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Matthäus Hetzenauer, o cruel e meticuloso sniper nazista

Conhecido como um dos atiradores mais mortais da Alemanha, o jovem austríaco ceifou a vida de 345 soldados soviéticos

Pamela Malva Publicado em 27/07/2020, às 18h00

Fotografia de Matthäus Hetzenauer durante a Segunda Guerra Mundial
Fotografia de Matthäus Hetzenauer durante a Segunda Guerra Mundial - Wikimedia Commons

O ar da região alpina da Áustria era calmo e aconchegante. No topo de colinas, a vegetação pedia por clima tranquilo, cercado por famílias tradicionais de camponeses típicos, apaixonados pela pintura que se formava todos os dias.

Nascido em 1924, em Brixen im Thale, Matthäus Hetzenauer era um menino curioso que encarava as florestas através de sua janela com apreço. Quando ouvia o assovio das balas atiradas por seu pai, ele estremecia, ansioso com o resultado da caça.

O estrondo da pólvora e o jantar na mesa o deixavam elétrico. Seu pai, Simon Hetzenauer, afinal, era um dos melhores caçadores da região. Na mesa, Matthäus e sua mãe, Magdalena, esperavam pela carcaça de veados, alces e perus todo final de dia.

Não muito longe dali, Josef, o tio de Matthäus, exibia todas as suas condecorações em estantes maiores que o menino, que o pequeno adorava admirar. Como veterano Exército Austro-Húngaro, o homem inspirava seu sobrinho com uma Cruz de Ferro.

Imagem meramente ilustrativa de soldados em campo / Crédito: Wikimedia Commons

 

No centro de um alvo

Com uma infância padrão para um camponês, Matthäus cresceu ao lado dos pais e aprendeu a atirar desde muito novo. Aos 17 anos, quando já confiava em seus rifles o suficiente, foi convocado para o exército alemão.

Na época, alistar-se no exército não era motivo de pesar, mas sim de orgulho. Ainda mais para uma família tão tradicional, cheia de veteranos como a de Matthäus. O jovem, é claro, ficou animado com o convite obrigatório da Alemanha.

Em meados de 1943, então, o mais novo soldado começou a servir na infantaria do exército. Não demorou muito para que seus comandantes percebessem sua aptidão com a artilharia e, assim, Matthäus foi transformado em um atirador de elite, em 1944.

Imagem meramente ilustrativa de soldados em campo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Medalhas na lapela

Já em campo, o jovem sniper serviu na linha de frente, derrubando soldados soviéticos até que um de seus tiros certeiros atingisse o comandante da tropa inimiga. Prático e exigente, Matthäus era capaz de ficar horas em uma mesma posição antes de atirar.

Companheiros do soldado afirmam que o tiro mais longo e ambicioso do franco-atirador foi a uma distância equivalente a 10 estádios de futebol. Com a mira impiedosa, o sniper nazista matou mais de 345 homens em menos de 10 meses.

Entre 1943 e 1945, então, Matthäus logo passou a ser reconhecido por seus compatriotas como um dos atiradores mais mortais de toda a Alemanha. Pela atuação cruel, foi condecorado com a Cruz de Ferro — que tanto sonhava quando criança —, entre muitas outras medalhas, como o emblema de atirador de elite em ouro.

Imagem meramente ilustrativa de franco-atiradores / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fim da linha 

Deitado em campos inimigos, arrastando-se pela terra e apoiando seu rifle sobre os cotovelos, Matthäus tinha 20 anos quando foi atingido pela linha de fogo da artilharia soviética, em 1944. Inflamado pelo combate, ele sequer percebeu o ferimento.

Em maio de 1945, contudo, nem mesmo o treinamento aguçado, a mira afiada e os anos de serviço foram o suficiente para impedir sua captura. Com menos de 30 anos, Matthäus foi pego por soviéticos e mantido em um campo de prisioneiros.

No cárcere, o jovem agarrou-se à sua vida e sobreviveu, apesar das condições insalubres. Ele foi libertado em 1950 e, de volta à Áustria, tornou-se carpinteiro. Uma vez casado, Matthäus Hetzenauer faleceu de causas naturais, em 2004, aos 79 anos.


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