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Michael Finkel: o jornalista que teve seu nome usado por um assassino

Desempregado e sem esperanças, o repórter recebeu uma ligação que poderia recuperar sua credibilidade a partir do relato de um homicida

Nicoli Raveli Publicado em 28/05/2020, às 16h30

Cena do filme The True Story que conta a trajetória de Michael Finkel e Christian Longo
Cena do filme The True Story que conta a trajetória de Michael Finkel e Christian Longo - Divulgação

Michael Finkel era um dos jornalistas renomados do The New York Times e já havia feito diversas reportagens para o jornal. Em 2002, no entanto, escreveu uma matéria que colocou sua carreira em risco.

No início daquele ano, o investigador foi acusado de ter forjado uma informação sobre a escravidão de jovens árabes na Costa do Marfim. Por mais que ele não tenha escrito mentiras sobre o fato em sí, o profissional inventou um personagem que supostamente havia sido vítima de atos cruéis da escravidão. Isso porque Finkel não conseguia relatos tão impactantes e profundos dos trabalhadores das fazendas de cacau na África Ocidental.

A biografia de Youssouf Malé

Foi assim que decidiu dar vida a biografia fictícia de Youssouf Malé, um personagem que foi até mesmo retratado em fotografias. Sem suspeitar de seu funcionário, o editor do jornal permitiu que a matéria fosse publicada, e a partir de então a rotina de Michael passou por uma reviravolta.

Michael Finkel em palestra / Crédito: Divulgação 

 

Pouco tempo após a publicação, um dos trabalhadores da organização Save the Children — que foi criada no Reino Unido para ajudar às crianças a obterem oportunidades econômicas e assistência médica — ligou para Finkel e alegou que a criança retratada na foto não era Malé.

Não demorou a que os editores soubessem da notícia e, posteriormente, interrogassem o jornalista. Sob pressão, Michael confessou que a pessoa da foto não correspondia a Youssouf, e que o garoto, na verdade, era um personagem que ele havia criado a partir de diversos relatos de jovens árabes ele havia entrevistado, incluindo um que realmente chamava Youssouf Malé.

"O que fiz foi pegar uma série de entrevistas e fundi-las em uma só (...) Estava escrevendo sobre adolescentes analfabetos e empobrecidos nas florestas da África Ocidental. Quem seria capaz de determinar que o meu personagem principal não existia?”, alegou.

Michael Finkel, ex-jornalista do The New York Times que burlou as leis da ética jornalística / Crédito: Divulgação

 

Uma luz no fim do túnel

Diante da afirmação, o profissional foi demitido e voltou aos Estados Unidos. Lá, sofreu depressão e estava sem esperanças. Foi quando seu telefone tocou e Michael ouviu uma informação que o chocou. Um criminoso havia assassinado a mulher e três filhos e fugido para o México, onde passou a usar o nome de Michael Finkel e foi preso.

Ao invés de ficar bravo ou incrédulo pela situação, o jornalista teve uma ideia que poderia salvar sua credibilidade: entrevistar o assassino e, posteriormente, elaborar um livro sobre o bizarro episódio.

Christian Longo e Michael Finkel conversando na prisão / Crédito: Divulgação 

 

Para isso, seguiu caminho a uma prisão de segurança máxima para se encontrar com o suposto Finkel, que aceitou a entrevista sem nem pensar duas vezes: ele era fã do repórter. Os dois mantiveram contato por muito tempo e, a partir disso, nasceu uma amizade. O homicida, que se identificou como Christian Longo, disse como seus crimes aconteceram.

O sucesso iminente

O livro A História Verdadeira finalmente foi publicado em 2005, e pôde ser visto como um pedido de desculpas do escritor a seu antigo local de trabalho. Ao mesmo tempo em que obra retrata a carreira de Michael – como sua credibilidade foi afetada ao burlar as regras da ética jornalística – também aborda as catástrofes de Longo, que alegou ter matado sua família devido a questões financeiras, já que enfrentavam dificuldades devido aos gastos excessivos de Christian.

Christian Longo durante o julgamento / Crédito: Divulgação 

 

Diante tamanho sucesso, o texto foi indicado ao Goodreads Choice Award de Melhor Não Ficção e o Prêmio Edgar de Melhor Livro de Crime Factual. Em 2015, foi adaptado para um filme - o The True Story - que fora premiado pelo National Magazine Award por fotojornalismo e ganhou espaço na plataforma de streaming da Netflix. 

O lançamento do livro não fez com que seu emprego fosse recuperado, mas certamente contribuiu para sua fama. Longo, por outro lado, admitiu sofrer de transtorno narcísico da personalidade e continua preso em Oregon, onde está no corredor da morte.


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