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Mensagens de amor, milagres e controvérsias: a intensa saga de Sai Baba

O líder espiritual reuniu milhões de seguidores não apenas em vida, mas também após a sua morte - o que não impediu que também surgissem denúncias pesadas contra o guru

Ingredi Brunato Publicado em 29/11/2020, às 10h00 - Atualizado às 14h00

Fotografia de Sai Baba
Fotografia de Sai Baba - Divulgação

Sathya Sai Baba (1926 - 2011) foi um líder espiritual nascido na Índia, porém com uma fama que viajou o mundo, conquistando dezenas de milhões de seguidores (um número que costuma variar entre 30 milhões e 100 milhões, dependendo da fonte consultada). Atualmente, existem organizações e retiros em sua homenagem espalhados por diversos países, incluindo o Brasil

Aqui, iremos explicar melhor quem é essa figura misteriosa considerada por muitos devotos um ser divino encarnado em um corpo humano, e como ele se tornou tão popular não apenas no Oriente, mas também em parte do mundo ocidental. 

Início 

Quando tinha apenas 14 anos, Sai Baba, que na época ainda usava seu nome de nascimento, Sathyanarayana Raju, teria revelado a seus pais que era a reencarnação de Shirdi Sai Baba, um outro líder espiritual que havia sido venerado tanto por hindus quanto por muçulmanos. Segundo o menino, ele tinha uma missão no mundo, e sabia qual era: ajudar a humanidade a se regenerar, espalhando mensagens de amor e paz. 

Um dos grandes motivos de sua popularidade é que o guru não pregava uma doutrina em específico, estimulando a prática de todos os credos religiosos — o que fez com que seus seguidores fossem muito diversificados. 

“Não vim em benefício de alguma religião em particular. Não tenho planos para atrair discípulos ou devotos ao meu rebanho ou a algum outro rebanho. Vim para falar-lhes desta Fé Unitária Universal, deste Princípio Divino, deste Caminho de Amor, desta Ação de Amor, deste Dever de Amor, desta Obrigação de Amor", explicou o mestre espiritual, segundo consta no site Organização Internacional Sathya Sai do Brasil. 

Fotografia de Sai Baba com sua habitual túnica laranja / Crédito: Wikimedia Commons

 

Habilidades paranormais 

Outra característica relevante de Sai Baba seria sua suposta capacidade de materializar objetos. Perante seguidores estupefatos, o homem teria feito surgir entre suas mãos uma variedade de colares, anéis, relógios e também “vibhuti”, que são cinzas consideradas sagradas na religião hindu. 

Um parapsicólogo que escreveu alguns livros sobre o guru, Erlendur Haraldsson, teria inclusive proposto a realização de testes em ambiente controlado para confirmar de forma irrefutável as habilidades psíquicas do indiano, todavia este teria recusado, de forma que as descrições dessas materializações vieram principalmente dos relatos de testemunhas entrevistadas. O que também abriu margem para os céticos afirmarem que se tratava tudo de uma fraude. 

Graças às extensas doações de seus devotos, que incluíam políticos, artistas e empresários, Sai Baba foi capaz de criar um império atualmente avaliado em 9 milhões de dólares. Dessa forma, em vida, o guru direcionou esse dinheiro para financiar na Índia a construção da Universidade Sri Sathya Sai, de um hospital na cidade de Bangalore, colégios, e um serviço de alimentação — todos gratuitos, fornecendo assim serviços essenciais à população carente. 

Também vale dizer que o primeiro retiro espiritual construído em homenagem ao mestre espiritual pelos seus seguidores, que está está instalado próximo da aldeia onde ele nasceu, se tornou um movimentado ponto de peregrinação ao longo das décadas.

 Controvérsias 

Fotografia de Sai Baba em conferência / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 2004, a BBC lançou um documentário reunindo ex-seguidores de Sai Baba que acusavam o líder espiritual de pedofilia e “abuso sexual sistemático”. Todavia, tais denúncias não foram investigadas com seriedade, mantendo a questão em aberto, assim como a veracidade de suas habilidades de materialização. 

Dessa forma, quem Sathya Sai Baba realmente foi permanece, ao menos em parte, um mistério. Publicamente, ele teria sido uma figura que, fraude ou não, ajudou muito sua comunidade e inspirou positivamente diversos devotos. Já em sua vida privada, poderia ter sido também alguém de princípios honráveis — ou então, um abusador. Fica à mercê das verdades que a pessoa decidir acreditar.


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