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Neste dia, em 1793, Maria Antonieta da França era julgada e condenada por alta traição

A monarca nascida na Áustria teve uma vida cercada de boatos, que resultaram em sua desgraça

Ingredi Brunato Publicado em 14/10/2020, às 19h55

Pintura mostrando Maria Antonieta.
Pintura mostrando Maria Antonieta. - Wikimedia Commons

Maria Antonieta foi a última rainha da França. Nascida na Áustria, ela se casou cedo, ainda com 14 anos, e levou uma vida que foi cercada de boatos. Ela sofreu, por exemplo, uma verdadeira campanha de difamação sexual na época que estava no poder, com panfletos nada lisonjeiros sendo distribuídos retratando a monarca com uma série de amantes - tanto homens quanto mulheres - e também participando de orgias. 

Essa ideia da rainha da França levar uma vida sexual ativa fora do casamento viria do fato de seu marido, o rei Luís XVI, supostamente sofrer com fimose, de forma que ter relações seria extremamente doloroso para ele. Assim, acreditava-se que sua esposa buscava satisfação sexual fora de seu matrimônio. Todavia, apenas rumores.

Outro grande mito que cerca a monarca seria que seus ‘gastos exorbitantes’ teriam levado o governo francês à falência, quando, na realidade, os gastos deMaria Antonieta corresponderiam à apenas uma fração das despesas francesas, que sustentavam então a vida luxuosa de toda uma classe aristocrática. A monarca teria se tornado, assim, um bode expiatório para a frustração do povo da época com a crise econômica. 

Pintura retratando Maria Antonieta. Crédito: Wikimedia Commons

 

Mais Boatos

Um último grande boato sobre a rainha austríaca é referente à famosa frase “Se não tem pão, que comam brioche”, que, na verdade, foi retirada das Confissões de Jean-Jacques Rousseau, um dos grandes inspiradores da Revolução Francesa, e morreu onze anos antes dessa. Ele escreveu que uma princesa teria reagido com essa frase frente à fome do povo, contudo, não citou nomes. 

Outras evidências sobre a vida de Antonieta indicariam que, pelo contrário, a monarca parecia se importar com os pobres, e demonstrava preocupação com a situação cada vez mais precária enfrentada pelo povo francês. 

Ela criou, por exemplo, um lar para mães solteiras, e tinha o costume de levar alimentos para famílias necessitadas, tendo inclusive vendido talheres reais com objetivo de comprar grãos para tais famílias durante um período de fome intensa. 

Prisão e julgamento 

O marido de Maria Antonieta foi guilhotinado meses antes dela, e a monarca austríaca passou esse período de confinamento usando preto em sinal de luto. A prisão em que foi colocada tinha lama e água suja escorrendo pelas paredes, de forma que a ex-rainha também ficou muito doente a certo ponto.

Pintura de Maria Antonieta quando estava na prisão. Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando foi afinal levada a julgamento, acabou sendo acusada de alta traição, esgotamento do tesouro nacional, conspiração e incesto. A acusação de incesto viria do próprio filho, que foi colocado contra a mãe durante o período de prisão. 

Um momento que demonstra o tom dos discursos contra Antonieta foi quando lhe foi perguntado, por exemplo, se ela havia “ensinado a arte da dissimulação” a seu marido. Suas respostas, todavia, não fizeram diferença.

Ela acabou sendo condenada à morte pela guilhotina, como seu marido, acusada de ter traído o governo da França. Era então 15 de outubro de 1793, e a execução ocorreu no dia seguinte. 

As últimas palavras da ex-monarca austríaca não poderiam ter sido mais distantes do tipo de declaração grandiosa que se podia esperar da situação histórica.

Ela simplesmente  tropeçou no pé do carcereiro sem querer, e acabou dizendo “Perdoe-me, senhor. Eu não pretendia fazer isso”. Minutos depois, Maria Antonieta foi guilhotinada pelo mesmo em praça pública, diante do povo francês. 


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