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Máscara de cobre e rituais místicos: as intrigantes múmias da Rússia

Até hoje, não se sabe se os corpos foram naturalmente mumificados ou isso foi uma prática da antiga civilização

Isabela Barreiros Publicado em 13/06/2020, às 07h00

A múmia de um homem ruivo
A múmia de um homem ruivo - Natalya Fyodorova

No norte da Rússia, a 29 km do Círculo Polar Ártico, arqueólogos encontraram 34 túmulos rasos em um ponto quase remoto da terra. A descoberta, que aconteceu no início dos anos 2000, despertou o interesse da comunidade científica ao local. No entanto, ainda hoje, esse achado arqueológico permanece com mais perguntas do que respostas.

Para o pesquisador Zeleniy Yar, aquele local era uma encruzilhada comercial importante para as sociedades que viviam na região há por volta de um milênio atrás. As covas, concluíram, formavam uma necrópole de uma misteriosa civilização medieval. E mais que isso: os corpos encontrados dentro das sepulturas continham características muito peculiares.

Lá, foram descobertos 11 múmias. Uma primeira questão surgiu: a prática foi feita deliberadamente, ou seja, quem estava enterrando os corpos os havia mumificado anteriormente, ou isso aconteceu de maneira natural?

Crédito: Natalya Fyodorova

 

Segundo a especialista da Academia Russa de Ciências, Natalia Fyodorova, “em nenhum lugar do mundo existem tantos restos mumificados encontrados fora do permafrost ou dos pântanos”. O antigo cemitério é diferente de outros encontrados no permafrost das Montanhas Altai, na parte siberiana, por exemplo. E distingue-se até mesmo da técnica utilizada nos faraós do Egito Antigo, uma tradição intencional.

“É um sítio arqueológico único. Somos pioneiros em tudo, desde remover o objeto do solo arenoso (que não foi feito anteriormente) e terminar com a possibilidade de mais pesquisas”, disse Fyodorova.

Como o terreno é arenoso e não é congelado o tempo todo, sugere-que que a combinação desse fator com o uso de cobre nos corpos — que serviu como uma barreira para a oxidação — possibilitou que eles fossem mumificados de maneira natural, mantendo-se preservados até os dias de hoje.

As múmias

Crédito: Natalya Fyodorova

 

Alguns dos cadáveres bem preservados estavam com seus crânios quebrados e até mesmo sem eles. Muitos deles ainda tiveram parte do esqueleto esmagada e, segundo Fyodorova isso pode ter sido feito logo depois da morte do indivíduo "para proteger os feitiços misteriosos que emanam dos mortos".

Mas o mais peculiar, na verdade, é que cinco dos corpos estavam envolvidos em cobre, e usavam máscaras feitas do mesmo material. Renas, castores, carcaças ou peles de urso ainda compunham as vestimentas colocadas neles.

Segundo os pesquisadores envolvidos na escavação e na análise dos corpos, nenhuma mulher adulta foi encontrada na necrópole. Eles descobriram múmias de crianças, uma menina mais velha e de um homem com uma especificidade: ele tinha cabelos ruivos.

Crédito: Natalya Fyodorova

 

Três dos esqueletos infantis estavam usando máscaras de cobre, eram do sexo masculino e estavam amarradas a quatro ou cinco argolas de cobre. O indivíduo ruivo também carregava consigo o material, usando uma proteção do peito aos pés que estava revestida por cobre.

Além dos corpos, também foram encontrados artefatos importantes que podem ajudar a entender melhor a civilização. Junto ao homem de pelos vermelhos, estavam enterrados um machado de ferro, peles de animais e uma fivela de cabeça de bronze que ilustrava um urso. Os arqueólogos descobriram ainda taças de bronze originárias da Pérsia, que remontam aos séculos 10 ou 11, uma faca de combate feita de ferro, medalhão de prata e uma estatueta de pássaro de bronze, que podem datar entre o século 7 e 9.

Crédito: Natalya Fyodorova

 

O túmulo mais recente data de 1282 e foi possível chegar a esse ano devido a um estudo realizado com anéis de árvores do local. Mas as outras sepulturas são consideradas ainda mais velhas, não se sabendo exatamente de que ano.

Há ainda um mistério de cunho místico que ronda o cemitério encontrado. Todos os corpos estão com os pés apontando para rio Gorny Poluy, o que os pesquisadores consideraram como um ritual funerário, com significado religioso. No entanto, eles ainda não sabem exatamente o que isso quer dizer.

No ano da descoberta, em 2002, moradores da região pediram para que os especialistas parassem com as escavações. As reinvindicações eram de que eles poderiam estar perturbando as almas das pessoas que foram enterradas no cemitério. Fica claro, então, o cunho ritualístico da região.


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