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Militar do Sertão: João Bezerra da Silva, o homem que matou Lampião

O policial militar pernambucano foi nacionalmente reconhecido por comandar a operação que degolou o Rei do Cangaço

André Nogueira Publicado em 21/06/2020, às 08h00

João Bezerra
João Bezerra - Arquivo Pessoal

Uma das imagens mais marcantes da história policial no Brasil são as cabeças do bando de Lampião na escadaria da prefeitura em Piranhas, Alagoas. Nela, há o retrato da perseguição violenta contra os criminosos e uma vingança contra seus corpos, diante da notória prática de degolamento. O responsável pela foto foi o oficial João Bezerra da Silva.

Ele foi um Policial Militar de Alagoas, que se tornou famoso no país todo depois do Massacre de Angicos. Nativo de Afogados de Ingazeira, Pernambuco, aprendeu a atirar com o primo, Antônio Silvino, se tornaria cangaceiro. Alvo de uma infância conturbada, decidiu fugir de casa ainda jovem.

Com a namorada, se mudou para Recife, onde passou a trabalhar numa ferroviária, que cuidava da restauração das linhas e outros bicos que o auxiliaram a ter uma renda básica. Passou a viver na estrada, na região da capital pernambucana, até que decidiu retornar a sua cidade natal. Lá, abriu uma pequena bodega com armazém, se sustentando com as vendas.

No entanto, a passagem durou pouco tempo, pois, quando Bezerra começou a ganhar dinheiro, um fazendeiro local passou a persegui-lo, com medo de concorrência. Então, abusou de sua sobrinha e enviou um recado para que não passasse dos “limites”. João, indignado, foi à fazenda do homem e o matou, o que o obrigou a fugir da cidade para evitar vinganças.

Foto antiga da volante de Bezerra em 1936 / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Passou a viver em Princesa Isabel, onde conheceu o coronel José Pereira, e aprendeu a atirar, assim conhecendo os crimes dos cangaceiros. O militar era inimigo íntimo de Lampião. Trabalhando nas possessões do oficial, tornou-se lenda local por matar uma onça a tempos procurada, pois estava matando diversas criações na região.

João Bezerra decidiu entrar no exército, migrando para Maceió em 1919, passando a fazer parte definitiva do corpo da Polícia Militar em 1922. Com valentia, cresceu rapidamente na carreira, realizando diversas operações com eficácia e recebendo promoções e indicações por bravura. O principal local onde viveu era a cidade de Piranhas.

Nas operações que esteve envolvido, lutou ao menos onze vezes diretamente com cangaceiros, tendo, em uma das ocasiões, sofrido um ataque em que perdeu quatro centímetros de perna e, assim, se tornou manco. Por esse motivo, Lampião o apelidava de Cão Coxo, em referência à mobilidade reduzida. Em retribuição ao apelido desonroso, Bezerra passou a chamar o Rei do Cangaço de O Cego.

Em 1935, casou-se com Cyra Gomes de Britto, com quem construiu uma família enquanto trabalhava no comando de volantes no estado de Alagoas. Nessa posição, ficou responsável pela operação que identificou, perseguiu e assassinou o bando de Lampião durante reunião numa gruta localizada na fazenda dos Angicos, município de Poço Redondo.

Em uma operação bem organizada, eles localizaram o acampamento dos cangaceiros e entraram no local a noite, atirando com metralhadoras. Depois de mortos, Lampião e Maria Bonita tiveram suas cabeças arrancadas. Sua atuação na operação o fez nacionalmente famoso, e recebeu diversas honrarias.

Ele foi recebido pelo presidente Vargas no Palácio do Catete, sendo homenageado. Com o tempo, chegou à posição de comando da PM de Alagoas. Em 1940, lançou o livro Como Dei Cabo a Lampião, com descrições da operação mais famosa de sua carreira. Em 1955, entrou na reserva e passou a trabalhar numa fazenda, plantando.

João viveu ate é 1970, quando sofreu um AVC em Garanhuns. Foi enterrado como herói no Parque das Flores, em Recife, onde descansa até hoje.


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