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Missão impossível: Há exatos 42 anos, ocorria a primeira escalada sem o uso de oxigênio no Monte Everest

Neste dia, em 1978, acontecia a polêmica aventura dos alpinistas Reinhold Messner e Peter Habeler

Penélope Coelho Publicado em 08/05/2020, às 08h00

Fotografia do Monte Everest
Fotografia do Monte Everest - Wikimedia Commons

Em 8 de maio de 1978, há exatos 42 anos, dois amigos iriam marcar para sempre a historia do Monte Everest em uma missão quase suicida, na tentativa de escalar a enorme montanha sem o auxílio de um oxigênio suplementar.

Mesmo sabendo dos inúmeros riscos e da baixa chance dessa expedição dar certo, os alpinistas Reinhold Messner e Peter Habeler decidiram arriscar as próprias vidas em nome do amor pelo Monte Everest, gerando uma grande polêmica na época.

Mal sabiam eles que essa jornada iria quebrar barreiras de algo que foi considerado impossível, transformando a história do montanhismo no Himalaia, abrindo portas para futuras subidas que seriam feitas ali.

A primeira escalada a passar dos 8 mil metros de altura em relação ao nível do mar, no monte, foi uma expedição comandada pelo britânico George Finch, o alpinista chegou ao topo da montanha usando oxigênio.

Essa atitude foi considerada antidesportista pela comunidade dos alpinistas, afirmando que o homem utilizou elementos que podem ter o favorecido, pensando nisso, Messner e Habeler decidiram fazer diferente e encararam a aventura sem aparelhos de auxílio. 

Reinhold Messner em junho de 2002 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O percurso

Naquela época, com as condições do monte ainda pouco exploradas, a maior preocupação dos aventureiros era colocar um pé na frente do outro, sem errar, para não caírem. Embora, os dois estivessem com o sentimento fulminante de que a qualquer momento sofreriam uma hipóxia cerebral.

Os médicos que aguardavam a dupla no acampamento base, já haviam advertido os homens dos perigos que eles escolheram viver, porém, Reinhold e Peter estavam positivos de que iriam conseguir enfrentar esse desafio. Eles escolheram escalar o Everest de maneira leve e com uma pequena mochila em suas costas, somente com os mantimentos estritamente necessários.  

Apesar da confiança, os dois enfrentaram uma longa batalha contra o cansaço extremo. Habeler chegou a sofrer com alucinações, ambos caminhavam arrastados na neve tentando recuperar o fôlego. A motivação era olhar para cima, com uma grande esperança de que iriam conseguir. “Foi minha alma que me levou até lá.”, escreveu Messner na época.

No topo

Por volta das 13h15 do dia 8 de maio de 1978, depois de uma longa viagem, os escaladores desafiaram a ciência e a medicina, quando conseguiram chegar ao cume do Monte Everest, respirando apenas com os próprios pulmões, no ponto mais alto do planeta. Essa viria a ser a primeira escalada sem o auxílio de aparelhos respiratórios no local.

Lá em cima, eles aproveitaram o tempo curto como puderam. A 8.848 mil metros do chão, os homens tiraram algumas fotos, choraram exaustos e muito alegres, além de filmarem até um pequeno documentário intitulado Everest Sem Máscara.

Para provarem que estiveram lá em cima, os alpinistas deixaram um pedaço de corda velha na montanha e depois de 15 minutos começaram a jornada de volta, em uma longa decida a caminho do acampamento.

Peter Habeler, em 2017 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Críticas e suspeitas

O alpinismo é um estilo esportivo do montanhismo, atividade praticada por atletas do mundo todo, porém, devido ao seu alto risco de morte, muitas críticas foram feitas para Reinhold Messner e Peter Habeler, acusados de terem sido irresponsáveis, já que muitos alpinistas morreram na tentativa de escalar o Everest.

Por outro lado, algumas pessoas chegaram a duvidar do feito dos alpinistas, aborrecido com as acusações, dois anos depois de ter escalado o Monte Everest, em 1980, Reinhold Messner decidiu mandar um recado para os críticos, voltando a subir a montanha, dessa vez sozinho e novamente sem qualquer tipo de apoio técnico.

Riscos

Segundo um artigo publicado pela revista norte americana National Geographic, a taxa de hipóxia cerebral e de mortalidade é dobrada quando o atleta assume o risco de escalar sem oxigênio. Somente 5% dos alpinistas conseguiram subir o Monte Everest sem esse tipo de auxílio.

Reinhold Messner e Peter Habeler sabiam que poderiam não ter voltado dessa aventura maluca, porém, mais de 40 anos depois do feito, eles parecem não ter se arrependido. Em uma entrevista na ocasião, Messner disse as seguintes palavras sobre as lições que aprendeu com o Everest:

“Éramos montanhistas reais: cuidadosos, conscientes e, inclusive, temerosos. Ao escalar montanhas não estávamos aprendendo o quão grande éramos. Estávamos descobrindo o quão frágil, fracos e temerosos somos.”.


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