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Massacre de Przyszowice: os três dias de terror causado pelo Exército Vermelho

Quando chegaram à vila polonesa, os soviéticos não hesitaram em incendiar, saquear, matar e estuprar os civis

Pamela Malva Publicado em 20/02/2020, às 16h53

Imagem do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra
Imagem do Exército Vermelho durante a Segunda Guerra - Creative Commons

Em janeiro de 1945, a União Soviética deu início à sua ofensiva para atravessar o território da Polônia ocupada pelos alemães. Assim, no dia 26 daquele mês, o Exército Vermelho chegou à vila de Przyszowice, a última antes da fronteira polonês-alemã.

No período entre os dias 26 e 28, a cidade foi palco do episódio caracterizado pelo Instituto de Recordação Nacional como um crime contra a humanidade. Na vila, civis e ex-soldados poloneses foram alvo de um terrível massacre.

Assim que chegaram, os soviéticos incendiaram casas, enquanto atiravam nas pessoas que tentavam apagar o fogo. Em seguida, saquearam lares e comércios e estupraram uma quantidade desconhecida de mulheres.

Naquele dia, dezenas morreram — o número estimado de vítimas varia entre 54, de acordo com Sebastian Hartman, e 69 pessoas, segundo reportagem de Józef Krzyk, publicada no jornal Gazeta Wyborcza. Quase todos eram poloneses, exceto dois fugitivos da Itália e da Hungria.

Pedra memorial erguida em homenagem às vítimas / Crédito: Wikimedia Commons

 

De acordo com o estudo do Instituto de Recordação Nacional, realizado a partir do massacre, quatro ex-prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz estavam entre as vítimas. Eles teriam escapado no dia anterior.

Ainda hoje, o motivo do massacre é desconhecido. Ao mesmo tempo em que os soviéticos poderiam ter desejado compensar suas perdas durante o combate, era possível que eles estivessem confusos, pensando já estarem em territórios alemães.

Até 1989, durante o regime comunista na Polônia, a divulgação do episódio foi censurada pelo governo. A vala onde as vítimas foram enterradas foi mantida em anonimato. Foi apenas em 2005, no 60º aniversário do massacre, que os poloneses ergueram uma pedra memorial no local.


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