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Gandhi, o patriarca puritano

Abusando de sua situação de privilégio, o líder indiano dormia com jovens moças nuas em sua cama como forma de testar o celibato

André Nogueira Publicado em 17/10/2019, às 09h41

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- Wikimedia Commons

Mahatma Gandhi, liderança na luta dos indianos contra dominação britânica no século 20, era um defensor do ativismo político não violento. Afirmando que batalhas deveriam ser ganhas através da compaixão, ele influenciou líderes políticos como Martin Luther King e foi crucial para o movimento de independência da Índia.

Entretanto, é sempre bom lembrar que não existem santos. Na mesma época em que defendia a noção de inferioridade da raça negra com relação a brancos e indianos, Gandhi cultivava a misoginia que deflagrou durante toda a vida.

Vivendo longas duas décadas na África do Sul, o líder político-espiritual respondeu por dois casos de abuso sexual contra seguidoras que foram obrigadas a raspar o cabelo para que não atraíssem sexualmente homens. Segundo ele, as mulheres entregavam sua humanidade no minuto em que eram estupradas.

Na visão do Mahatma, homens eram incapazes de controlar seus espíritos predatórios, que eram de responsabilidade das mulheres. Era contra anticonceptivos e abusou de diversas situações em que seu poder simbólico era usado para fins sexuais, mesmo depois de se tornar celibatário.

Segundo o livro Sex and Power: Defining History, Shaping Societies, da ativista e escritora Rita Baneji, para Gandhi, a menstruação era "a manifestação da distorção da alma da mulher por sua sexualidade".

Ao confrontar sua incapacidade de controlar a libido, o que era visto como natural do homem, Gandhi optou pelo celibato, sem sequer consultar a esposa.

Como autoridade, Gandhi era muitas vezes inquestionável / Crédito: Domínio Público

 

A partir de então, passou a usar mulheres, muitas delas meninas menores de idade, para testar sua capacidade de autocontrole: as obrigava a dormir nuas na mesma cama que ele, sem que ele as tocasse (o que, claro, não era o que acontecia sempre).

Um dos casos mais alarmantes de relação abusiva com menores de idade, o que era possível por seu status na sociedade indiana, ocorreu com sua sobrinha-neta. Gandhi não considerou problemático usá-la como artificio para testar sua paciência sexual.

Gandhi e a sobrina-neta, Manu / Crédito: Domínio Público

 

"É um fato. Gandhi tinha mulheres jovens em seu ashram, algumas delas ainda adolescentes, uma delas sua própria sobrinha neta [Manu Gandhi], dormem nuas com ele em sua cama à noite. Esse era um aspecto de Gandhi sobre o qual eu não havia lido antes e me surpreendeu a princípio. Eu estava pesquisando para o meu livro 'Sex and Power', que analisa a história do sexo e da sexualidade na Índia, e era importante para mim investigar isso mais”, escreveu Rita Banerji.


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