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Manual do Sexo: O controverso livro que foi proibido por quase 3 séculos

Com ilustrações bizarras e peculiares dicas sexuais, a obra permaneceu censurada de 1684 até 1960

Isabela Barreiros Publicado em 31/05/2020, às 08h00

O Manual do Sexo, publicado em 1684
O Manual do Sexo, publicado em 1684 - Hansons Auctioneers

Publicado em 1684, em Londres, Inglaterra, o livro intitulado “Obra-prima de Aristóteles concluída em duas partes, a primeira que contém os segredos da geração” foi proibido por quase 300 anos. Isso porque o conteúdo, considerado perturbador, permaneceu censurado desde 1684 até 1960.

Repleto de religião, misticismo, astrologia e temor de bruxaria, o manual traz inúmeras dicas bizarras de sexo. Mulheres deitadas com bestas deformadas, contos sobre esposas velhas e a maneira certa de se realizar o ato são exploradas de maneira inescrupulosa e até imoral para a época.

Crédito: Hansons Auctioneers

 

Ainda por conta do período em que foi escrito, é possível perceber o sexismo impregnado no texto. “Sem dúvida, a união de corações no casamento sagrado é, de todas as condições, a mais feliz, pois um homem tem um segundo eu a quem pode desvendar seus pensamentos, bem como um doce companheiro em seu trabalho”, diz uma parte que considera a esposa uma “segunda parte” do homem.

Sobre isso, Jim Spencer, avaliador de livros e manuscritos da Hanson, comenta. “Você deve ter em mente que este livro foi escrito quando as pessoas ainda estavam sendo queimadas por bruxaria na Inglaterra da Geórgia”.

Segundo ele, havia várias razões para que o livro fosse proibido por tanto tempo. “Por exemplo, inclui ilustrações em xilogravura de 'monstros' que são gerados por mulheres deitadas com feras — um exemplo sendo uma mulher gerando com um cachorro”, explica. Outro exemplo é a ilustração de um homem com rabo de cachorro espesso e um monstro nascido em Ravenna, Itália, em 1512.

Crédito: Hansons Auctioneers

 

Além das disformes figuras, o autor ainda traz dicas de posições sexuais para gerar filhos de determinado gênero. De acordo com o texto, para ter um menino, a mulher deve deitar-se do lado direito logo após o sexo. No caso de meninas, deveria manter-se do lado esquerdo.

As fases do sol ainda influenciariam o gênero da criança. “O melhor momento para a procriação de crianças do sexo masculino é quando o sol está em Leão e a lua em Virgem, Escorpião ou Sagitário... para gerar uma fêmea o melhor momento é quando a Lua está minguante, em Libra ou Aquário”, também se lê em uma das páginas do livro.

Crédito: Hansons Auctioneers

 

Além do físico, a imaginação dos pais também se reflete no bebê. Uma das figuras mostradas no livro é a de uma criança que nasceu negra por conta da imaginação dos pais, ao observarem uma empregada doméstica.

“De fato, se as mulheres olharem para corpos malformados, ‘a força da imaginação’ poderia produzir uma criança com ‘um lábio peludo, boca torta ou grandes lábios gordurosos’. Em vez disso, durante o sexo, as mulheres foram orientadas a ‘olhar seriamente para o homem e fixar sua mente nele’. Então ‘a criança se parecerá com o pai’”, comenta Spencer.


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A Profundidade dos Sexos. Por Uma Mística da Carne, Fabrice Hadjadj, 2017 - https://amzn.to/349uPIn

Prazeres e pecados do sexo na história do Brasil, Paulo Sérgio do Carmo, 2019 - https://amzn.to/2KK4CbL

Uma Breve História do Sexo, Claudio Blanc, 2010 - https://amzn.to/34b9WfR

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