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Maior terremoto da história da humanidade foi na América do Sul, diz estudo

O poderoso tremor mudou a geografia da região para sempre

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 19/04/2022, às 12h01 - Atualizado às 13h25

Fotografia do deserto de Atacama, onde os vestígios do episódio foram encontrados
Fotografia do deserto de Atacama, onde os vestígios do episódio foram encontrados - Divulgação/ Universidade de Southampton

Cientistas encontraram evidências de que, 3.800 anos atrás, o norte do Chile foi atingido por um mega terremoto que alcançou uma magnitude de 9,5 na escala Richter. 

O devastador evento, que foi provocado por uma ruptura na placa tectônica que fica sob o país, foi responsável por levantar a costa chilena, segundo um estudo publicado no último dia 6 de abril na revista Science Advances.

“Pensava-se que não poderia haver um evento desse tamanho no norte do país simplesmente porque você não poderia obter uma ruptura longa o suficiente", apontou o geólogo James Goff, co-autor do artigo científico, em um comunicado publicado pela Universidade de Southampton. 

"Mas agora encontramos evidências de uma ruptura com cerca de mil quilômetros de extensão ao largo da costa do deserto chileno de Atacama”, completou ele. 

O tsunami gerado pelo episódio acabou se chocando contra a costa da Nova Zelândia, e, conforme as estimativas dos especialistas, o bloco de água que se moveu na direção do país tinha 8 mil quilômetros de extensão e ondas de até 20 metros de altura. 

A pesquisa ainda encontrou rochas dentro do território neozelandês que datavam do período em que esse megaevento teria se abatido sobre o Chile, de forma que teriam sido atiradas para o local pelas águas furiosas. 

Uma das rochas citadas / Crédito: Divulgação/ Universidade de Southampton

Um outro detalhe é que o retorno das ondas para a costa chilena também fez com que elas invadissem à terra com violência, chegando a derrubar muros construídos pela civilização local, de acordo com informações repercutidas pelo Live Science. 

"Nosso trabalho arqueológico descobriu que uma enorme agitação social se seguiu à medida que as comunidades se deslocavam para o interior, além do alcance dos tsunamis. Passaram-se mais de 1.000 anos antes que as pessoas voltassem a viver na costa novamente, o que é um período de tempo incrível, já que dependiam do mar por comida", contou Goff ainda. 

Construção desabada pelo refluxo do tsunami / Crédito: Divulgação/ Universidade de Southampton

O tremor de Valvidia

O último terremoto a levar o título de maior da história da humanidade, vale lembrar, é o de Valvidia, ocorrido no Chile na década de 60. Ele teve a mesma magnitude deste evento ancestral, e foi responsável pela morte de cerca de 6 mil pessoas.

A despeito de seu caráter destrutivo, ele causou uma ruptura 200 quilômetros menor que aquela criada pelo tremor analisado pela pesquisa. Em entrevista ao Live Science, Goff afirmou que, caso um fenômeno dessa magnitude se repita no futuro, os efeitos podem ser ainda mais catastróficos que em versões anteriores.