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Morta por investigar o assassinato da filha: a triste saga de Marisela Escobedo

A ativista que lutou sozinha na tentativa de que o crime contra sua filha fosse punido, agora tem sua história contada em documentário na Netflix

Penélope Coelho Publicado em 20/10/2020, às 18h21

Cena do documentário As três mortes de Marisela Escobedo
Cena do documentário As três mortes de Marisela Escobedo - Divulgação / Netflix

No ano de 2008, a história da mexicana Marisela Escobedo foi acometida por um terrível crime que tirou a vida de sua filha, Rubí Marisol Frayre, que na época tinha somente 16 anos. A partir desse momento, Marisela deixou de ser somente uma mãe para se tornar uma ativista social, que lutou com todas as forças para que a justiça fosse feita.

Contudo, seus esforços incomodaram e Escobedo também foi assassinada. Agora, a produção intitulada As Três Mortes de Marisela Escobedo, dirigida por Carlos Pérez Osorio, aborda sua incansável trajetória de luta ,em um documentário exibido na plataforma de streaming Netflix.

Primeiro crime

Em agosto de 2008, a filha de Marisela, Rubí, foi morta por seu então companheiro Sergio Rafael Barraza, no estado de Chihuahua, ao norte do México. O assassino jogou os restos mortais da jovem, que só foram encontrados meses depois, em um depósito de porcos. 

Os pais da menina, e principalmente, Marisela repararam na passividade das autoridades do México que não investigaram a fundo a morte da garota, por isso, a mulher decidiu iniciar uma verdadeira saga por conta própria para encontrar Barraza, para que finalmente ele fosse preso por seu crime.

Após basicamente abdicar da vida que levava como enfermeira, com muito esforço ela localizou Sergio no estado de Zacatecas. O homem foi levado pelas autoridades e confessou o crime em 2009. Contudo, após seis meses, mesmo depois de se declarar culpado, o criminoso foi solto. Na ocasião, a promotoria de Chihuahua alegou falta de provas.

Entretanto, após a primeira decisão, o tribunal superior voltou atrás sobre a libertação de Barraza, porém, a essa altura o homem já estava bem longe. Foi ai que Marisela iniciou outra trajetória de luta, dessa vez, protestando contra a impunidade no México.

Cartaz pedindo justiça por Marisela Escobedo e sua filha / Crédito: Flickr

 

Ativismo social

Após ver o assassino de sua filha ser solto pela própria justiça, a mulher passou a falar publicamente sobre a impunidade no país. Em protestos, ela pedia para que Rafael fosse capturado novamente. Para chamar a atenção das autoridades para sua causa, a mexicana chegou a caminhar pelas ruas de Ciudad Juárez com uma foto do homem que matou sua filha colada em seu corpo.

Para Escobedo se tornou recorrente realizar vigílias em frente ao Palácio do Governo de Chihuahua. Em uma dessas marchas, no dia em 16 de dezembro de 2010, Marisela foi assassinada.

Placa indicando o local onde Marisela Escobedo foi morta / Crédito: Wikimedia Commons

 

Neste dia, a ativista foi abordada por um estranho, após trocarem algumas palavras acredita-se que a mulher percebeu as intenções do homem e, por isso, começou a correr. Porém, a tentativa foi em vão: Marisela Escobedo foi morta com um tiro na cabeça. O cidadão que efetuou o disparo fugiu em um carro.

Após um tempo ele foi capturado e identificado como José Enrique Jiménez Zavala, já o autor intelectual do crime foi reconhecido como o mesmo que matou Rubí, Sergio Rafael Barraza. Nessa triste história, Marisela nunca viu a justiça ser feita.

Barraza morreu em 16 de novembro de 2012, em um confronto com policiais, em Zacatecas, região que anteriormente havia sido indicada por Escobedo como o local em que o assassino de sua filha se escondia. Já o homem que matou Marisela foi morto na cadeia após ter sido supostamente estrangulado por seu parceiro de cela.

A mexicana deixou em seu país um legado inesquecível de luta, que quase 10 anos depois é abordado na produção audiovisual As Três Mortes de Marisela Escobedo, dirigido por Carlos Pérez Osorio, no documentário original Netflix.  

A história chama a atenção para as falhas no sistema judicial do México, local onde cerca de dez mulheres são assassinadas por dia e a impunidade nesses casos chega a 97%, conforme revelado pelo portal de notícias G1.


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