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Marilyn Monroe comunista? O FBI suspeitava que sim

Uma curiosa associação da famosa atriz fez com que a inteligência estadunidense questionasse os posicionamentos políticos do ícone de Hollywood

Isabela Barreiros Publicado em 30/01/2020, às 16h24

Marilyn Monroe
Marilyn Monroe - Getty Images

Ao longo da História, muitos foram os personagens importantes associados ao comunismo. A demonização de quem se aproximasse a tal ideologia fizeram com que complexas investigações, — muitas vezes sob alegações sem sentido —, fossem realizadas. O FBI foi responsável por inúmeras delas.

Esse também foi o caso de Marilyn Monroe, icônica atriz e modelo estadunidense. Em 2012, a agência de notícias Associated Press (AP) conseguiu obter dados do governo dos Estados Unidos por meio da Lei de Liberdade de Informação. De acordo com a AP, o FBI passou muitos anos acompanhando a vida do sex symbl, suspeitando que ela tivesse laços com comunistas.

Marilyn foi investigada pelo serviço de inteligência dos EUA durante seus últimos anos, de 1955, período em que se inicia o arquivo, até sua morte em 5 de agosto de 1962. Naquele ano, a atriz começou a realizar mais viagens pelo mundo e a se associar a diferentes pessoas, o que fez com que o FBI desconfiasse de seus vínculos.

Os arquivos colhidos pela AP revelam alguns dos nomes os quais o governo estadunidense passou a se preocupar, principalmente devido a importância da modelo em todo o território dos EUA — e também do mundo. Em plena Guerra Fria, o clima de disputa entre as duas ideologias estava explícito.

Crédito: Getty Images

 

A aproximação do ícone do cinema com Frederick Vanderbilt Field, ativista político de esquerda teria causado preocupação ao círculo íntimo da atriz, e também deu brecha para que a inteligência norte-americana pudesse espioná-la.

Field era americano e foi deserdado pelos pais ricos devido ao seu posicionamento político. Ele estava morando com sua esposa no México, no que é conhecido como autoexílio ou ainda exílio voluntário. O ativista conheceu Marilyn durante uma das viagens da moça ao país latino-americano. Ela teria ido ao local no intuito de comprar mobílias.

Segundo a investigação do FBI, os dois teriam desenvolvido uma "paixão mútua", ainda que o homem fosse casado. É possível ler nos documentos que “esta situação causou considerável consternação entre a comitiva de Miss Monroe e também entre o (Grupo Comunista Americano no México)".

Em sua autobiografia, Da Direita para a Esquerda (From Right to Left), o militante de esquerda narra inúmeros momentos da visita da modelo a sua casa no México. Na maioria das passagens, ele descreve eventos comuns como as compras que realizavam juntos e as refeições compartilhadas entre eles. Apenas um trecho menciona o aspecto político de Marilyn.  

Frederick Vanderbilt Field / Crédito: Getty Images

 

“Ela falou principalmente de si mesma e de algumas das pessoas que foram ou ainda eram importantes para ela. Ela nos contou sobre seus fortes sentimentos pelos direitos civis, pela igualdade de negros, além de sua admiração pelo que estava sendo feito na China, sua raiva pela isca vermelha e pelo McCarthyism e seu ódio pelo diretor do FBI J. Edgar Hoover”, escreveu o comunista sobre ela.

Mesmo que esse fosse o caso, o FBI nunca conseguiu nenhuma prova de que ela fosse parte do Partido Comunista dos EUA. Nem que ela fosse comunista no geral.

Outro aspecto evidenciado pelos arquivos do FBI é que muitos artistas famosos solicitaram vistos para que pudessem visitar a Rússia durante aquela época. Claro que isso gerou suspeita no governo estadunidense, que passou a ter olhos atentos a vários deles.


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