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Matemático e piadista: Alex, a trajetória do papagaio mais inteligente da História

Com um método pioneiro e 30 anos de treino, o pássaro desenvolveu um cérebro semelhante ao de uma criança com quatro anos de idade

Wallacy Ferrari Publicado em 09/07/2020, às 12h45

O papagaio Alex disposto em frente a cubos coloridos para apontar quantidades
O papagaio Alex disposto em frente a cubos coloridos para apontar quantidades - Wikimedia Commons

Em 1977, a psicóloga animal Irene Pepperberg ainda era uma pesquisadora na Purdue University, onde concluía sua trajetória acadêmica, quando encontrou Alex em uma loja de animais, com apenas um ano de vida. Impossibilitado de voar, o papagaio-cinzento do Congo foi acolhido pela nova amiga, que o levou para uma pesquisa, buscando entender a comunicação dos pássaros.

A pesquisadora criou uma técnica onde uma instrução é dada ao animal de maneira responsiva com exemplos corretos e incorretos, interagindo durante toda a ação.

Nomeada ‘model/rival’, Irene posiciona um exemplo e um treinador para ensinar a ação e, em seguida, repete a ação trocando o exemplo pelo treinador, demonstrando que o processo realizado é de consentimento mútuo e que também pode ser feito pelo animal.

O processo deixou de ser um projeto paralelo e passou a ter prioridade no núcleo de pesquisas de psicologia animal assim que Alex apresentou um progresso significativo, com Irene chefiando as orientações.

Inicialmente contestada por parecer um processo decorado, a pesquisadora fez questão de provar que o animal desenvolveu uma inteligência e conseguiria interagir com qualquer pessoa que a solicitasse.

Alex sendo alimentado para estimular o estudo / Crédito: Divulgação/YouTube/TwelveFloorsUp/06.10.2009

 

O resultado das lições

Ao longo de 30 anos, as ações de Alex se tornaram cada vez mais rápidas e responsivas, impressionando a equipe com o método pioneiro. O nome Alex, dado em referência ao acrônimo Avian Language EXperiment (experimento de linguagem aviária, em inglês), não condizia com o seu progresso, visto que Irene afirmou que o pássaro não usava a mesma comunicação que os humanos, mas sim, um código de comunicação bidirecional.

Mesmo não se comunicando de maneira complexa, ainda conseguiu desenvolver reconhecimentos notáveis; em 1999, quando uma pesquisa extensa sobre o método foi publicado, Alex já falava cerca de 150 palavras e reconhecia mais de 50 objetos diferentes, além de conseguir entender quantidades até seis. Com o auxílio de itens coloridos, o animal conseguia apontar qual cor era e quantos itens de tal cor estavam dispostos.

Quando posto em pegadinhas, como desafiado a reconhecer objetos falsos, o papagaio conseguia demonstrar surpresa e até raiva. O principal feito foi o desenvolvimento do bom-humor; além de imitar vários animais, seu raciocínio conseguiu criar uma piada quando uma maçã foi apresentada. Pelo fato de ser amarelada por dentro e vermelha por fora, chamou a fruta de “banerry”, uma mistura de banana com cherry (cereja, em inglês).

Alex reconhece quantos cubos verdes estão na mesa / Crédito: Divulgação/YouTube/Profissional_Talker/09.06.2008

 

Os dias finais do bichano

Quanto mais aprendia, Alex se tornava ainda mais rápido para aprender mais coisas, já entendendo o conceito de ‘maior’ e ‘menor’, ‘igual’ e ‘diferente’ e progredindo no aprendizado da diferença entre ‘sobre’ e ‘sob’, respondendo os estímulos corretamente em mais de 80% das ocasiões.

Aos 31 anos, no entanto, Alex sofreu uma infecção causada por fungos, inicialmente não identificada pelos pesquisadores, visto que não acometeu o animal. Antes de dormir, na noite de 6 de setembro de 2007, falou as palavras que dizia todas as noites: “Seja bom, eu te amo. Até amanhã”, frase que aprendeu a decorar e reconhecer o sentido.

Na manhã seguinte, o papagaio faleceu, surpreendendo toda a equipe de psicologia, visto que a vida útil de sua espécie é de aproximadamente 45 anos. Com os aprendizados ao lado de Alex, Irene lançou um livro de memórias sobre o trabalho e relacionamento com o bichano, chamado “Alex e eu”, considerado um dos melhores livros de 2008 pelo New York Times. Hoje, Irene é professora em Harvard e tem a Alex Foundation, onde levanta fundos para novas pesquisas usando o mesmo método.


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