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Marina Chapman, a menina criada por macacos e vendida para um bordel

Jovem demais para sequer lembrar o nome de sua vila, a criança colombiana foi sequestrada e abandonada em uma floresta, onde passou a viver com primatas

Pamela Malva Publicado em 20/06/2020, às 09h00

Foto de Marina Chapman aos 17 anos
Foto de Marina Chapman aos 17 anos - Arquivo Pessoal/Marina Chapman

Sem ter muita certeza de sua idade, uma pequena menina de cabelos castanhos olhava para o topo das árvores e sentia o acolhimento da densa floresta que a cercava. Seus pézinhos estavam descalços e ela podia sentir a grama gelada entre os dedos.

O som da selva colombiana a envolvia, enquanto a criança tentava recuperar memórias, quaisquer que fossem, de sua família. Jovem demais, ela mal sabia falar e não se lembrava do nome da aldeia onde morava.

Aos poucos, o rosto de seus pais foram desaparecendo de sua consciência e a menininha passou a encontrar familiaridade em outro lugar. Acolhida por um bando de macacos-prego, foi assim que Marina Chapman alega ter vivido durante cinco anos.

Perdida na selva

Natural da Colômbia, agora aos 70 anos, Marina conta sobre seus anos em uma floresta misteriosa à qualquer um que pergunte. Orgulhosa de seu passado selvagem, ela conta que nasceu em 1950 e que foi tirada de sua família quando ainda era muito pequena.

Uma de suas memórias mais vívidas diz respeito ao dia de seu sequestro. Ela lembra de estar brincando em seu jardim, na Colômbia, quando dois homens agarraram seus braços e a carregaram até o centro de uma floresta, para abandoná-la, sozinha.

Assustada e sem qualquer amparo, Marina afirma que foi acolhida por um grupo de pequenos macacos-prego, que cuidaram dela durante cinco anos. Assim, da mesma forma que Mogli ou Tarzan, ela foi criada pelos primatas.

Conforme o tempo passava, a menina foi perdendo as maneiras humanas, esqueceu-se do espanhol e passou a viver de sons, expressões faciais e puro instinto. O sentimento em relação aos macacos, todavia, era sempre de carinho e compaixão.

Imagem meramente ilustrativa de macaco-prego / Crédito: Wikimedia Commons

 

Botas na mata

Marina conta que, quando já estava entrosada demais com os macacos para sequer lembrar que era uma humana, algo aconteceu. Um grupo de caçadores entrou na floresta, encontrou a menina e a arrancou da vida na selva.

O que parecia um resgate, no entanto, logo se tornou mais um episódio emblemático da vida da menina, que já tinha 10 anos. Ela conta que, assim que retornou ao mundo dos humanos, foi vendida para um bordel em Cúcuta, uma cidade da Colômbia.

A fim de escapar das garras da instituição, Marina passou a morar nas ruas e chegou a trabalhar como doméstica na casa de uma família muito rica. Foi apenas aos 14 anos que ela encontrou alguém que estava verdadeiramente disposto a ajudar.

Uma grande virada

Enquanto ainda trabalhava na casa da família — que ela acreditava ser formada por mafiosos —, Marina foi adotada pela filha de uma das vizinhas. Acolhida pela mulher, a criança, então, mudou-se para Bogotá.

Algum tempo mais tarde, aos 27 anos, Marina foi enviada para Bradford, na Inglaterra, ao lado de seus irmãos adotivos, em meados de 1977. Na nova cidade, conheceu um cientista chamado John, com quem se casou e teve duas filhas.

Foi uma das filhas de que Marina, inclusive, quem a convenceu a escrever sua biografia — The girl with no name, ou A garota sem nome, em português. A obra, no entanto, foi rejeitada por diversos editores, que imaginavam não ser autêntica.

Marina Chapman já mais velha / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Exames e testes

Durante a idade adulta, Marina foi submetida à diversos testes que buscavam atestar sua história. Para Carlos Conde, professor na Colômbia, os fatos contados pela mulher são 100% verdadeiros.

Quando fez um teste de detector de mentiras, por exemplo, Marina demonstrou um afeto semelhante tanto pelos macacos-prego, quanto por sua família humana. Resultados estes que, segundo os especialistas, são impossíveis de falsificar.

Christopher French, professor de psicologia da Universidade de Londres, no entanto, duvida da versão dos fatos contados por Marina. Para o especialista, a mulher pode ter diversas memórias afetadas por falsas lembranças.

Independentemente dos resultados, Marina afirma que deseja voltar para a Colômbia e rastrear sua família biológica. Mais forte que essa vontade, no entanto, é o sonho de reencontrar os macacos com quem viveu e descobrir se eles ainda lembram dela.


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