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Mártir armada com o próprio peito: a impressionante história de Joana Angélica

A abadessa se pôs à porta do convento, salvando as irmãs; e foi morta pelos invasores

Raphaela de Campos Mello Publicado em 01/03/2021, às 17h30

Ilustração de Joana Angélica
Ilustração de Joana Angélica - Wikimedia Commons

Joana Angélica (1761-1822), por sua vez, tentou, literalmente, barrar o autoritarismo português. Num ato de extrema bravura, a abadessa do Convento da Lapa, em Salvador, se pôs à porta principal do claustro, ordenando que as irmãs escapassem pelos fundos da construção, e anunciou aos invasores: “Detende-vos, bárbaros, aquelas portas caíram aos vaivéns de vossas alavancas, aos golpes de vossos machados, mas esta passagem está guardada pelo meu peito, e não passareis, senão por cima do cadáver de uma mulher!”, segundo o Dicionário Mulheres do Brasil.

A tentativa de impedir que as tropas portuguesas invadissem o convento, motivadas pela suspeita de que as freiras escondiam adversários, terminou com seu assassinato por um golpe de baioneta desferido por um soldado. 

Ela tinha 60 anos. “Ao contrário de Quitéria, a atuação de Joana Angélica foi circunstancial. Desde 1781 era religiosa franciscana, no Convento da Lapa, em Salvador, o que indica condição social mais privilegiada”, observa Cecilia, referindo-se à filha de José Tavares de Almeida e Catarina Maria da Silva, família rica da capital baiana.

É sabido que os soldados do brigadeiro Madeira de Melo, chefe do Exército português que combatia, na Bahia, as milícias brasileiras pró independência, antes de invadirem o Convento da Lapa, por volta das 11 horas de 20 de fevereiro de 1822, já haviam saqueado tudo o que encontraram pelo caminho naquela manhã. 

Maria Quitéria, primeira mulher no Exército brasileiro / Crédito: Wikimedia Commons

 

A abadessa, uma das mais antigas residentes, encarou corajosamente o arrastão, e, por esse motivo, chamou os inimigos de bárbaros. O ato criminoso calou fundo na alma da Bahia. Homens atrozes contra religiosas indefesas. Filho da terra algum poderia digerir tamanha desumanidade. 

A versão portuguesa do trágico episódio alega que agentes pró-independência haviam se escondido no convento e atirado nos soldados de dentro do edifício. Historiadores brasileiros, contudo, afirmam que as tropas lusitanas invadiram diversos locais, praticando roubos e até mortes, com o pretexto de que tiros haviam sido disparados de dentro desses espaços, o que teria justificado as violentas represálias.

Apesar da inclemência com que os militares trataram a líder religiosa, acabaram poupando as outras freiras, que, aos prantos, foram autorizadas pelo comandante da operação a serem transferidas para o Convento da Soledade, nas proximidades da região.


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