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Matérias / Brasil

Marcelo Borelli: o assaltante que chocou o país ao torturar criança de 3 anos

Com as cenas exibidas em rede nacional, o criminoso foi alvo de diversas torturas na prisão

Wallacy Ferrari Publicado em 18/05/2022, às 16h45

Marcelo Borelli em foto durante prisão - Divulgação / SBT
Marcelo Borelli em foto durante prisão - Divulgação / SBT

Na noite de 23 de outubro de 2000, o 'Programa do Ratinho', do SBT, entrava no ar com uma pauta preocupante: a violência contra crianças. Nela, o apresentador Carlos Massa não apenas escarnecia a trajetória do criminoso Marcelo Borelli como, ao fim do programa, prometia apresentar trechos de uma fita produzida pelo homem onde ele torturava uma criança de 3 anos, filha de um comparsa no crime que poderia entregá-lo para autoridades.

Marcelo já era conhecido por agentes de segurança; no início daquele ano, ele liderou o meticuloso sequestro de um voo comercial 280 da extinta VASP, roubando malotes de dinheiro pertencentes ao Banco do Brasil, além de ser responsável por um roubo de 60kg de ouro no Aeroporto de Brasília, como informou o portal de notícias G1.

Contudo, antes mesmo da transmissão, Borelli já havia sido preso por porte ilegal de armas e associação criminosa, ainda sendo investigado sobre seu envolvimento com os crimes. Ao exibir as cenas tenebrosas e amplamente debatidas por veículos de imprensa nacionais, Borelli se tornava não apenas um dos inimigos da aviação brasileira, mas também um vilão odiado pelos brasileiros e até mesmo por outros criminosos.

Marcelo Borelli em foto durante prisão / Crédito: Divulgação / SBT

O criador de casos

Ratinho, de maneira a gerar choque aos telespectadores, levou a fita das torturas do criminoso contra a criança para um centro de detenção paulista, mostrando a violência para detentos e os entrevistando para saber o que fariam com ele em caso de transferência para a penitenciária. Em revolta geral, eles ameaçavam Borelli de linchamentos, torturas e mutilações, mostrando o peso da ação marginal.

Ainda aguardando julgamento, o criminoso ainda justificou a ação em entrevista para a revista Veja, erroneamente atribuindo a frase “Os fins justificam os meios” ao autor italiano Nicolau Maquiavel, e acrescentando que, ao ser traído pelo ex-comparsa, jamais poderia ter “deixado por isso”.

Queria enviar a fita com as cenas da filha dele sendo espancada para atraí-lo. Quando ele me encontrasse, a gente acertaria as contas. Bati na garota porque se tornou necessário, não porque eu gosto ou deixo de gostar de bater. Eu não me arrependo. Quando é para fazer justiça, a gente tem que ir em frente", afirmou.

Anos finais

Em 26 de julho de 2001, a esperada sentença foi proferida com penas isoladas para cada ato contra a criança, totalizando 172 anos de prisão, como informou a Folha de S. Paulo. 21 atos foram classificados no processo, revelando o conteúdo completo da fita que foi parcialmente exibida na televisão, detalhando choques elétricos em banheira, chutes e até mesmo pisões contra a barriga da garota, forçando a expelir os excrementos.

Assim como previsto pela reportagem de Ratinho, a recepção do preso na carceragem da Polícia Federal foi marcada pela violência; de acordo com o Diário do Grande ABC, ele foi espancado por 28 detentos, incluindo Fernandinho Beira-Mar, conhecido como um dos maiores traficantes da história do país.

Na sessão de linchamento, Marcelo teve o couro cabeludo removido à força, além de ser levado para um hospital com traumatismo craniano e diversos hematomas. O veículo ainda explicou que o homem sofreu golpes de cadeira e de cabo de vassoura.

Dados os constantes episódios de agressões, o criminoso contraiu AIDS na cadeia, fato que se tornou público em dezembro de 2006, quando ele recusou tratamento contra a imunodeficiência. Em janeiro do ano seguinte, morreu dentro de sua cela, aos 38 anos de idade.