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Os mistérios e controvérsias do verdadeiro rosto da rainha Nefertiti

Em 2018, a face da esposa de Aquenáton foi reconstruído digitalmente criando um debate sobre como ela realmente teria se parecido

Alana Sousa Publicado em 06/12/2020, às 07h00

Montagem da reconstrução do rosto da rainha lado do busto encontrado
Montagem da reconstrução do rosto da rainha lado do busto encontrado - Travel Chanel/ Wikimedia Commons

Adorada como deusa e sacerdotisa de uma nova religião, Nefertiti é, sem dúvida, uma das figuras mais emblemáticas do Egito Antigo. Exercendo um poder e influência quase tão grande quanto de Cleópatra, a rainha se tornou alvo de fascínio por sua tumba desaparecida, seus feitos e sua beleza incomparável.

Considerado uma das maiores relíquias do século 20, o busto da esposa de Aquenáton foi estabelecido como ícone de beleza e descrito como “a obra de arte mais conhecida do Egito antigo”. Desde a descoberta do artefato, em 1912, sua aparência vem sendo estudada das mais diversas formas, até que, com as novas tecnologias, uma reconstrução 3D do rosto da influente egípcia era esperada com ansiedade por todos.

A mais bela

Pensando em todos os mistérios que rodeavam o rosto da prestigiada rainha, pesquisadores da Universidade de Bristol recriaram, em 2018, a face de Nefertiti em um minucioso trabalho que durou quase um mês em um ritmo intenso, liderado pela artista Elisabeth Daynes.

O busto de Nefertiti / Crédito: Getty Images

 

Apesar da existência do busto da lendária mulher, recriar seu rosto não foi fácil, já que sua tumba ainda está perdida, portanto, uma análise de pinturas antigas teve que ser suficiente — e não eram muitas.

A rainha, que governou o Egito de 1353 a 1336 a.C. também era madrasta do faraó Tutancâmon, e esse fator influenciou na detalhada recriação. A partir da múmia da mãe biológica do Rei Tut, apelidada de Moça Mais Nova, os cientistas tiveram uma ideia de como Nefertiti poderia ser.

Ainda que a hipótese das duas mulheres, na verdade, serem uma só seja descartada pela maioria dos historiadores, a representação humana da egípcia reflete em alguns detalhes o esqueleto mumificado da progenitora do Faraó-Menino, que foi pesquisado por cientistas autorizados pelo Ministério Egípcio de Antiguidades e do Museu Egípcio.

Essa particularidade foi alvo de polêmica entre as pessoas que avaliaram o resultado do projeto de Bristol, a principal característica controversa foi o tom de pele de Nefertiti, que muitos acusaram de ser bem mais claro do que o esperado.

A polêmica racial acalorou o debate sobre a etnia e tom de pele dos egípcios — um desentendimento que atravessa os séculos. Defendendo a imagem virtual, os pesquisadores alegaram que o trabalho foi o mais fiel possível, e que a população da rica civilização da Antiguidade possuía uma forte miscigenação.

Reconstrução do rosto da Rainha Nefertiti / Crédito: Travel Chanel

 

A reconstrução controversa

Dr. Dodson, participante do projeto afirmou: “É extraordinário. Quando visto junto com a última leitura dos dados genéticos, isso nos fornece evidências verdadeiramente emocionantes de que a múmia da Moça mais nova não é outra senão a própria Rainha Nefertiti”.

Dr. Gates, foi ainda mais enfático: “A estrutura óssea e as características são notavelmente consistentes com as representações antigas. Eu acredito que esta é a verdadeira face de Nefertiti”.

A responsável pela reconstrução, Elisabeth Daynes, por sua vez, disse: “Quando você sobrepõe o perfil da reconstrução com o famoso busto de Nefertiti em Berlim, eles são uma combinação incrivelmente próxima”.

Ainda que, no mínimo, questionável, a reconstrução homenageia uma das mulheres mais importantes e socialmente prósperas que já viveu. Relembrando um legado que, por vezes, é esquecido, mas que representou um dos momentos de glória de uma cultura tão marcante como foi a egípcia.


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