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Menor que a ponta do dedo: Conheça o menor réptil do mundo, descoberto em 2012

Conhecido cientificamente como Brookesia nana, o minúsculo vertebrado ganhou popularidade neste ano

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 25/02/2021, às 09h03

Fotografia do minúsculo camaleão
Fotografia do minúsculo camaleão - Divulgação/Frank Glaw

O menor réptil do mundo é maior que uma unha humana e pouco menor que a ponta de um dedo. Parece impossível que um ser vivo seja tão pequeno e consiga sobreviver, mas é isso que o torna raríssimo. 

Trata-se da menor espécie de camaleão já registrada no mundo. Chamado cientificamente de Brookesia nana, o réptil também é conhecido como “nano-camaleão”. O lagarto tem manchas marrons em seu corpo surpreendentemente pequeno — que nunca ultrapassa a medida de 2,5 centímetros.

Até o ano de 2012, os biólogos e pesquisadores não sabiam de sua existência e, ainda hoje, ficam deslumbrados por sua estrutura. Acontece que a maioria dos vertebrados tem o tamanho expandido com o passar do tempo, isto é, quando ficam adultos.

O nano-camaleão é singular de muitas maneiras, como por exemplo, o fato de não ter a habilidade de mudar de cor. Apesar de seu tamanho, ele se sente mais seguro no chão de uma floresta do que nas árvores, o que à primeira vista parece estranho.

Espécie Brookesia nana / Crédito: Scientific Reports

 

Como repercutido pela CNN Brasil, o Brookesia nana ganhou popularidade recentemente, a partir da publicação de um artigo científico na revista Scientific Reports, no dia 28 de janeiro.

Descoberta

Em 2012, pesquisadores alemães embarcaram numa viagem para as florestas de Madagascar, na África. Liderado pelo herpetólogo Frank Glaw, o grupo estava em busca de espécies de répteis e anfíbios que ainda não tivessem sido estudados.

Quando encontraram o nano-camaleão, a reação de surpresa foi unânime. “Nós esperávamos encontrar algumas novas espécies, mas não especificamente o menor dos camaleões”, contou Glaw para a CNN.

Uma regra que a espécie descoberta não segue é a de que os répteis machos são sempre maiores do que as fêmeas. No caso do Brookesia nana é totalmente o contrário: o macho tinha pouco mais de 2 centímetros de comprimento — ou 22 milímetros —, enquanto a fêmea tinha 2,89 centímetros.

Imagem em detalhe da cabeça do nano-camaleão / Crédito: Scientific Reports

 

Para Glaw e Oliver Hawlitschek, outro membro dos estudos, as fêmeas dessa espécie são maiores que os machos provavelmente porque precisam acomodar os ovos.

De acordo com o estudo publicado, anteriormente se pensava que animais como o nano-camaleão, extremamente pequenos, “enfrentariam desafios fisiológicos que limitariam novas reduções de tamanho”.

Ele é um exemplo do processo biológico de pedomorfose: quando uma espécie retém traços juvenis de seus ancestrais quando chega à maturidade. 

Para caso de reprodução, o macho dispõe de um hemipênis — órgão sexual interno que fica exposto durante o processo —, que é maior de tamanho comparado ao seu corpo. Essa característica, mais uma vez, diverge em outros camaleões, segundo os pesquisadores. 

“Provavelmente, o macho precisa de um hemipênis particularmente grande para ser capaz de copular [ter relação sexual]”, afirmaram Glaw e Hawlitschek

Nano-camaleão descoberto em Madagascar / Crédito: Scientific Reports

 

Extinção

Ainda pouco se sabe sobre o réptil, considerando a vastidão da espécie. Mesmo assim, os pesquisadores alemães estimam que o Brookesia nana esteja gravemente ameaçado de extinção.

Acontece que, na região de Sorata, Madagascar, há um constante desmatamento, e é justamente onde foram encontrados. Segundo o grupo, pelo menos outras treze espécies Brookesia nana estão pelo território do país insular.

Contudo, desde que o nano-camaleão foi descoberto, as autoridades do país africano organizaram uma reserva em Sorata, a fim de proteger os habitats naturais.

Para Glaw e Hawlitschek ainda não é o fim, já que existem muitas espécies a serem descobertas em Madagascar. “Muitas pessoas acreditam que a maioria das espécies na Terra já é conhecida pelos cientistas, mas não é o caso”, concluíram os pesquisadores.

++Leia o artigo completo da revista Scientific Reports


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