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A misteriosa mulher por trás da múmia da Senhora Dourada

Nunca aberto, o sarcófago do cadáver egípcio de milhares de anos permanece envolvido de incógnitas

Isabela Barreiros Publicado em 01/04/2020, às 07h30

O sarcófago da Senhora Dourada
O sarcófago da Senhora Dourada - Divulgação/Museu Field de História Natural

A descoberta de múmias sempre fascina tanto egiptólogos quanto a própria sociedade civil quando observa tais artefatos antigos. Estudá-las, no entanto, pode ser um processo muito difícil, visto que a antiguidade das peças faz com que elas se tornem cada vez mais sensíveis com o tempo. Percebe-se, assim, que a preservação desses corpos antigos limita profundamente a capacidade de pesquisa de arqueólogos, que precisam ultrapassar essas restrições de qualquer maneira.

Um dos casos mais emblemáticos desse problema aconteceu quando a múmia #30007 foi encontrada. Muitas décadas se passaram até que os pesquisadores pudessem realizar um estudo mais profundo sobre o sarcófago — além de apenas observar seu lado exterior.

Por estarem concentrados na parte de fora, a descoberta ficou conhecida como Senhora Dourada. O nome refere-se aos detalhes estampados no sarcófago da múmia, que contém inúmeros detalhes em ouro e linho. Além disso, ela também estava usando uma touca dourada e seus traços faciais estavam pintados.

Crédito: Divulgação/Museu Field de História Natural

 

O caixão da múmia foi pintado nos padrões da Era Romana no Egito, entre 30 a.C. e 646 d.C. Em seu rosto, estavam colocadas camadas de papiro cobertas por ouro, como uma espécie de máscara mortuária — o que, segundo alegam egiptólogos, diz respeito à crença da época de que, após a morte, a mulher mantivesse seus olhos, nariz e boca intactos, porque ainda necessitaria de seus sentidos.

Os detalhes ainda permitem que os arqueólogos cheguem a outras conclusões sobre o período histórico a qual ela pertencia. Ainda no momento em que o Egito era uma província do Império Romano, o processo da mumificação passou a sofrer com essas novas influências. Essa interação pode explicar o fato de ela não estar em um caixão de madeira, o que era comum antes da era romana, mas sim em espécies de cápsulas feitas de linho e cartonagem, que lembravam muito papel machê.

Pouco se sabia sobre a Senhora Dourada naquela época, e, ainda hoje, não são muitas as informações sobre a moça além de suas possíveis características físicas e data da morte. Sua identidade, porém, continua uma incógnita: quem teria sido essa mulher que foi embalsamada há mais de 1.500 anos com uma decoração tão rica?

O sarcófago nunca foi aberto. No entanto, por conteúdo do caixão ser muito frágil, por meio de modernos equipamentos de tomografias computadorizadas, imagens de raios-x puderam escanear seu interior, revelando características da múmia. Os exames apontaram que a mulher provavelmente estava em seus 40 e poucos anos quando morreu, tinha cabelos encaracolados e possuía uma ligeira sobremordida, ou seja, uma pequena sobreposição dos dentes inferiores pelos superiores.

Crédito: Divulgação/Museu Field de História Natural

 

Segundo o curador do Museu Americano de História Natural, David Hurst Thomas, responsável pela mostra na qual a Senhora Dourada está exposta, a técnica não fere o conteúdo de dentro do caixão, e ainda possibilita que pesquisadores consigam mais informações sobre a múmia. "Varreduras como essas não são invasivas, são repetíveis e podem ser feitas sem danificar a história que estamos tentando entender", explicou Thomas.

Especialistas do Museu Field de História Natural, em Chicago, nos Estados Unidos, utilizaram as tomografias para realizar uma reconstrução virtual do crânio da mulher. Com essa tecnologia, a artista forense francesa Élisabeth Daynès pôde, ainda, gerar uma reconstituição 3D do rosto da egípcia, criando uma réplica fiel da face da múmia sem sequer abrir o caixão.

Crédito: Divulgação/Élisabeth Daynès

 

Além disso, pesquisadores também puderam apontar possíveis causas para a morte da Senhora Dourada. Evidências obtidas por meio dos testes sugerem que ela pode ter morrido após contrair tuberculose, uma doença que se tornou comum no Egito Antigo devido às altas incidências na população.

Ainda assim, nada — ou muito pouco — se sabe sobre a identidade da múmia. Sem identificação de seu nome por não existirem hieróglifos em seu túmulo que o revelem, os técnicos do Museu Americano de História Natural, localizado em Nova York, denominaram a mulher de “Senhora Dourada”, nome pelo qual é conhecida mundialmente. Hoje, ela permanece no acervo do museu em questão, nos Estados Unidos.


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