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Mistério de 120 anos: o enigmático desaparecimento dos guardiões do farol

Obscuro caso ocorrido em dezembro de 1900 nas Ilhas Flannan deixou lacunas vazias e teorias conspiratórias que se debatidas até hoje. Afinal, o que aconteceu com Thomas Marshall, James Ducat e Donald Macarthur?

Fabio Previdelli Publicado em 15/07/2020, às 14h47

Poster do filme The Vanishing (2018)
Poster do filme The Vanishing (2018) - Divulgação/Lionsgate

Em 26 dezembro de 1900, um barco chamado Hesperus, que saiu da Filadélfia, chegava na ilha de Eilean Mor, um dos sete ilhéus — também conhecidos como os "Sete Caçadores" — das Ilhas Flannan, na costa noroeste da Escócia.

Na ocasião, o capitão James Harvey ficou encarregado de transportar o faroleiro Joseph Moore, que iria substituir um dos homens que trabalhavam no farol do local — seria apenas mais uma rotação regular dos trabalhadores. Além do mais, ele também carregava alguns mantimentos para os três faroleiros que eram responsáveis por tomar conta do lugar: Thomas Marshall, James Ducat e Donald Macarthur.

Entretanto, quando Harvey e sua equipe chegaram, ficou claro que algo realmente estava errado. Afinal, nenhuma das preparações normais do cais de desembarque havia sido feita. O mastro não estava hasteado, a luz do farol estava apagada e, quando o capitão tocou a buzina e acionou um sinalizador para atrair a atenção dos faroleiros, não obteve nenhuma resposta.

Cena do filme The Vanishing (2018) que dramatiza a história dos três faroleiros / Crédito: Divulgação: Saban Films

 

As coisas ficaram ainda mais estranhas quando Moore desceu da embarcação e entrou na íngreme escadaria que levava ao farol, relatando uma sensação abrangente de pavor. Lá, constatou que o portão do local estava trancado e no saguão de entrada do farol faltavam dois dos três casacos que costumavam ficar ali.

Já no interior da casa, a mesa da cozinha continha pratos de carne, batatas e picles. Além do mais, uma das cadeiras estava virada, como se a pessoa que estava ali sentada estivesse saído com pressa. Para deixar o cenário ainda mais enigmático, o relógio da parede havia parado ao marcar às 2 horas.

Essas pistas apenas levaram a mais perguntas: por que um dos guardiões teria saído sem o casaco — e, por falar nisso, por que os três teriam saído juntos quando as regras o proibiram? Alguém precisava ocupar o cargo o tempo todo, então algo incomum deve tê-los atraído. Mas o que?

Sem encontrá-los, Harvey enviou um telegrama para a sede do conselho responsável pelos faróis. Com isso, dias depois, Robert Muirhead, supervisor do conselho que recrutou os três faroleiros, chegou ao local para ajudar na busca.

Entretanto, nem mesmo com sua participação o paradeiro dos três homens foi encontrado. Embora outros detalhes tenham sido revelados sobre os dias que antecederam o sumiço. Ao analisar o diário do farol, Muirhead percebeu que as anotações feitas eram um tanto quanto incomuns — isso pra não dizer bizarras.

No dia 12 de dezembro, Thomas Marshall disse que presenciou "ventos fortes como nunca vi antes em vinte anos". O segundo assistente também relatou que o líder do grupo, James Ducat, estava “muito quieto” e que Donald Arthur estava “chorando”, o que era algo bem peculiar para um homem com reputação de durão.

O relato do dia seguinte também é bem estranho. Nele, Marshall relatou mais detalhes da tempestade e escreveu que os três estavam rezando para que a tempestade passasse, mesmo estando a 45 metros acima do nível do mar e em um dos lugares mais seguros da região.

A parte mais estranha de tudo isso é que, segundo as previsões meteorológicas do local, não houve nenhuma tempestade na região nos dias 12, 13 e 14 de dezembro. Na verdade, o tempo estava calmo e um forte vendaval só iria atingir o local apenas dois dias depois do relatado.

Entretanto, tudo parece acabar no dia 15, quando houve o último registro. “A tempestade acabou, mar calmo. Deus está acima de tudo”, escreveu. Com isso, especulações sobre o ocorrido correram soltas entre quem presenciou as buscas. Seria algo sobrenatural? Os faroleiros sofreram o ataque de criaturas marinhas gigantes? Houve um assassinato? Ataque de Aliens?

Cena do filme The Vanishing (2018) que dramatiza a história dos três faroleiros / Crédito: Divulgação: Saban Films

 

Bom, para Muirhead a explicação é muito mais “normal” do que se possam pensar. Com base em mais pistas encontradas do lado de fora do farol — como cordas, que geralmente eram mantidas em uma caixa marrom a 20 metros acima da plataforma em um guindaste de suprimentos, espalhadas pelas rochas —, o supervisor deduziu que um caixote caiu do farol e que, ao tentarem recuperá-lo, uma forte e inesperada onda chegou e arrastou os três para o mar.

Mas essa explicação jamais deixou as pessoas completamente satisfeitas, principalmente com as lacunas que não foram consideradas: como a falta de corpos, as condições supostamente calmas e a vasta experiência dos faroleiros em casos como esse.

O que restou sobre o caso foram inúmeras teorias, além do relato de outros faroleiros que trabalharam no local nos anos posteriores, que alegaram ouvir vozes gritando os nomes de Thomas Marshall, James Ducat e Donald McArthur.


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