Matérias » Estados Unidos

Há 40 anos, neonazistas assassinavam manifestantes comunistas a sangue frio nos Estados Unidos

Em 1979, um comício denominado "Morte ao Klan" terminou em tragédia na cidade de Greensboro, na Carolina do Norte

Isabela Barreiros Publicado em 02/11/2019, às 08h00

None
Divulgação

O Partido dos Trabalhadores Comunistas dos Estados Unidos havia escolhido o dia 3 de novembro de 1979 para fazer uma conferência e uma passeata nomeada "Morte à Klan", na cidade de Greensboro, na Carolina do Norte, Estados Unidos. O trajeto teria entre cinco a quinze quilômetros e passaria por muitos dos bairros negros da região.

O grupo trabalhista Organização dos Pontos de Vista dos Trabalhadores planejava identificar-se com o Partido dos Trabalhadores Comunistas, dissidente do Partido Comunista dos EUA. Eles eram um partido radical de esquerda e acreditavam no reavivamento da ideologia maoísta no movimento revolucionário norte-americano.

A hostilidade entre o Partido dos Trabalhadores Comunistas a Ku Klux Klan estava acirrada naquele período. Em julho do mesmo ano, o filme O Nascimento de uma Nação foi transmitido pela KKK, uma produção supremacista branca que romanceia o surgimento do movimento. O local foi invadido por ativistas anti-KKK, e o choque entre manifestantes fez com que provocações se tornassem frequentes na cidade.

Crédito: Divulgação

 

No dia 3 de novembro, só o comício ocorreu. Na comunidade negra de Morningside Homes, os militantes organizados foram surpreendidos por membros da Ku Klux Klan e do Partido Nazista Americano. Aproximadamente 40 deles saíram de uma caravana de carros e carregavam consigo espingardas, rifles e pistolas.

Apenas alguns dos militantes comunistas estavam armados. Testemunhas do evento alegam que Mark Sherer, membro da KKK, foi responsável pelo primeiro tiro, o qual ele lançou no ar. O confronto causou a morte de cinco pessoas e fez com que pelo menos 10 ficassem feridas.

O breve mas letal conflito foi parcialmente gravado por equipes de TV que estavam presentes no local. Em vídeo, é possível ouvir os manifestantes gritando “death to Klan” (morte à Klan), e o barulho dos posteriores tiros. Muitos deles batiam nos carros antes dos supremacistas brancos saírem de seus veículos.

Quatro das vítimas fatais eram membros do Partido dos Trabalhadores Comunistas. James Waller, presidente de um sindicato de trabalhadores têxteis da cidade, estava desarmado. Assim como ele, Cesar Cauce, Michael Nathan e Sandra Smith não carregavam armas e foram assassinados pelos membros da KKK. William Sampson, um dos organizadores dos trabalhadores, atirava contra os opositores na tentativa de sobreviver, mas acabou morto por dois tiros.

Mesmo que reconhecesse o potencial de violência, a polícia não esteve ativa durante o conflito no comício. Segundo o livro Through survivors' eyes, de Sally A. Bermanzohn, que conta o caso mais afundo, esta foi uma das poucas vezes em que "um júri responsabilizou a polícia local por cooperar com o Ku Klux Klan em uma morte por negligência", ainda que anos depois.

Marcha em Greensboro após o massacre / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 2004, seguindo outros modelos de Comissão da Verdade, como a da África do Sul, cidadãos organizaram uma Comissão de Verdade e Reconciliação de Greensboro, no intuito de entender o que aconteceu no evento e investigar os assassinatos cometidos durante o conflito.

A comissão responsável pela investigação concluiu que os membros da KKK e do Partido Nazista tinham intenção de causar danos aos manifestantes. Em 2009, o Conselho da Cidade de Greensboro aprovou uma resolução que expressava pesar pelas mortes causadas no Massacre de Greensboro.


Saiba mais sobre o Massacre de Greensboro e crimes neonazistas por meio dos livros a seguir: 

Through Survivors' Eyes: From the Sixties to the Greensboro Massacre (English Edition), Sally Avery Bermanzohn (2011) - https://amzn.to/335XjCk

Democracy, Dialogue, and Community Action: Truth and Reconciliation in Greensboro (English Edition), Spoma Jovanovic (2012) - https://amzn.to/2oBzZxi

White Lies: Race, Class, Gender and Sexuality in White Supremacist Discourse (English Edition), Jessie Daniels (2016) - https://amzn.to/2px5toR

Black Klansman: Race, Hate, and the Undercover Investigation of a Lifetime (English Edition), Ron Stallworth (2018) - https://amzn.to/2N832C1

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.