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Maria Quitéria: A heroína que se disfarçou de homem para ingressar no exército nacional

A fama da mulher lhe rendeu inúmeras homenagens, sendo condecorada até mesmo pelo próprio Dom Pedro I

Victória Gearini Publicado em 05/12/2020, às 09h00

Maria Quitéria, primeira mulher no Exército brasileiro
Maria Quitéria, primeira mulher no Exército brasileiro - Wikimedia Commons

A revolucionária Maria Quitéria de Jesus foi a primeira mulher a fazer parte do Exército brasileiro. Disfarçada de homem, a jovem adotou o nome Medeiros, contudo, mais tarde, acabou comandando um batalhão feminino, marcando a história do país.

Maria Quitéria nasceu por volta de 1792, em Feira de Santana, Bahia. Quando tinha em torno de 30 anos, decidiu entrar para o Exército brasileiro, tornando-se a primeira combatente mulher do país.

O desejo de ingressar uma guerra surgiu quando Dom Pedro Ideclarou a Independência do Brasil, no dia 7 de setembro de 1822.

Embora o Rio de Janeiro, capital do novo país, tenha celebrado o ocorrido, em diversas outras cidades os portugueses reagiram para manter enclaves lusitanos. Em seguida, Salvador foi controlada pelos colonos, mas Feira de Santana resistiu até o último segundo.

Mapa do Recôncavo baiano, feito por Teodoro Fernandes Sampaio em 1899 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim que se deparou com a notícia de que a sua vila recebeu a proposta de enviar homens para lutar, Maria Quitéria ficou entusiasmada e quis aderir ao movimento. No entanto, ao contar para o seu pai, o patriarca a proibiu de pegar em armas. Por outro lado, a jovem já sabia como resolver este problema: se disfarçando de homem.

Com a farda do cunhado, Maria Quitéria entrou para o regimento de artilharia, sendo transferida para o Batalhão dos Voluntários do Príncipe. Dentre os confrontos que a mulher participou, está a batalha da foz do rio Paraguaçu, onde lutou com água na altura do peito.

A descoberta 

Já fazia duas semanas que a filha do fazendeiro Gonçalo de Almeida havia desaparecido. Determinado em trazê-la de volta para casa, o patriarca partiu em direção a um acampamento militar, onde a encontrou disfarçada de homem, sob o nome de Medeiros.

Retrato de Maria Quitéria, pintado em 1920 por Domenico Failutti / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quando soube a verdadeira identidade de seu melhor soldado, o major José Antônio da Silva e Castro ficou surpreso com a revelação. No entanto, o comandante não liberou Maria Quitéria, muito menos a designou para os afazeres domésticos.

Para surpresa de todos, a mulher assumiu sua identidade e adaptou seu fardamento. Embora os adereços femininos em sua farda pudessem a fazer um grande alvo para os inimigos, ela não se importou.

Com um saiote por cima das roupas e um penacho no capacete, Maria Quitéria tornou-se exemplo para outras mulheres aderirem à luta. 

A aposentadoria 

Após a Bahia se tornar definitivamente parte do Brasil, em 2 de julho de 1823, ela foi condecorada com o título de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro, que lhe foi entregue por Dom Pedro I.

O imperador escreveu, ainda, uma carta para Gonçalo de Almeida, pedindo para o fazendeiro perdoar a desobediência da filha.

Escultura de bronze em homenageia Maria Quitéria, feita por José P. Barreto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ao voltar para casa, casou-se com o seu namorado, o agricultor Gabriel Pereira de Brito. O casal teve uma filha, chamada Luísa Maria da Conceição. Contudo, acabou se mudando para Salvador, após a morte do marido.

Já a relação com o seu pai permaneceu estremecida. Após a morte do patriarca, ela optou em não brigar pelo direito a uma pensão. Mas não era o único desafio que encontraria em seus momentos finais.

Em seus últimos anos de vida, Maria Quitéria enfrentava problemas de visão, que a deixaram cega. A heroína brasileira veio a falecer em 1853, em decorrência da idade avançada.

Hoje em dia, é patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército brasileiro. Além disso, todos os estabelecimentos militares do país possuem um retrato em sua homenagem.


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