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Mais de 300 mortes: Francis Pegahmagabow, o índio sniper da Primeira Guerra Mundial

Criado em tribos nativo-americanas, o militar surpreendeu os oficiais com sua agilidade, disposição e conhecimento em batalha

Wallacy Ferrari Publicado em 06/06/2020, às 09h00

O militar em retrato fotográfico
O militar em retrato fotográfico - Wikimedia Commons

Nascido em março de 1891, o nativo americano Francis Pegahmagabow cresceu na reserva indígena Shawanafa, com seu primeiro nome sendo Binaaswi, que significa ‘o vento que assopra’. Na comunidade nativa-canadense, o jovem desenvolveu habilidades como a caça e a pesca. 

Devido ao seu bom rendimento nas atividades, teve a oportunidade de imigrar para uma região urbana para concluir seus estudos e retornar para sua comunidade, porém, não esperava o estouro da Primeira Guerra Mundial. Na época trabalhando no Departamento de Marinha e Pesca como bombeiro marítimo, o rapaz se ofereceu para a força expedicionária canadense.

Apesar de ser colocado em espera em decorrência a sua origem e etnia, seus relatórios de desempenhos físico e psicológico impressionava a força canadense, que por sua vez, decidiu incluir ir o nativo no 1º Batalhão de Infantaria Canadense. A turma seria a primeira de tropas do país enviadas para lutar em território europeu.

Francis trajado com seu uniforme militar antes da ida para a Europa / Crédito: Divulgação

 

Um mestre em batalha

Apelidado como Peggy pelos colegas, suas conquistas em batalhas impressionou até mesmo os comandantes das operações, que fizeram questão de contar com o rapaz durante as batalhas de Ypres e Somme, dada as suas habilidades como atirador e escoteiro. Em apenas um ano, Francis foi promovido a lance corporal e recebeu sua primeira medalha militar por ser responsável transmissão de mensagens durante os dois combates.

Elogiado pelo tenente-coronel Frank Albert Creighton como um homem que "desrespeita o perigo" e possui "fidelidade ao dever”, Francis assumiu o papel de sniper, sendo promovido ao posto de cabo em 1917, sendo fundamental ao usar seus conhecimentos na floresta para guiar os reforços do batalhão que se perderam durante a Segunda Batalha de Passchendaele.

Durante a Batalha de Scarpe, em 1918, Francis foi responsável por repelir quase todos os ataques inimigos quando sua equipe ficou sem munição e com o risco de ser cercada. O feito único foi um dos últimos antes do encerramento da guerra, construindo uma reputação impressionante como atirador. 

Munido de um rifle Ross — que foi usado em todas as batalhas e, gradativamente, ficava mais danificado — o nativo foi registrado como responsável pela morte de 378 alemães, além de lesionar mais de 300 com seus tiros, possibilitando a captura. Quando dispensado, já havia atingido o posto de sargento major.

Francis usa um cocar de sua tribo (à esq.) e estátua de bronze em sua homenagem (à dir.) / Crédito: Divulgação

 

Após o fim da guerra

Ao retornar ao Canadá em 1919, o condecorado militar fez questão de usar a sua influência com as Forças Armadas e o governo para auxiliar as comunidades indígenas do país. Eleito chefe de reservas, o homem foi responsável pela relação do povo que representava com o Departamento de Assuntos Indígenas do Canadá até 1933, quando sua postura como líder desagradou outros indígenas e ativistas políticos.

De acordo com os opositores, os nativos que lutaram em guerras representando o homem branco não compactuam com a libertação de seus povos. Em sua vida pessoal, no entanto, nunca deixou de viver em reservas durante toda a sua vida, tendo 6 filhos criados no ambiente florestal 

Em 1952, o atirador faleceu na reserva de Parry Island aos 61 anos, sendo homenageado em diversas partes do país além de ser incluído postumamente ao Hall da Fama Indígena, no Woodland Center.


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