Matérias » Personagem

Marsha P. Johnson, um dos nomes mais importantes de Stonewall

Há 51 anos, ela tomava a linha de frente dos protestos pelos direitos LGBTs que incendiaram os Estados Unidos e o mundo

Isabela Barreiros Publicado em 28/06/2020, às 08h00

Marsha P. Johnson, ativista LGBT
Marsha P. Johnson, ativista LGBT - Divulgação/Netflix

O Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais no mundo — segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra) e do Instituto Brasileiro de Educação (IBTE), foram 124 assassinatos em 2019. Nos Estados Unidos, o número é bem menor: foram por volta de 30, de acordo com a pesquisa Trans Murder Monitoring (TMM). A maioria era de mulheres trans negras.

Nesse dia, comemoramos o dia do Orgulho LGBT, após 51 anos da Revolta de Stonewall. Na madrugada do dia 28 de junho de 1969, o bar LGBT Stonewall Inn, no bairro nova-iorquino de Greenwich Village, foi invadido por um grupo de policiais, que começou a reprimir e hostilizar as pessoas que estavam no local. Não era uma exceção: institucionalmente homofóbica e transfóbica, a polícia teve o papel de oprimir indivíduos e comunidades LGBT no geral.

Mas naquele dia, as coisas foram diferentes. Gays, lésbicas, trans, drag queens e pessoas marginalizadas por romperem com a conformidade de gênero, em um total de 200 indivíduos, reagiram à violência policial. O clima de confronto foi acompanhado pela insubmissão às ordens dos agentes do Estado, que tentavam levar todos para a delegacia. Jogando copos e reagindo a prisão, a Revolta estava apenas começando.

Motim de Stonewall / Crédito: Getty Images

 

Quem foi Marsha P. Johnson?

Mais do que um movimento, a história de Stonewall é composta por figuras que foram essenciais para o crescimento da revolta. Marsha P. Johnson estava na linha de frente dos protestos que saíram do bar fechado e tomaram as ruas dos Estados Unidos e, depois, do mundo. Mulher negra transgênero, trabalhadora sexual e drag queen, ela foi pioneira no movimento dos direitos LGBTs e seu ativismo ajudou e inspirou milhares de jovens.

Após completar o colegial em Nova Jersey, chegou a Nova York carregando consigo uma sacola de roupas e apenas 15 dólares, em 1963. Seis anos depois, se tornaria figura-chave de Stonewall, com apenas 23 anos, iniciando uma série de motins que inspiram o dia do Orgulho LGBT comemorado ainda nos dias de hoje.

Além de sua participação na revolta na rua Christopher, criou o STAR (Street Travestite Action Revolutionaries) junto de sua amiga, Sylvia Rivera, que também era uma transexual drag queen que passou a atuar em prol dos direitos trans. A organização tinha como intuito apoiar jovens transexuais e também homossexuais que haviam sido expulsos de casa. Eles chegaram a coordenar um abrigo na East Second Street.

Ilustração de Marsha P. Johnson, Joseph Ratanski e Sylvia Rivera / Crédito: Dramamonster (Gary LeGault)/ Wikimedia Commons

 

Em 1972, Johnson disse em uma entrevista que seu objetivo era "ver gays liberados e livres e ter direitos iguais aos de outras pessoas na América", com seus "irmãos e irmãs gays fora da cadeia e nas ruas novamente”. Como qualquer sexualidade que rompesse com a conformidade de gênero ainda era proibida institucionalmente, a luta contra a violência policial foi muito importante para a construção desse movimento.

A ativista dedicou muito tempo de sua vida ajudando outras pessoas. Era conhecida por sua generosidade e força para batalhar pelo que acreditava. Mas, ainda que ela e Rivera fossem importantes lideranças no movimento transexual, eram, muitas vezes, excluídas por ativistas gays. Hoje em dia, ainda é possível perceber esse afastamento por parte da comunidade LGBT.

No entanto, ao longo dos anos, a marginalização e a constante luta por reconhecimento de sua existência passaram a gerar cicatrizes que eram difíceis de serem curadas. A militante sofria constantemente com problemas de saúde mental, fazendo com que a entrada e saída de hospitais psiquiátricos se tornassem parte da sua rotina.

Cena do documentário A Morte e a Vida de Marsha P. Johnson (2017) / Crédito: Divulgação/Netflix

 

Legado

No dia 6 de julho de 1992, o corpo de Johnson foi encontrado no fundo do rio Hudson, em Nova York. A morte foi definida como suicídio, mas pessoas próximas da ativista não acreditavam na versão oficial da polícia, relembrando que casos de ataque a pessoas trans eram comuns. Segundo a BBC, em 2012, vinte anos depois da morte, o departamento de polícia de Nova York reabriu o caso, depois de esforços da ativista Mariah Lopez.

O final trágico representa ainda hoje grande parte da vida e morte de pessoas transexuais, que, só em 2019, foram assassinadas 331 vezes no mundo, segundo o relatório Trans Murder Monitoring (TMM). Foi apenas no ano passado que a Organização Mundial da Saúde retirou a transexualidade da lista de doenças mentais.

Marsha sempre será lembrada por suas roupas cintilantes e extravagantes, por sua esperança, desejo de mudança e por sua generosidade. O pioneirismo da ativista na luta pelos direitos LGBTs é considerado inspiração para pessoas da comunidade, que continuam lutando pelos seus direitos até os dias de hoje.


+Saiba mais sobre o tema através das obras disponíveis na Amazon

Reconhecimento dos Direitos Humanos LGBT. De Stonewall à Onu, Patrícia Gorisch (2014) - https://amzn.to/2A4gmng

Stonewall: The Definitive Story of the LGBT Rights Uprising that Changed America, Martin B. Duberman(e-book) - https://amzn.to/2NtC5YW

Stonewall Onde O Orgulho Começou (DVD) - https://amzn.to/3dB1Kti

Stonewall: The Riots That Sparked the Gay Revolution, David Carter (2010) - https://amzn.to/31jPjiZ

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/2yiDA7W