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Madame C.J. Walker: de filha de escravos a primeira milionária negra da História

Nova série da Netflix relembra a trajetória da mulher filha de escravos que virou a magnata para produtos voltado a cabelos de mulheres negras

Paola Churchill e Pamela Malva Publicado em 23/03/2020, às 16h00

Octavia Spencer como Madam C.J. Walker na nova série da Netflix
Octavia Spencer como Madam C.J. Walker na nova série da Netflix - Divulgação/Netflix

Nos Estados Unidos, a segregação racial apenas deixou de ser institucionalizada no final dos anos 1960. Até esse momento, negros eram tratados da pior forma possível e tinham diversos direitos negados.

Foi nesse contexto, no qual minorias étnicas eram inferiorizadas, que Sarah BreedLove subverteu padrões e tornou-se a primeira milionária negra da história, com uma fortuna especulada em cerca de 8 milhões de dólares.

Filha de escravos, Sarah foi a primeira dos seis irmãos a nascer em liberdade, em dezembro de 1867 — após a Proclamação de Emancipação. Os pais, que eram obrigados a trabalhar em uma fazenda de algodão na Louisiana, morreram cedo.

Aos sete anos, a menina já era órfã e decidiu morar com sua irmã mais velha, no Mississippi. Na cidade, não teve outra alternativa que não fosse trabalhar como doméstica. Aos 14 anos, Sarah assistiu o último resquício de sua infância indo embora quando se casou.

Retrato de Sarah BreedLove / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Em 1887, Sarah já tinha sua pequena filha, A’Leila, quando enterrou seu marido. Aos 27 anos, a viúva esposou-se novamente, dessa vez com o agressivo John Davis. Vítima constante de violência doméstica, a mulher fugiu com sua filha para Missouri, em 1905. 

Uma vez instalada, Sarah trabalhava como lavadeira quando conheceu a pessoa que mudaria sua vida para sempre. Annie Malone era uma empresária de sucesso, dona de uma marca de cosméticos especializada em cabelos afro.

A fórmula milagrosa criada por Annie era a resposta para os problemas de auto-estima de muitas mulheres negras da época — que sofriam com caspa e calvície. Diferentes de tudo que existia no mercado, os cosméticos da Poro Company não eram agressivos e ainda faziam os cabelos crescerem.

Apaixonada pela companhia, Sarah logo começou a trabalhar para Annie, vendendo os cosméticos de porta em porta. Com o tempo, entretanto, a vendedora percebeu que os produtos não faziam tantos milagres assim e sugeriu uma parceria.

Retrato de Madam C.J. Walker/ Crédito: Wikimedia Commons 

 

Como conhecia bastante sobre cabelos afro, Sarah queria ajudar Annie e fazer a marca crescer. Na opinião dela, as duas poderiam conquistar o mercado caso se unissem. A presidente da Poro Company, entretanto, não teve a mesma opinião.

A amizade das duas mulheres ficou para trás e, desolada, Sarah decidiu criar sua própria marca. Em 1905, casada com o publicitário C.J. Walker, a empresária desenvolveu sua linha de cuidados capilares.

Da mesma forma que revendia os produtos de Annie, Sarah passou a oferecer seus cosméticos para mulheres negras e, assim, construiu um império. Com a propaganda perfeita, a empresa rapidamente conquistou as manchetes e dominou o mercado.

Produtos de cabelo da Madam C.J. Walker / Crédito: National Museum of African American History and Culture

 

Todos percebiam que Sarah, agora Madame C.J. Wlker, não vendia apenas cosméticos: sua marca oferecia um estilo de vida para os afro-americanos ignorados pelo sistema. A empresa ditava conceitos e falava sobre higiene e beleza de uma forma inédita, que empoderava suas clientes.

Não demorou muito até que Sarah inaugurasse um salão de beleza e uma fábrica em Indianópolis. Estima-se que até o final de sua vida, a empresária tenha ajudado mais de 40 mil mulheres negras, oferecendo a elas uma oportunidade de sair da pobreza e ter uma carreira independente.

Sua influência ia muito além do mercado de cosméticos e Sarah já era considerada referência na militância afro-americana. Em 1912, discursou na Liga Nacional de Negócios Negros (NNBL), falando orgulhosa de suas origens e de seu legado.

Conferência de empresárias negras em 1918, na mansão da Madam / Crédito: Arquivo pessoal 

 

Dona de uma mansão de 34 cômodos, Madame C.J. Walker doava grande parte de sua fortuna à causas humanitárias. Tornou-se até mesmo uma patrona das artes e, em sua casa, abrigou a primeira convenção de empresárias negras da história. Na reunião, incentivou mulheres a lutarem por seus direitos civis e trabalhistas.

O legado de Sarah foi passado de geração a geração, mesmo após sua morte, em 1919. Ela foi vítima de uma falência renal, aos 52 anos. Naquela época, a empresária já havia aparecido no livro dos recordes como a negra mais rica do mundo. 

Décadas mais tarde, sua trineta, A’Leila Bundles, escreveu uma biografia sobre a vida e herança de Sarah. On Her Own Ground (Nas terras dela, em tradução livre), inspirou a série A Vida e a História de Madam C.J. Walker, da Netflix, que tem Octavia Spencer como protagonista.


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