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Madame du Barry, a amante de Luís XV odiada por Maria Antonieta

Dona de lindos olhos azuis, a jovem trabalhava como uma meretriz da aristocracia quando conheceu e conquistou o monarca

Pamela Malva Publicado em 20/09/2020, às 11h00 - Atualizado às 13h00

Retrato de Jeanne Bécu, por Élisabeth-Louise Vigée Le Brun
Retrato de Jeanne Bécu, por Élisabeth-Louise Vigée Le Brun - Wikimedia Commons

Traições sempre estiveram presentes na vida de Jeanne Bécu. Filha da costureira Anne Bécu, ela nunca soube quem era seu pai verdadeiro, já que foi fruto de um relacionamento adúltero — imagina-se que seja herdeira de Jean Baptiste Gormand.

Nascida na França em 1743, a menina era dona de grossos cachos loiros e de olhos azuis que brilhavam durante o dia. Tamanha era a sua beleza que ela foi privada de diversos trabalhos durante sua vida por ciúmes ou inveja de outras pessoas.

Foi somente na idade adulta que a jovem Jeanne atingiu a aristocracia francesa ao tornar-se amante de Luís XV, o rei do país. Mal vista por grande parte da elite, ela logo descobriu que a vida no palácio não seria nada fácil.

Retrato de Jeanne com suas roupas extravagantes / Crédito: Wikimedia Commons

 

Do convento ao bordel

Aos três anos de idade, Jeanne e sua mãe foram abrigadas por Monsieur Billiard-Dumonceaux — provável amante de Anne. Além de anfitrião, o homem ainda pagava pela educação da criança, que frequentava o Convento de Saint-Aure.

Quando a menina chegou aos 15 anos, no entanto, sua beleza atingiu níveis impensáveis que, segundo alguns historiadores, deixaram a esposa de Billiard com inveja. Assim, Jeanne e sua mãe foram colocadas na rua e tiveram de procurar uma saída.

Para que conseguissem sobreviver, então, a menina começou a trabalhar. Foi apenas em 1763 que um emprego distinto surgiu na vida da garota. Tão bela e delicada, Jeanne havia chamado atenção de Jean-Baptiste Du Barry, um cafetão de alta classe.

Retrato de Jeanne tomando café / Crédito: Wikimedia Commons

 

Do bordel ao palácio

Encantado com a jovem, Du Barry ofereceu um trabalho para a linda moça e, assim, Jeanne recebeu o nome de Mademoiselle Lange. Não demorou muito, então, para que ela conquistasse a aristocracia parisiense, que tinha um gosto bastante afiado.

Em meados de 1768, o próprio rei Luís XV colocou seus olhos em Jeanne e logo se apaixonou pela garota. Graciosa, ela fazia visitas frequentes aos aposentos do monarca, que não demorou para descobrir sua verdadeira identidade.

Luís XV exigiu que a dama se casasse com algum membro da elite e, pela ordem, Jeanne assinou o sagrado matrimônio com Guillaume du Barry, irmão de seu cafetão, em setembro de 1768. Dessa forma, ela passou a morar no palácio real.

Retrado de Jeanne, ou Madame du Barry / Crédito: Wikimedia Commons

 

A vida no castelo

Agora casada, Jeanne recebeu o título de Madame du Barry e, entre a aristocracia, passou a ser conhecida como a amante oficial do rei. No dia em 22 de abril de 1769, inclusive, ela foi apresentada à Corte em uma cerimônia luxuosa, em Versalhes.

Dentro do castelo de Luís XV, a jovem Jeanne aprendeu a viver com toda pompa e circunstância. Ainda que fosse gentil e carismática, muito ligada no contexto político de sua nação, ela era uma dama extravagante que amava jóias e vestidos caros.

No posto da preferida do rei, ela tinha tudo aquilo que desejava e mais um pouco. Os problemas, no entanto, começaram quando Maria Antonieta foi adicionada à equação. Ainda muito jovem, a duqeusa não gostou de Jeanne desde a primeira noite que a viu.

Retrato do rei Luís XV, da França / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ódio e rivalidade

As duas belas damas se conheceram em um jantar da família real, em maio de 1770. Em uma ponta da mesa, Maria Antonieta acompanhava o infante Luís XVI. No outro extremo, a pomposa Madame du Barry chamava atenção dos convidados.

Aos 14 anos, Maria Antonieta ficou indignada ao saber que Jeanne havia sido uma meretriz e criou um sentimento de ódio quase que instantâneo. A rivalidade entre as duas se manteve por anos, culminando até no episódio do roubo do colar.

Em 1774, com a morte de Luís XV e a posse do trono por Luís XVI, Maria Antonieta exigiu que Jeanne fosse exilada. Enviada à um convento, Madame du Barry passou a viver com freiras mais uma vez, apesar dos conflitos iniciais com as mulheres.

Gravura de Jeanne sendo presa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Do palácio à guilhotina

Anos mais tarde, Jeanne conseguiu sua liberdade e passou a se relacionar com Louis Hercule Timoléon de Cossé-Brissac. Apesar de ter mantido um amante por alguns meses, a mulher estava realmente apaixonada por seu novo companheiro.

Durante a Revolução Francesa, contudo, Brissac foi decapitado e Jeanne caiu em um luto profundo. Para piorar, a dama ainda foi acusada de apoiar emigrantes que fugiam da revolução por um dos escravos que ela tinha enquanto ainda estava no castelo.

Pela acusação, Jeanne foi presa e condenada à morte. Seu fim veio no dia 8 de dezembro de 1793, quando Madame du Barry pediu por misericórdia, mas, ainda assim, foi decapitada pela guilhotina aos 50 anos, na Place de la Révolution.


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