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Mamilo polêmico do Super Bowl: como a apresentação de Janet Jackson fez sua carreira entrar em declínio

O escândalo representou um boicote para a carreira da cantora, que foi impedida de cantar no Grammy e no próprio evento esportivo

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 07/02/2021, às 00h00

Apresentação de Janet Jackson, a estrela do Super Bowl 2004
Apresentação de Janet Jackson, a estrela do Super Bowl 2004 - Getty Images

Na década de 2000, a ascensão da MTV americana chamava a atenção de todos, já que a emissora promovia diversos artistas pop. Além disso, suas duas premiações, o famoso Video Music Awards (VMA), bem como, o MTV Movie Awards, batiam recordes de audiência. 

A Liga de Futebol Americano (NFL) ofereceu uma proposta para a emissora: a produção de um espetáculo musical para ocupar o intervalo do Super Bowl de 2001. 

A MTV aceitou e produziu um show épico com o tema “Os Reis do Pop encontram os Reis do Rock”, com a presença de comediantes e cantores. A aposta fez tanto sucesso que a emissora foi convidada a fazer um contrato mais duradouro com a Liga, e então produzir o chamado “Halftime Show” todos os anos. 

Em fevereiro de 2004, no Super Bowl XXXVIII, Janet Jackson - irmã de Michael- foi a estrela da apresentação do intervalo, e cantou com P. Diddy, Nelly e Kid Rock. Contudo, o show não tinha acabado. 

O cantor americano Justin Timberlake cantaria a última música com Janet. A escolhida foi “Rock Your Body”, do disco Justified. O verso final da música tem a frase “I’ll have you naked by the end of the song” - em tradução, Eu vou te deixar nua até o final desta música. 

Parte da performance, em 2004. Crédito: Getty Images

 

Naquele momento, a audiência estimada era de cerca de 143 milhões de espectadores em todo o mundo.

A apresentação da dupla durou cerca de 1 minuto e 20 segundos e, ao final, Timberlake e Janet se uniram no centro do palco, para cantar a última frase e fazer a pose de encerramento.

Eis que Justin puxa um pedaço de tecido da roupa preta de Janet, na altura do busto, e arranca o lado direito de seu top, expondo seu seio para milhões de pessoas durante um 1,27 segundo. 

Rapidamente, a câmera foi trocada por uma visão geral do palco, mais distante, e as luzes da arena foram apagadas. Imediatamente, a pirotecnia fora acionada.

Montagem com o instante exato onde o seio de Janet é exposto - Getty Images

 

Seu mamilo estava protegido por um acessório prateado, mas só o fato de o seio ter aparecido foi suficiente para uma explosão de ligações, destinadas às operadoras de televisão e a CBS, emissora que transmitia a final do campeonato de futebol americano.

A retirada do tecido foi planejada dias antes da apresentação, contudo, Justin não deveria ter puxado o sutiã de renda junto ao espartilho. Depois que a luz se apagou, Janet saiu correndo do palco com uma toalha sobre o corpo, e Justin permaneceu imóvel, sem esboçar reação. 

O episódio ficou conhecido como “Nipplegate”, em referência ao escândalo de Watergate, que expôs um esquema de corrupção envolvendo o presidênte Richard Nixon.

O presidente da Viacom - empresa responsável pela MTV -, Mel Karmazin, declarou que, apesar de estar orgulhoso por 99% da apresentação, o 1% restante foi capaz de arruinar o contrato. 

Reação da dupla ao incidente, com a pirotecnia acionada ao fundo. Crédito: Getty Images

 

A direção da Liga, em entrevista coletiva, declarou que estava desapontada com a repercussão. Até a Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos (FCC) foi envolvida no escândalo, e obrigou todas as transmissões ao vivo a ter pelo menos 5s de atraso do acontecimento real para a projeção televisionada. 

Assim, as emissoras provedoras de conteúdo poderiam impedir situações de obscenidade e violência. 

Além disso, a FCC iniciou uma longa batalha judicial contra a NFL, a MTV e a CBS, cobrando uma multa de 550 mil dólares. O caso quase chegou a ir para a Suprema Corte, mas foi recusado em 2012.

Foram inúmeras as consequências do escândalo. Uma delas foi a inclusão de Janet na ‘lista negra’ da MTV, com seus clipes impedidos de serem veiculados pela emissora. 

Contudo, Justin não sofreu nenhuma punição do canal, pelo contrário, continuou participando com frequência de sua programação após o incidente. O motivo da punição unicamente à cantora se deve ao fato de que, posteriormente, em nota, ela revelou que não avisou da revelação do traje para a direção, feita apenas nos ensaios finais.

Pós-escândalo

O cantor, que na época tinha 23 anos, foi bastante criticado por não auxiliar a cantora de 38 anos. Em 2006, em entrevista ao MTV News, ele confessou que não soube se posicionar, mas mostrou indignação com a exposição exagerada colocada sobre a cantora: “Eu acho que a América é muito severa com as mulheres. E, sabe, eu acho que a América é injustamente dura com as pessoas étnicas”.

Desde o incidente, Janet Jackson lançou seis discos, sendo o mais recente em 2015 com o nome “Unbreakable”. Conforme repercutido pelo El País, ela perdeu o apoio das rádios e a venda de suas produções caíram drasticamente. 

Nem à cerimônia do Grammy de 2004, que aconteceu na mesma semana do Super Bowl, Janet pôde ir, pois foi dispensada pelos produtores. Contudo, Justin Timberlake compareceu e inclusive levou o prêmio na categoria Melhor Performance Solo de Pop. 

No discurso de agradecimento ele disse: “Sei que foi uma semana difícil para todos”, e depois riu, acompanhado pelo o público que também gargalhava. 

Como se o boicote na carreira não bastasse, Janet também foi banida de participar do Super Bowl. O site Claudia repercutiu que em 2014, dez anos depois do escândalo, o site TMZ perguntou à Liga de Futebol Americano (NFL) sobre qual astro estaria no próximo show do intervalo. A NFL respondeu: “Sobre artistas em potencial - só barramos a Janet Jackson”.

E a polêmica quanto ao evento esportivo não parou, já que Justin Timberlake foi chamado para fazer o intervalo da edição do Super Bowl de 2018. Meses antes, em 2017, quando o cantor fora anunciado, os fãs de Janet levantaram uma campanha nas redes sociais, especialmente no Twitter, com a hashtag #JusticeForJanet - Justiça para Janet.

Os internautas culparam a organização do Super Bowl por convidar um artista que fugiu do escândalo na época, e deixou que uma colega da música saísse destruída sozinha. Ainda, os fãs haviam pedido que Justin convidasse Janet para cantar com ele no palco, mas isso não aconteceu.

Quanto às declarações na mídia, ambos pediram desculpas assim que o escândalo havia acontecido. Janet ainda tentou se explicar muitas vezes, ao longo dos anos, enquanto Timberlake apenas dizia que os dois ‘estavam bem’ e que 'o passado ficou para trás'.

O pai de Janet, Joseph Jackson, contou ao New York Post, pouco antes do Super Bowl 2018, que a família não havia perdoado Timberlake. "Se ele fosse um verdadeiro cavalheiro, ele convidaria Janet para cantar", disse o empresário, que faleceu em 2018.

De acordo com o E+ Estadão, outro membro da família Jackson se posicionou, mas o comentário não foi identificado: "A carreira de Justin decolou depois daquilo, enquanto a de Janet despencou. Ele disse que eles estão bem, mas eu queria vê-lo provar isso e chamá-la para cantar".


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