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Manipulação e drogas: As insanidades de Anne Hamilton Byrne

A mulher que nunca foi amada por sua família, criou uma realidade paralela aonde dizia ser a reencarnação de Jesus Cristo

Paola Churchill Publicado em 31/05/2020, às 12h29

As crianças da Família sofriam nas mãos da líder espiritual
As crianças da Família sofriam nas mãos da líder espiritual - Divulgação/Youtube

Anne Hamilton Byrne cresceu em uma família instável que se esquecia da existência da garota em diversos momentos. Por nunca ter recebido carinho ou amor da parte de seus parentes, a jovem começou a criar um mundo de delírios.

Anne sempre foi muito religiosa e encontrou nas palavras sagradas outra realidade: ela dizia que era a reencarnação de Jesus Cristo. Como consequência, muitos começaram a cair nessa ideia.

Foto de Anne Hamilton Byrne/Crédito: Divulgação 

 

Falsa iluminada

Anne se casou em 1941, com Lionel Harris e com ele teve sua primeira filha, Natasha Harris. Mesmo com uma família feliz, a falsária seguia com suas mentiras. No seu grupo de amigas, mulheres com um alto poder aquisitivo, Anne se apresentava como terapeuta, enfermeira e dizia que era uma líder espiritual.

Seus discursos eram cativantes e várias mulheres começaram a seguir o que Byrne pregava, mal sabendo elas que aquilo era fruto de uma grande manipulação. O poder de persuasão da falsa líder era tanto que ela conseguiu convencer muitas delas a se divorciarem de seus companheiros, dizendo que aquilo era a vontade de Deus.

E após a morte de seu marido, em 1958, as ideias de Anne foram ainda mais disseminadas e a mulher conseguiu juntar uma verdadeira seita de seguidores. Unindo o universo esotérico e uma boa pitada de carisma, a lunática criou sua própria religião, a Grande Irmandade Branca que foi renomeada pouco tempo depois como “A família”.

O quartel general

Um dos membros mais fiéis do culto, o milionário Reynor Johnson comprou o grande terreno Santiniketan Lodge para as reuniões da Família. Os eventos eram regados a drogas, principalmente LSD, deixando a mente dos seguidores mais suscetível a acreditar nas mentiras contadas por Anne.

Anne pregava a ideia que as pessoas iriam enfrentar o apocalipse logo e que deveriam seguir seus ensinamentos para serem salvos, pois apenas ela tinha o poder de deixá-las puras em tempo do juízo final.

As crianças eram chamadas de Os prometidos/Crédito: Divulgação 

 

Os prometidos

A maluquice de Byrne aumentava a cada dia, assim como seu número de seguidores, que chegavam aos montes na sede do culto. Anne queria sempre mais e mais, logo ela começou a atrair crianças a se juntar ao grupo.

No começo, eram filhos dos membros mais antigos da Família. Ela pegava essas crianças, fazia uma grande lavagem cerebral nelas e as chamava de “os prometidos”. Mas a partir de 1975, a sociopata passou a conseguir crianças de uma maneira ilegal e dizia aos pequenos que ela era sua mãe biológica.

As crianças sofriam muito nas mãos dos membros do culto, principalmente da líder da seita. Eles viviam a base de dietas rígidas, passavam por tratamentos de choque e para piorar toda a situação, quando chegavam a fase da pré-adolescência era o momento que deveriam ser purificados.

A purificação dos jovens consistia dopá-los com LSD e depois os membros mais importantes do grupo iriam abusar sexualmente dos menores a mando de Anne Byrne. Parecia que aquele terror nunca teria fim.

No final de sua vida, Anne Hamilton Byrne estava com um grau severo de demência/Crédito: Divulgação 

 

O fim do terrível culto

Foi só em 1987, quando Sarah Hamilton-Byrne tomou coragem e denunciou todos os abusos que sofreu na mão da terrível Família. A polícia chegou na sede do culto, resgatou todas as crianças, que choravam de alegria pois sabiam que a tortura não iria mais continuar.

Anne conseguiu fugir com seu então marido, Reynor Johnson e os dois conseguiram escapar até 1993, quando foram presos e condenados por fraude – os outros crimes foram esquecidos.

A lunática passou os restos dos seus dias em um hospital psiquiátrico, em um estado severo de demência, e morreu aos 98 anos. Em uma entrevista nos últimos dias de vida, Anne disse que “amava as crianças” e “tudo que fez foi por amor”.  


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