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Mais de 3 mil sequestros: os crimes da escravocrata Patty Cannon

Ao lado de membros da própria família, a sádica mulher aterrorizou os Estados Unidos em meados do século 19

Pamela Malva Publicado em 08/08/2020, às 11h00

Imagem meramente ilustrativa da casa de Patty Cannon em meados de 1820
Imagem meramente ilustrativa da casa de Patty Cannon em meados de 1820 - Wikimedia Commons

No período pré-Guerra Civil, os Estados Unidos se tornaram palco do episódio conhecido como The Reverse Underground Railroad. Nesse moemnto, enquanto a escravidão ainda era prevista pela constituição, o comércio ilegal de escravos tomou conta do país.

Protagonistas do submundo criminoso norte-americano, centenas de escravocratas passaram a sequestrar e vender escravos libertos e fugitivos, bem como afro-americanos livres. O movimento violento só acabou depois do conflito civil, em 1865.

Com ajuda de muitos de seus familiares, a sádica Patty Cannon fundou um dos clãs sequestradores de escravos mais impiedosos da época. Acredita-se que, ao lado de seus familiares, a mulher raptou e vendeu mais de 3 mil pessoas.

Ilustração representando o momento de um sequestro / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sadismo latente

Nascida no Canadá, Patty Cannon mudou-se para Delaware aos 16 anos e, já em idade adulta, tornou-se uma viúva quando seu marido morreu em circunstâncias misteriosas. Com dois filhos, ela seguiu gerenciando a fazenda da família.

Pouco se sabe sobre a vida da mulher, mas acredita-se que ela tenha trabalhado como garçonete e prostituta. Bastante amarga e agressiva, no entanto, ela não fazia sucesso entre os homens e, para ganhar dinheiro, acabou abrindo uma taverna em sua cidade.

Nesse momento, uma das filhas de Patty casou-se com Henry Brereton, um ferreiro que, em seu tempo livre, vendia escravos em um mercado ilegal. Assim, o clã Cannon começou a tomar forma dentro do universo criminoso.

Em meados de 1813, contudo, Henry acabou sendo condenado e enforcado pelo assassinato de um homem que frequentava a taverna da família. Com isso, a filha de Patty casou-se mais uma vez, agora com Joe Johnson, um homem tão sádico quanto a sogra, que logo se tornou o braço direito da mulher.

Ilustração mostrando o sequestro de negros durante o século 19 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Alianças perigosas

Assim como diversos sequestradores da época, os Cannon atraiam suas vítimas de formas diferentes. Seja com ameaças, promessas de emprego, dinheiro ou, no caso de crianças, com doces, eles sempre levavam inocentes em suas carroças fatais.

Dessa forma, além da abdução e assassinato de um número desconhecido de homens, mulheres e crianças negros, o clã Cannon ainda matou escravocratas que frequentavam a taverna de Patty. Acredita-se, inclusive, que o bar da família tinha quartos terríveis, usados como cativeiro, assim como os de Delphine LaLaurie.

Foram um total de 20 anos de crimes hediondos. No final, estima-se que os 50 a 60 membros do clã tenham assassinado 30 pessoas, além de sequestrar outras 3 mil. Imponentes e influentes no comércio ilegal, os Cannon pareciam imbatíveis.

Ilustração representando o comércio ilegal de negros durante o século 19 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O fim dos cativeiros

Em meados de 1820, no entanto, o império do terror de Patty Cannon finalmente chegou ao fim. Enquanto alguns dos membros do clã já tinham sido capturados e julgados por seus crimes, uma testemunha essencial apareceu.

Comprado por Patty quando ainda tinha 7 anos, Cyrus James contou à polícia tudo que eles precisavam saber para conseguir acusações contra a mulher. Assim, ela foi presa e condenada por quatro diferentes homicídios, em abril 1829.

Poucas semanas depois de ter recebido sua sentença, todavia, Patty Cannon foi encontrada morta em sua cela. Especialistas da época assumiram que a escravocrata tenha cometido suicídio por envenenamento aos 70 anos de idade.


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