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"Me deixem em paz": Pete Best, o baterista que foi expulso dos Beatles

Ao lado de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison, Best tocou em cerca de 200 shows, mas acabou sendo demitido da banda por motivos que ainda são controversos

Fabio Previdelli Publicado em 26/07/2020, às 09h00

Pete Best (dir.) ao lado de Paul, George e John
Pete Best (dir.) ao lado de Paul, George e John - Divulgação/ Pete Best

John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Não há quem não conheça a lendária formação dos Beatles. Os Reis do Iê, Iê, Iê, são considerados a banda mais influente de todos os tempos, afinal, não é para menos, visto que o quarteto de Liverpool fez estrondoso sucesso a partir da década de 1960, e até hoje suas músicas são ouvidas pelas gerações mais novas.

Entretanto, nem sempre foi assim, nem sempre os Beatles fizeram sucesso e nem sempre eles tocaram com essa formação. Até porque, Ringo Starr não fazia parte da formação original, ele só entrou na banda em 1962, depois da primeira turnê do grupo, na época, com Pete Best como baterista.

Pete foi convidado no dia 12 de agosto de 1960 para se juntar ao grupo com qual fez cerca de 200 shows. No entanto, acabou demitido após o produtor George Martin reclamar de seu desempenho nos palcos.

Pete Best em 2010 autografando baquetas durante festival / Crédito: Wikimedia Commons

 

A insatisfação de Martin foi corroborada por Paul, John e George, que concordaram em demiti-lo da banda. Assim, a missão de contar a decisão ficou sob as costas de Brian Epstein, empresário deles.

Best revela que quando lhe foi dada a notícia, entretanto, ele esperava que a reunião para a qual havia sido chamado trataria de outro assunto. "Eu pensava que seria uma sessão de perguntas [...] Eu entrei e Brian não estava normal, tranquilo, calmo e plácido. Ele estava muito agitado, e eu olhei para ele e disse: 'Whoa, alguma coisa cheira aqui...'", revelou em entrevista para o programa The Late Late Show e que posteriormente foi reproduzido pela Rolling Stones.

Além da saída do grupo, Pete ressente que McCartney, Lennon e Harrison poderiam ter sido mais gentis com ele após sua exclusão. "Inicialmente, eu não era um baterista bom o suficiente, então, de repente, eu era 'anti-social', 'não falava', 'genioso', 'devagar'" [...] Vamos lá caras, me dê um tempo. Vocês já me expulsaram da banda. Me deixem em paz, apenas me deixe seguir com minha própria vida".

O baterista diz que apesar dessas declarações, jamais entendeu o real motivo de sua demissão, já que a única razão que Epstein deu na época foi: “Os rapazes não querem mais você no grupo”, explica Bob Spitz no livro The Beatles – The Biography, de 2005.

Em contrapartida, em sua biografia, Brian afirma que o trio achava Pete “convencional demais para ser um Beatle”, acrescentando que "embora ele fosse amigo de John, ele não era apreciado por George e Paul".

Outro ponto de vista levantado foi documentado no livro John, de Cynthia Lennon, que relata que, enquanto os outros integrantes passavam o tempo livro juntos em Hamburgo ou Liverpool, onde socializavam e escreviam canções, Pete Best saia sozinho e isso o deixava de fora de muitas experiências, projetos, referências e até mesmo das piadas internas do grupo.

Best tocando em Maryland em 2006 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Se Pete não era bem quisto dentro da banda, o mesmo não se pode dizer do carinho do público. Apesar de, na época, Os Beatles não terem o sucesso que conquistariam algum tempo depois, a banda já comovia um bom público para os shows que realizava.

Entre os primeiros fãs do grupo, muitas mulheres consideravam o baterista como o mais atraente entre eles, o que, segundo o apresentador Spencer Leigh narra em seu livro Best of the Beatles: The Sacking of Pete Best, fazia com que os demais membros sentissem certo ciúmes da atenção dada ao músico.

O que de concreto aconteceu, provavelmente nunca saberemos, já que muitas dessas hipóteses foram desmentidas pelos Beatles em diferentes oportunidades. A única coisa ao certo é Ringo Starr acabou substituindo Pete Best no dia 16 de agosto de 1962.

Porém, apesar das desavenças, o ex-baterista dos Beatles disse que não se arrepende de ter feito parte do grupo e se diz contente em saber que tocou na maior banda da indústria musical. "Eu não tenho arrependimentos. Foi uma experiência maravilhosa tocar com a maior banda do showbiz. Eu não quero pensar que nada vai superar isso. Eu estou orgulhoso da minha contribuição”.


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