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McDonald's sob trilhos: A curta história dos McTrain

Parece improvável, mas sim, já foi possível comprar Big Macs em meio a uma viagem de trem

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 20/02/2021, às 09h00

Fotografia de um vagão que foi testado na Suíça logo antes do projeto do qual temos mais informações, ocorrido na Alemanha
Fotografia de um vagão que foi testado na Suíça logo antes do projeto do qual temos mais informações, ocorrido na Alemanha - Divulgação / Twitter

Inovar sempre envolve riscos. Todavia, quando se fala de grandes empresas, é de se esperar que seus donos saibam o que estão fazendo. Não foi o que aconteceu com o McDonald’s nos anos 90, quando a marca de fast-food investiu em um projeto que rapidamente se mostrou um fracasso. 

Tratava-se do McTrain, um vagão-restaurante que foi transformado para servir batata frita e Big Macs. Caso o experimento já não fosse curioso o suficiente, ainda é preciso dizer que o serviço funcionou não só nos Estados Unidos, mas sim na Alemanha, inusitadamente. O episódio foi relembrado pelo site The Drive em texto de 2020. 

Início 

A ideia concretizou-se através de uma parceria da lanchonete do palhaço com uma empresa de transporte alemã chamada Deutsche Bahn, que estava interessada em terceirizar a alimentação que oferecia durante as viagens de trem. O projeto passou a ser testado a partir de 1993, em uma linha que cruzava o país de ponta a ponta. 

Logo, dois vagões foram customizados e preenchidos por máquinas de café, fritadeiras, e os ingredientes pré-prontos já conhecidos do McDonald’s. Eram oferecidos dois cardápios diferentes aos passageiros: o de café da manhã, e o de almoço/jantar. Dentro dos vagões-restaurante, havia 27 lugares onde era possível comer sentado, e mais 8 para quem não ligasse de fazer suas refeições em pé.  

Interior de vagão alemão customizado pelo McDonald's / Crédito: Divulgação/ Twitter

 

Segundo o fórum alemão Drehscheibe Online, era possível ainda fazer pedidos para garçons que andavam pelos vagões da primeira e segunda classe, caso os passageiros não quisessem andar até a parte do trem onde estava localizada a lanchonete. 

Todavia, como a ausência de McTrains nos dias de hoje pode nos dizer, a ideia acabou se provando fiasco, com o restaurante fast-food não sendo capaz de se adaptar aos trilhos. 

Ladeira abaixo 

Houve uma série de razões para tanto: desde problemas logísticos até mudanças de hábitos da população alemã, como o fato de as viagens de avião estarem tornando-se mais populares que as de trem. 

De acordo com o The Drive, os alemães também estavam acostumados com uma alimentação de maior qualidade durante suas viagens de trem, o que não combinava com o conceito de rapidez e preço baixo oferecido pelo McDonald's. 

Fotografia do McTrain da Alemanha por fora / Crédito:  Divulgação/ Twitter 

 

Assim, a marca teve dificuldades conseguindo lucro com o projeto, que é, afinal, o fim último de qualquer negócio. Além de o restaurante de fast-food terminar usando o dobro de energia que aquele que havia substituído, ele ainda enfrentou problemas relativos ao gerenciamento de estoque, que, devido ao espaço limitado, precisava ser constantemente reabastecido. 

Também mostrou-se mais complicado coordenar funcionários. Considerando que os turnos terminavam antes do fim do projeto, por exemplo, com a equipe sendo substituída pelo grupo da tarde, era responsabilidade do McDonald’s pagar pela viagem de volta do primeiro grupo. 

Além disso, a pontualidade passou a ser fundamental - atrasos poderiam significar perder a partida do trem, afinal, comprometendo o desempenho da cozinha do palhaço durante as próximas horas.   

Assim, todo o projeto acabou sendo finalizado após dois anos de duração, saindo dos trilhos alemães para entrar nas curiosidades do passado do restaurante do palhaço.


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