianos e os negritos de Nova Guiné e, assim, seria bem diferente dos indígenas modernos. A partir desta ideia, o bioantropólogo britânico Richard Neave, deu vida reconstrução mais famosa da face de Luzia, em 2003.

Dessa forma, o brasileiro acreditava que a América foi colonizada em mais de uma leva, sendo que, para ele, o povo de nossa ancestral teria sido extinto ou absorvido por outros.

Depois disso, os antropólogos Rolando González-José, Frank Williams e William Armela, contestaram a teoria de Neves. Eles afirmaram que o crânio poderia ser classificado como um paleoíndio típico. O próprio Neves mudou de opinião quando, no ano de 2005, uma pesquisa confirmou que ela era parecida com os atuais índios 'botocudos'.

Uma pesquisa recente, publicada na revista Science, foi realizada por um grupo de arqueólogos liderado por Eske Wileslev, professor das universidades de Cambridge e Copenhague. O estudo surgiu a partir da realização de testes de DNA de esqueletos do continente, tanto antigos quanto recentes e, mais uma vez, Luzia foi apontada como semelhante aos índios modernos.

Reconstrução de Luzia pela teoria australásia - Divulgação Cícero Moraes

 

Não só ela, mas todos os fósseis se mostraram semelhantes aos índios modernos da América do Norte, local onde foi iniciada a colonização asiática da América.

No dia 2 de setembro um grave incêndio destruiu tanto a estrutura quanto grande parte da coleção do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

O fóssil de Luzia encontrava-se no prédio, o que deixou a muitos receosos de que havia sido consumido pelo fogo. No entanto, 80% do esqueleto foi encontrado e levado para restauração. Em 17 de janeiro de 2019, após as reformas, o museu reabriu para o público.


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