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Memorial de um soldado: o quarto intacto de um militar que morreu na Primeira Guerra

A família de Hubert Rochereau decidiu manter seu cômodo inteiramente como ele o deixou quando partiu para os campos de batalha de Flandres; a história viralizou em 2014

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/01/2021, às 07h00

Quarto intacto de Hubert Rochereau
Quarto intacto de Hubert Rochereau - Divulgação - Bruno Mascle/Photosh

Durante a Primeira Guerra Mundial, cerca de 17 milhões de soldados e civis morreram na em decorrência do conflito. Embora os números tenham uma escala gigantesca, muitas dessas pessoas deixaram suas famílias para trás, que tiveram que lidar com o sentimento de luto de formas distintas. 

Os pais de Hubert Rochereau, por exemplo, tiveram uma ideia impressionante: eles decidiram preservar o quarto do modo que seu filho o deixou. Ele deixou sua casa em Bélâbre, uma comuna no centro da França, com destino aos campos de batalha de Flandres, onde aconteceu a Primeira Batalha de Ypres, que marcou o primeiro ano do conflito.

Como muitos, ele morreu devido a ferimentos causados durante uma batalha pelo domínio do vilarejo de Loker, na Bélgica. Em uma ambulância inglesa, o jovem de 22 anos perdeu a vida no dia 26 de abril de 1918, sem conseguir sobreviver às lesões. 

Na época, o território em questão estava sendo controlado pelos Aliados. No entanto, o cenário mudou bastante ao longo do conflito, com o vilarejo passando para as mãos dos inimigos e sendo dominado de novo inúmeras vezes. Quatro dias depois da morte de Rochereau, eles conseguiram novamente reconquistar a região.

O quarto de um soldado caído

Crédito: Divulgação - Matthieu Bock/Europe1

 

Por sua atuação competente e obstinada na Primeira Guerra, o jovem foi premiado com uma Legião de Honra póstuma por bravura. Além disso, seu nome também está gravado em um memorial de guerra em sua cidade natal, junto com os de outros soldados que também perderam a vida durante o conflito.

Mas o memorial organizado por seus pais com certeza é mais particular do que todas as honrarias que ele poderia receber pela participação na batalha. Seu quarto intocado, mesmo depois de um século de sua morte, continua demonstrando como era sua vida antes de sua participação — e morte — no conflito.

Talvez o que mais chame a atenção dentro do cômodo seja o uniforme do segundo-tenente, uma jaqueta azul de oficial pendurada ao lado da escrivaninha que também contém objetos que foram, de fato, usados por ele. Com livros, cadernos, desenhos e até mesmo uma lamparina.

Crédito: Divulgação - Matthieu Bock/Europe1

 

Em cima da mesa, há ainda um objeto curioso, o único que foi adicionado pelos pais após a morte de seu filho: um frasco. Ele possui uma etiqueta, na qual está escrito: "a terra de Flandres em que nosso querido filho caiu e que guardou seus restos mortais por quatro anos".

Há uma lareira, cujo consolo guarda seus livros que estão ainda da exata maneira que foram deixados por ele há mais de cem anos. A cama continua com uma faixa de renda, seus sapatos ainda estão guardados, e seus cachimbos ainda estão lá. O cheiro de tabaco talvez também ainda esteja presente no ambiente, relembrando os hábitos de seu antigo dono.

Além de seus inúmeros objetos pessoais, apresentados no quarto de forma natural e rotineira, é possível perceber a coleção de armas que Rochereau guardava em seu cômodo. Estão dispostas inúmeras pistolas, uma máscara de esgrima e até mesmo um conjunto de esporas.

Crédito: Divulgação - Matthieu Bock/Europe1

 

A família, porém, teve que deixar a casa. Mas nem isso foi o suficiente para que eles desistissem da ideia de manter o quarto do filho como ele mesmo havia deixado. Eles venderam a casa 1935 e, durante esse processo, adicionaram uma cláusula que afirmava que o local não poderia ser modificado nos próximos 500 anos.

Ao jornal Nouvelle République, o atual dono da casa, Daniel Fabre, explicou que essa cláusula não possui nenhum valor legal. No entanto, ele diz que manterá o acordo. E isso é um ganho imenso, afinal, aquele quarto guarda história. A vida de um soldado morto na Primeira Guerra está exposta ali, basta observar atentamente.


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