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Ministério da Saúde do Brasil: quando foi criado e quem foi o primeiro ministro?

Em 1953, um nome em particular lutou para a existência única do ministério

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 15/03/2021, às 15h42

O médico e político Miguel Couto Filho
O médico e político Miguel Couto Filho - Arquivo Nacional

Você talvez já tenha se perguntado quando foi criado o tão importante cargo de ministro da Saúde e quem foi o primeiro a ocupá-lo no Brasil.

Por mais estranho que pareça, a função antigamente era vinculada à pasta da Educação até meados do século passado e um dos principais responsáveis por pressionar o então presidente Getúlio Vargas a realizar a mudança foi ninguém menos que a pessoa que viria a ser a primeira a ocupar o cargo após mudanças: o médico e político Miguel Couto Filho.

Início da carreira

Com informações do acervo da Fundação Getúlio Vargas, o primeiro ministro da Saúde do Brasil, Couto Filho, nasceu no dia 8 de maio de 1900, no Rio de Janeiro, então capital do país e que abrigara até poucos anos antes a corte imperial.

Seguindo os passos do pai, que foi um importante médico e político, em 1921, formou-se em medicina pela Universidade do Rio de Janeiro. Filho se destacou de tal forma em sua graduação que chegou a receber uma medalha de ouro e uma viagem para a Europa como prêmio, além de que atuou como assistente extraordinário da II Medizinische Klinik da Charite, em Berlim.

Couto Filho foi o primeiro ministro da Saúde brasileiro - Crédito: Divulgação/Academia Nacional de Medicina

 

De volta ao Brasil, tornou-se professor da cadeira de doenças tropicais e infecciosas na faculdade na qual realizara sua graduação. Mais tarde, foi nomeado chefe da 17ª e da 18ª enfermarias do hospital São Francisco de Assis também do serviço de cardiologia da 7ª Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia.

Vida política

Durante a década de 1930, Miguel mergulhou na política, assumindo seu primeiro mandato como deputado estadual do Rio de Janeiro no ano de 1935, sob a legenda do PSD (Partido Social Democrático).

Contudo, este primeiro mandato foi interrompido em 1937 em razão do fechamento do Congresso com o golpe do Estado Novo promovido por Vargas.

Terminado esse período, em 1945, Couto Filho foi eleito deputado federal e, depois, reeleito em 1950.

O ex-presidente Getúlio Vargas - Crédito: Creative Commons

 

Primeiro ministro da Saúde

De volta à política, passou a atuar ainda mais ativamente em prol da classe médica, defendendo, inclusive a criação do Ministério da Saúde, que à época era vinculado ao da Educação. Na época, a pasta era comandada por Antônio Balbino. O pedido de Miguel foi 'atendido' no ano de 1953, quando o presidente criou a nova pasta.

Assim, Filho deixou seu cargo para desempenhar a função de ministro da Saúde, criado em agosto daquele mesmo ano pelo presidente. Contudo, seu período no Ministério foi curto, uma vez que voltou a assumir a posição de deputado no ano seguinte.

Após o suicídio de Vargas, ocorrido em 24 de agosto de 1954, elegeu-se governador do estado do Rio de Janeiro. Neste período, ele deu maior atenção à saúde pública, promovendo a criação de postos e demais meios para atender a população. Em outubro de 1958, foi eleito senador ainda pelo PSD.

Couto Filho em visita à sede da Fiocruz - Crédito: Divulgação/Acervo Fiocruz

 

Mudanças de partido

No ano de 1963, Couto Filho decidiu mudar de partido, transferindo-se para o Partido Social Progressista, do qual tornou-se presidente. No ano seguinte, ocorreria o golpe militar, que permaneceria no comando do país por mais de duas décadas.

Pouco depois, em 1965, foi criado o Ato Institucional nº 2, que instaurou um sistema bipartidário no Brasil, de modo que Miguel teve de escolher entrar para a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava o regime militar no país. Ele continuou atuando na política até sua morte, ocorrida no dia 2 de maio de 1969, no estado do Espírito Santo.


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