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Magda: a esposa do Ministro de propaganda Joseph Goebbels era de família judia?

A mulher do Ministro da Propaganda de Hitler era uma nazista convicta, beneficiada pelo Partido. Mas será que ela guardava um controverso segredo?

André Nogueira Publicado em 14/03/2020, às 10h00

Familia Goebbels em foto pessoal
Familia Goebbels em foto pessoal - Wikimedia Commons

Magda Goebbels, esposa do famoso Ministro da Propaganda de Adolf Hitler, foi uma convicta nazista, que assumiu posições de destaque e se beneficiou profundamente da ditadura genocida que imperou na Alemanha nos anos 1930 e 40. Membro fiél do Partido e amiga pessoal de Hitler, ela encontrou seu trágico fim com a ocupação soviética de Berlim, quando assassinou seus seis filhos e cometeu suicídio.

Joseph Goebbels foi o mais próximo dos membros da cúpula interna do Partido Nazista de Hitler, e sua militância de extrema-direita integrava com precisão aos compromissos do nazismo: fortemente antissemita e ideológico, ele queria uma Alemanha para os alemães brancos e um sistema político corporativista e autoritário.

Mas seria então no seio de seu núcleo familiar que ascenderia uma corrupção completa da lógica segregacionista, que diz que judeus são reconhecíveis e inferiores.

Esposa do braço direito parte de um governo que tinha como principal alvo os israelitas, há controvérsias discutidas até hoje de que Magda sangue judeu, por ascendência direta. Segundo alguns estudiosos, seu pai Richard era da etnia tratada como “raça inferior” pelo governo apoiado pela propagandista.

Magda Goebbels / Crédito: Wikimedia Commons

 

Richard Friedländer teria sido um comerciante judeu nascido em Berlim em 1881 e era pai biológico de Magda. Contam os pesquisadores que ele conheceu a mãe dela, Behrendt Magdalena, em 1900, tendo um breve caso e a engravidando. Porém, no ano seguinte, a moça teria se casado com um empresário alemão branco, que criou Magda por cinco anos.

Behrendt voltaria a se relacionar com Richard em 1908, se casando com ele, que se tornou padrasto da futura nazista. Somente após a Primeira Guerra que Magda voltou a frequentar o mundo germânico ariano, quando sua mãe se divorciou de Richard e se casou com outro industrial, de sobrenome Quandt.

Nunca mais a família viu o pai, mas fica claro que Magda conhecia seu passado étnico, e guardou esse segredo dos partidários por toda a vida. O fato não foi descoberto mesmo em 1938, quando Richard foi preso pela polícia nazista e deportado para o Campo de Buchenwald, onde foi trabalhador escravo e morreu exaurido no ano seguinte.

Um ponto relevante nessa história é o fato de que, na visão nazista, Magda Goebbels seria claramente identificada como judia por sua suposta impureza genealógica que criaria a degeneração de sua linhagem. Porém, na visão mas clássica do hebraísmo, seu judeu envolve uma descendência materna - é no ventre que essa característica é passada.

Joseph Goebbels / Crédito: Wikimedia Commons

 

A identidade do pai de Magda passou décadas sem ter relevância, mas foi em 2016 que o fato veio à tona, depois que sua origem foi descoberta pelo historiador Oliver Himes. Tudo teve início depois que o autor assou a investigar um boato que existia no interior do Partido Nazista na época da Guerra, de que a esposa de Goebbels guardava um segredo (não identificado).

Um duvida presente era se o Ministro da Propaganda, um antissemita convicto, sabia desse suposto segredo. Nunca foi provado que ele soubesse da informação em específico, mas Himes descobriu uma nota de 1934 em seu diário em que ele relatava ter descoberto um “horrível segredo” do passado da esposa. Porém, a informação em relação a esse segredo não foi especificada.

Apesar de não mencionar o fato, é provável que, a partir daquele ano, Goebbels soubesse dessa drástica informação, que não só confrontava a ideologia do Partido e do governo, como também poderia acarretar na perseguição do casal após traições ou crimes contra a raça pura ariana.

A família era muito próxima de Hitler / Crédito: Wikimedia Commons

 

Importante também é o fato que Magda Goebbels era uma mulher rica e criada no seio de uma família cristã (orientada por freiras católicas mas convertida ao protestantismo), o que a aproximava socialmente da principal camada da sociedade que foi beneficiada pelo nazifascismo.

Parte de um casal que parecia perfeitamente germânico, a esposa de Goebbels é uma demonstração da fragilidade de argumentos racistas do nazismo, amparados na propaganda e ideologia.


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