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Melancolia e suicídio: a infeliz vida das filhas de Marx

Apesar da intelectualidade, Jenny, Laura e Eleanor jamais tiveram o reconhecimento devido e se tornaram apenas um apêndice na história do revolucionário socialista

Fabio Previdelli Publicado em 03/05/2020, às 14h00 - Atualizado às 17h00

Karl Marx, suas filhas e Friedrich Engels
Karl Marx, suas filhas e Friedrich Engels - Wikimedia Commons

Passados 137 anos de sua morte, Karl Marx permanece sendo uma figura mitológica. No entanto, a vida daquelas que foram seu fruto permanecem esquecidas, como se fossem apernas um apêndice na vida do revolucionário socialista.

Em junho de 1843, Marx se casou com Jenny von Westphalen. A união dos dois gerou sete filhos, entretanto, somente três atingiram a idade adulta: Jenny Longuet, Laura e Eleanor. A primeira delas, conhecida no círculo social de Marx como Jennychen, morreu de câncer aos 38 anos. Já as outras duas se suicidaram.

Laura foi casada com Paul Lafargue, responsável por introduzir o marxismo na Espanha — e também escreveu o famoso O Direito à Preguiça. Em um momento de suas existências, se deram conta de que a vida já não tinha mais sentido quando as pessoas já não eram mais capazes de usufruirem dos prazeres da subsistência, se tornando um peso para a sociedade.

Retrato de Laura Marx / Crédito: Wikimedia Commons

 

Já Eleanor, a mais nova, se envenenou por se sentir nauseada e apática em relação as infidelidades do companheiro, o socialista Edward Aveling. Apesar de descobrir que ele se casara secretamente com outra mulher, cuidou de Aveling quando ele teve uma grave doença. Mas jamais foi capaz de superar o adultério.

Um ponto em comum entre as irmãs, é que ambas viveram momentos de verdadeira miséria e de intensa perseguição política — afinal, todas se envolveram amorosamente com militantes de esquerda e tiveram importante contribuição para o progresso do movimento operário.

A personalidade das irmãs

Um fato interessante é que, no décimo terceiro aniversário de Jenny, Laura lhe deu um diário. Mas muito se engana que pense que ela usou o livro para escrever superficialidades ou pensamentos condizentes com crianças de sua idade.

Ela aproveitou o espaço para redigir um ensaio sobre a história da Grécia. Anos depois, publicou diversos artigos denunciando os excessos no tratamento dado a presos políticos da Irlanda. E também relatou os abusos que sofreu da polícia francesa quando foi presa junto com Eleanor. Por um tempo, também trabalhou como secretária do pai na Associação Internacional dos Trabalhadores.

Retrato de Charles e Jenny Longuet / Crédito: Wikimedia Commons

 

Já Laura desenvolveu um quadro de depressão, muito em virtude da perda prematura de três filhos e da pobreza que vivia. No meio profissional, lecionou línguas e também acompanhou o marido em diversos países — sempre fugindo da polícia e contribuindo em movimentos socialistas.

Ademais, ajudou o pai com algumas pesquisas e até escreveu alguns artigos sobre política — embora não tenha publicado nenhuma obra de destaque. Vivendo sempre sob à sombra de Marx e Lafargue.

Por último, Eleanor, que ansiava ser atriz, era considerada a mais intelectual entre as três. Escreveu diversos artigos — muitos dos quais de interpretação das obras do pai — sobre diferentes tópicos políticos e sociais, como: de que modo as mulheres eram oprimidas pelo capitalismo e pelo patriarcado.

Retrato de Eleanor Marx / Crédito: Wikimedia Commons

 

A caçula também acreditava que o socialismo as deixaria livres perante a sociedade e as tornaria iguais perante os homens. Além disso, teceu duras críticas ao colonialismo e defendia com unhas e dentes a escolaridade obrigatória.

As três sempre foram admiradoras do pai, mas, apesar da intelectualidade e peculiaridade de cada, jamais se destacaram de maneira política e intelectualmente — muito por conta da sociedade desigual em que estavam inseridas.


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